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Marca d'Água

Marca d'Água

15
Jan24

Silêncio: “Anjo de Portugal”

Recordando a tragédia de Entre-os-Rios


Entre-os-Rios (1) copiar.jpg

Tem 11 metros de altura a imagem de bronze do “Anjo de Portugal”, que encima o conjunto escultório com 20 metros de altura, evocando o nome das 59 vítimas mortais da tragédia de Entre-os-Rios, ocorrida no dia 4 de março de 2001.

Pode ser visto na margem esquerda do rio Douro, em Sardoura, Castelo de Paiva, no local onde ocorreu a derrocada do tabuleiro da Ponte Hintze Ribeiro, que liga ao concelho de Penafiel.

Entre-os-Rios (2) copiar.jpg

É uma imagem que me impressiona sempre que lá passo, não deixando de recordar, com enorme pesar, aquela data que me marcou profundamente como jornalista e como pessoa, porque também lá estive poucas horas após a tragédia, acompanhando as operações de resgate, escrevendo dezenas de peças sobre o tema nos dias e semanas seguintes.

Entre-os-Rios (3).jpg

No interior do monumento, onde o silêncio homenageia quem partiu, podem ser vistas as fotografias e os nomes das 59 vítimas, além das flores em sua homenagem!

29
Nov23

Rio assim...

Mãos dadas ao ziguezague do rio, sob pontes…


Caminhar junto ao Douro é mágico, a multiplicar…

Ver-nos, entreabertos, ao espelho de água que corre para o mar…

No outono da vida, irmos atrás rio, levitando, seja só na vontade…

Preencher o peito com a brisa e abrir os braços…

Abraçar, como feitiço, parte igual em quadro de afetos…

Que mudam, cada estação, das camélias às margaridas…

Dos sabores citrinos, da Pala, às compotas de cerejas, de Resende…

Em festival de palatos ou botões de rosa, em canteiros de Midões…

Passadiços do Rio Douro em Castelo de Paiva (12)

Num estágio de vida, da passarada que parte para Sul, epifania sem palavras…

Só emoções, energias percorrem corpos, como marcas que formam rimas

Vemos os barcos de turistas da moda que passam, acenando entre margens…

Sentado ao sol, nesta pedra, para aquecer as mãos, escrever no coração…

Ou seguindo, mãos dadas com o ziguezague do rio, sob pontes…

Vemos casinhas de lousa, caminhos estreitos, chaminés com pedaços de calor…

Onde moram capelas austeras, memórias de reconquistas afonsinas, templárias…

Como outrora, é a busca do raio de sol, nestes passadiços, para amornar dias frios…

Além, atrás, a neblina, porque o Inverno está a chegar!

 

20
Nov23

Caminhos assim!

Douro: tanta água que brilha aos fios de sol


O rio Douro é uma torrente de emoções quando o olhamos com vistas de ver, do cimo da serra, entre nuvens graciosas que o saúdam, como dedos que tateiam num veludo azul-celeste, com bordos de ouro.

Paisagem Rio Douro Baião Aregos.jpg

O que vemos então? Vemos tanta água que brilha aos fios de sol, perpassando montes e vales, num leito curvilíneo, majestoso, como o rabelo, que segue até "Portus Cale".

Paisagem Rio Douro Baião Aregos02.jpg

Sob pontes do comboio, deixando para trás tantos socalcos de beleza, de miradouros com pedra de xisto, de cerejais sem fim, de ermidas e mosteiros românicos, de romances de Eça, de devaneios de Torga, ou dos néctares de Baco, sob a forma de cálices de Porto.

 

 

10
Mai23

Velhas vilas unidas por taninos redondos

Trauteando versos da cantiga que falam tripeiro


Vista do Porto em Gaia copiar.jpg

O nosso Douro é imenso, belo sem igual, quando, trajado de primavera, em veste de gala, abraça as duas urbes irmãs, que são uma apenas!

Velhas vilas, que soçobram entre si, na sua essência, na sua partilha, unidas por taninos redondos, por pontes de paisagens, “estórias”, gentes e cumplicidades, como as que sentimos em Miragaia ou na Afurada, quando à beira rio caminhamos de gelado na mão, respirando a aragem salgada que vem do mar, rio acima, num rabelo às tantas, e nos penteia o cabelo que, como o nosso espírito, ondula livre como os pássaros marinhos que sobrevoam a Sé, num céu tão azul, com tanto sentido!

É como o milhafre da canção do Rui Veloso, que assobiamos ali, de coração cheio, trauteando aqueles versos que falam tripeiro, sentados no muro, vendo os barcos que sobem e descem as águas e ouvindo a cacofonia poliglota dos turistas, aos magotes, que passam na calçada, posando tantas vezes para mais uma fotografia com as mil pontes do Porto em pano de fundo, como no cinema de Manoel de Oliveira, mas sem o preto e branco, que também são as cores da Invicta que amamos!

 

19
Abr23

A luz tripeira, de travo refinado!

E rabelos de sotaque encorpado na Ribeira com sabor a dobrada


Rio Douro barcos Porto.jpg

A luz do nosso Porto, com tantas nuances, tantos traços até às águas, sombras e brilhos, é um cenário inigualável que o mundo só agora descobriu, conferido pelo Douro, de travo refinado, primaveril, as suas várias pontes de mil formas, pelos putos destemidos que mergulham do tabuleiro, pelos rabelos com sotaque encorpado, bandeiras ao vento Norte, e pela Ribeira das peixeiras e tabernas com sabor a dobrada e bifanas, como dos músicos, que se estende de elétrico, do palácio de cristal, dos apaixonados até à Foz, dos passeios alegres e finais de tarde, à espera do São João, vendo o pôr do sol quase púrpura, atrás da silhueta escura do navio que, roncando, rasga o fio de mar cheio de tudo e de nada, a caminho de Leixões!

 

17
Abr23

Uma ponte, a mais linda de Portugal

Mirando uma passagem, p`ra outra margem


Porto Ribeira04 Ponte D. Luiz I b.jpg

Com a Ponte de D. Luiz I agora, finalmente, de “cara” lavada, o nosso Porto ganhou novo encanto, ficando mais lindo ainda, uma autêntica tela que os pintores homenageiam, em Miragaia, e um poema que os nossos mestres rimam nas paredes fernandinas, à sombra da Sé.

Porto Ribeira04 Ponte D. Luiz I c.jpg

Que bonita é a ponte centenária que liga à bela Gaia, de onde, entre as grades de ferro, como a partir dos rabelos, se pode ver o velho casario tripeiro que se estende, pardacento, até à Foz do Douro ou, na outra margem, as caves do Vinho do Porto, marca maior, uma cor rubi de Portugal!

Porto Ribeira05.jpg

Recuperar e preservar o nosso património é algo que, com letras sobre bronze, nos dignifica, porque reconhecemos os nossos pretéritos e legamos esse passado aos nossos vindouros, perdurando a nossa natureza como povo!

Porto Ribeira04 Ponte D. Luiz I.jpg

 

 

 

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