Há dias, do baú de recordações, recuperei estas imagens que partilho agora com os meus amigos. Há muitos anos, em Fafe, foi assim que tudo começou no meu percurso profissional, sempre ligado ao gosto pela rádio e pela escrita. Naquela casa, que abrigava a Rádio Clube de Fafe e o Correio de Fafe, fizeram-se muitos profissionais, ajudados por mestres pacientes que recordo. Ali escrevi as primeiras notícias e realizei os primeiros programas, quase sempre ligados à informação.
Foram anos vivenciados com grande paixão pelo gosto de aprender, na procura de fazer mais e melhor, no gosto de comunicar!
Ali estavam a escrita e a música - duas paixões que nutria desde a infância – unidas num projeto que acabou por ser profissional.
Não sei se terá sido a opção certa, mas desde os tempos que hoje recordo, nunca mais parei nestas lides, apesar de tanta coisa ter mudado, na forma de se trabalhar e de estar na profissão.
Recordo simplesmente, com saudade e carinho, esses momentos tão bonitos, de um certo romantismo, de tantos sonhos!
Lembro o dia de verão em que, sentado no parapeito da janela, olhava, por entre a árvores, o velho circo que lá ao longe, parara na minha aldeia, enquanto ouvia o som nasal do velho rádio lá de casa, minha companhia obrigatória.
E eu, preocupado com a sede do locutor que falava incessantemente, metido no velho Onda Média, decidi dar-lhe de beber, deitando um pouco de água fresca sobre o aparelho. Lembro-me como se fosse hoje…
A água deve ter-lhe sabido bem, porque o homem calou-se de imediato… Mas eu, criança com uns cinco ou seis anos de idade, fiquei triste e assustado, porque o rádio amuou e percebi que fizera asneira.
Tal gesto, irrefletido, inocente da minha pessoa, mais tarde censurado pelo meu pai, já indiciava o gosto de quem, ainda muito pequeno, adorava ouvir rádio e já despertava para o jornalismo.
Todos os dias, muito pequeno ainda, no tempo dos debates políticos acalorados Cunhal/Soares, não conseguia adormecer se não ouvisse o noticiário da meia-noite.
Mais tarde o gosto pela música e pelas notícias empurrou-me para o mundo da rádio, que desfrutei alguns anos.
A vida, porém, quis outro destino profissional para mim, mais voltado para a escrita, mas a paixão pela senhora rádio ficou incólume.
Hoje continuo a ser um ouvinte de rádio assíduo, respeitando muito os meus colegas que, nem sempre reconhecidos no seu mérito, nela trabalham.