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Marca d'Água

Marca d'Água

21
Mar24

Riacho que, apressado, queremos convidar a ir mais devagar!

Em silêncio, apesar do chilrear da Primavera que chegou!!!


Barrias queda de água02.jpg

Às vezes, neste mundo cada vez mais digital, temos uma vontade analógica, primária, incontida, de pararmos o tempo, de ordenarmos, só com o olhar, que os ponteiros do relógio avancem em câmara muito, muito... lenta!

Para desfrutarmos de momentos raros de bem-estar, queremos junto ao peito prolongá-los, como partes da natureza maior, ancestral, onde sentimos uma energia mais forte do que nós, uma eletricidade fresca como arrepios, que brota do subsolo, corpo acima, até ao coração!

Que emerge da folhagem das árvores para os nossos cabelos, ou do riacho que, apressado, queremos convidar a ir mais devagar, levitar como véu de núpcias, branco como a fé, que cobre o leito rochoso...  

Barrias queda de água.jpg

E, por magia, na cascata, as águas param... e os peixinhos castanhos ficam ali, perante nós, olhando soçobrados ao instante de felicidade...

Onde, não importa quando, os raios de sol fintam as sombras da vida, cintilam como estrelas alegres para iluminarem o silêncio, apesar do chilrear garrido da Primavera que chegou! 

Bem-vinda sejas, de volta, bela Primavera!!!!

 

20
Mar23

Primavera és fonte, ventre de luz

Acorde de flauta, eterna salva…


Margaridas Parque de Vilar3.jpg

Ò Primavera, bem-vinda sejas, de volta…

Por onde andaste, tanto tempo, ausente?

Estiveste longe ou andaste perdida, à solta?

Pouco importa agora, voltaste bela, contente!

Flor trilho da levada.jpg

O Inverno já lá vai, do frio, dos dias petizes…

Ò Diva das margaridas, no regaço borboletas trazes

E prados viçosos, fofos, para os amores felizes…

Andorinhas do Sul voltaram, que bela arte fazes.

Maragarida parque de vilar 2.jpg

Os ribeiros estão alegres, nas cachoeiras cantas…

As cerejas vão nascer, para nos corar

Piqueniques no Gerês, arraiais até às tantas

No carvalhal chilreias, para todos encantar…

árvore inverno Melgaço II copiar.jpg

Primavera és nascente, ventre de luz, flor alva...

Rainha em cada recomeço, todos os anos, assim.

Sol e Lua saúdam-te, em acorde de flauta, eterna salva…

Sim, és  bela cegonha em voo de paz e amor, sem fim…

 

23
Abr22

Pontos de amarelo ouro

Sugando cada grão, sem pressa!


camélia com abelha 2022c.jpg

Hoje fui abelha ali, molhado, na flor branca quase neve…

Com volúpia, suguei todo o seu rico alimento.

Ousei ficar mais feliz, sobre aquela pétala breve…

Com graça ei-de voltar para saborear o doce momento!

 

Visitei aquele encanto, com perfume a felicidade…

Na camélia alva subtil, sugando cada grão sem pressa!

Generosa dádiva da natureza, com delicada vontade…

Pólen para sagrado mel, o milagre de adoçar a tristeza!

 

A flor da japoneira tem pontos de amarelo ouro!

É tão fofa, tão frágil, esta singela oferenda.

Tão atraente, é a vida, o mais belo tesouro…

Tê-la no meu colo foi sorte minha, tremenda!

 

22 abril de 2022

13
Abr22

Na Páscoa, os jarros da Zirinha eram tão belos…


jarro flor.jpg

Na minha memória, a Páscoa, nos idos anos 70 do século passado, era a fragância de flores dos tapetes coloridos nas estradas e caminhos que recebiam o Compasso, na aldeia...

 

Era o dia mais cheiroso do ano no meu lugar de Santo António, todas as primaveras, na idade da inocência.

Páscoa eram os asseios frenéticos da casa, dias antes, sob a batuta da minha mãe. Encerar o soalho da sala era tarefa dura, mas necessária, para aquele brilho e cheirinho especiais!

As idas à feira para comprar roupa e sapatos eram outro costume da época.

Páscoa era estarmos todos penteadinhos pela mamã, cheirosos com perfumes baratos, com camisa amarela de vastos colarinhos, calça vincada branca boca de sino e sapatos de verniz azul, tudo a estrear, como mandava o ritual, enquanto saboreávamos umas amêndoas cobertas de açúcar ou uns coelhinhos de chocolate.

Páscoa era, manhã cedo, ensonados ainda, receber o Compasso Pascal em casa, sonoramente anunciado, ao longe, pelos agudos das sinetas prateadas, que entravam felizes pela janela da sala, entre as cortinas tipo véu de noiva, balançando à brisa matinal.

Seguia-se o momento de beijar a imagem de Cristo, num crucifico adornado com flores pequeninas.

E o sorriso maroto para mim do senhor reitor, de vestes estranhas e dizeres impercetíveis, para a minha tenra idade.

Ele também nos salpicava com água, que a minha mãe dizia ser sagrada, mas só para os meninos bem-comportados, pensava eu, de mãos nos bolsos, a fazer figura, como os homens.

Lá em casa, a mesa da sala estava coberta por uma toalha branca, onde repousavam pequenos pratos tirados da cristaleira só naquele dia, com pedaços de pão-de-ló, doces brancos e muitas amêndoas. Também umas fatias de folar e cálices de vinho do Porto.

Por entre saudações calorosas e votos de saúde, oferecia-se aos mordomos do cortejo doces para saciar o apetite e metia-se um envelope branco num saco de pano trazido por um dos elementos mais jovens do grupo.

 

O azul do céu naquele dia era mais intenso do que nos outros domingos

 

As famílias, quase todas numerosas, saíam à porta das suas casas, impecavelmente limpas nas vésperas para receberem o Senhor, para saudar o singelo Compasso, exibindo colchas nas janelas e sacadas. Alguns lançavam pétalas de flores.

Os vizinhos conversavam, enquanto se ouviam nos céus os estrondos dos foguetes festivos lançados das redondezas do coreto, explicava o vizinho do lado.

Era uma atmosfera única, com os traquinas a correr para os campos, procurando as canas.

O azul do céu naquele dia era mais intenso do que nos outros domingos, dizia o meu pai, brincando. Os jarros da Zirinha eram tão belos no canteiro e os amores também.

Páscoa era ir depois ao padrinho Armindo, no velho Sinca 1100, do meu pai. Da rua D. João I trazia uma enorme rosca de trigo, que envergava ao pescoço, e uma nota de 100 escudos, com a imagem de Camilo e os seus bigodes, para o mealheiro, além da bênção e um saco de amêndoas de marca Vieira, bem saborosas.

No tasco do meu avô, onde éramos recebidos, a minha madrinha e tia Maria dizia, gargalhando sempre, que eu estava muito bonito e moreninho, e lá me dava uns rebuçados de café e um ovo de Páscoa, como bónus.

Nas ruas de Guimarães, cavalheiros engravatados engraxavam os sapatos à porta do café Milenário e meninos corriam alegres na calçada do Toural, entre as pombas que voavam sobre os jardins floridos e os bronzes altaneiros das igrejas barrocas da cidade-berço, badalando.

No caminho, de regresso, nas várias aldeias, íamos avistando outros compassos pascais que saudávamos com as mãos, a partir do carro, de vidros abertos.

Era muito bonito! Tantas sinetas tocando… Eu adorava e o meu pai também!

Páscoa era sentarmos à mesa ao almoço e comermos cabrito assado e arroz de forno, até não se poder mais.

Aqueles cheiros que da cozinha nos aguçavam o apetite e o meu pai sempre a chamar-me “Mindocas”, para me provocar uma risada de mimo. Sentava-me, à sua direita na mesa. À cabeceira, ele segurava por vezes a minha mão pequena. Ainda hoje sinto aquele toque quente!

E ainda vejo na mesa, em frente a mim, a minha mana com belas tranças e o meu mano mais novo desdentado, mas feliz, saboreando mais uma guloseima.

Páscoa era, à sobremesa, ter pão-de-ló tão fofo, doces brancos, leite-creme queimado sabendo a limão e poder provar um cheirinho de vinho do Porto Três Velhotes, o preferido lá em casa! Ah!!! Também havia pudim francês, para meu deleite.

Páscoa era alegria em família, o carinho do meu pai e o sorriso e a atenção da minha mãe, sempre muito bem arranjada.

Páscoa era, à tarde, sair ao largo para brincar com as crianças das redondezas, com mil cuidados para não estragar a roupa nova.

Jogar à bola estava expressamente proibido para não estragar os sapatos novos, que só voltaria a calçar aos domingos para ir à missa.

O jogo do lenço era um dos preferidos da pequenada. A macaca também, até ao lanche, com Sumol à mesa, bicas de pato e tantas amêndoas.

Páscoa era, ao fim da tarde, ir à igreja ver o recolher dos vários grupos de compassos pascais que tinham percorrido a terra, saudados pelos sinos a repique lá no alto da torre e por uma multidão de gentes alegres, como nós.

Quando éramos crianças, era tudo mais saboroso e mais cheiroso, e a Páscoa também, naquela e noutras primaveras!

Por estes dias de altos e baixos, recordo os meus queridos pais, ambos já na paz do Senhor, aos quais dedico este pequeno texto, agradecendo tudo o que de bom fizeram pelo “Mindocas” da casa lá de Pevidém: eu!

 

13 de abril

27
Mar22

Prados acordados, por magia, de novo!

Vestes de pétalas à brisa saltitando da alcofa


Hoje dei uns passos na aldeia, reencontrei velha amiga, a Primavera

Bela deusa com flores me presenteia

Amarelos viçosos e brancos mármore à espera

Prados acordados, por magia, de novo!

 

Esquilos ensonados espreitam para ver se a diva chegou…

Sim, ela, com cara de Vénus, ali levando cesto de calor e bonança para o povo

Cuco avisa a vizinhança que o Inverno já passou

Primeiro dia crescido do ano, que bom…

Mais horas para temperar o entardecer, com folha de louro

O sol deitou-se tarde, prometeu amanhās de bom tom…

Mas a levada vai quase vazia, o moinho teme pelo seu tesouro

A chuva de abril há-de cair

Gotículas mil para saciar a sede do regato

Porque a Primavera é fértil para os celeiros provir

O povo vai celebrar, com malhões na eira e presunto no prato

Nos atalhos do bosque, a terra já é fofa

Muros trajam musgos e hera

E há vestes de pétalas à brisa saltitando da alcofa

E o cheiro a mel ao vento, humm… valeu a espera!

Promaver na aldeia.jpg

Os dias longos vão aquecer

Os frutos vermelhos vão adoçar

Os ninhos com crias a crescer

E Cupido nos corações dos amantes vai tocar

 

Armindo Mendes, 27 de março de 2022

17
Mar22

Riacho que desconfia do fim

Em breve limbo de açucenas


Rio Jugueiros.jpg

Ao espelho fosco sou letargia

Olhos escuros, húmidos, parados

Brechas despidas de fantasia

Pensares por ora estagnados

 

Expressão frívola, sem luz, sim

No cantinho do costume

Riacho que desconfia do fim

À corrente do queixume

 

Que treme, acerca-se a cachoeira

É pequena, mas receia cair

Esconde-se na trincheira

Leito onde nada, imóvel, para fugir

 

Espelho: “Que pessoa és?

Braços tombados, olhar vazio?

Agarrado ao cabo com os pés?

Retorcido, sem ganas de porfio?

 

… Vai, deixa-te ir na corrente…

É calma, sem Adamastor, vais ver.

Dobrarás talvez pungente

Mas, se ousares, boiarás para viver.

 

Senta-te na folha de outono, navega!

Segue nas águas de vagas serenas

Inspira, vê a natureza sôfrega

Verás em breve limbo de açucenas

 

Olharás o céu desnudar-se, inspira

Invernos idos de lareira arrefecem

Mas abril da utopia desabrochará

julhos dos calores, sim, florescem!

 

 17 março de 2022

 

 

26
Fev22

Muros de dourado xisto!


flor de amendoeira por do sol.jpg

Que delícia, querer muito deter o tempo, profundo…

Aguarela do iluminismo, com cheiro e tudo!

Pintar este cantinho do mundo…

Sei não poder, mas esforço-me, sem dor alguma, contudo!

 

Sôfrego, por agarrá-lo!

Tonto, meto a cabeça entre os ramos…

Para me perder em volúpia de regalos!

Os sentidos, arrepiados, desfrutam, sonhamos…

 

Qual pintor na tela que pincela com fervor!

Na colina à beira da estrada, debaixo da amendoeira…

De joelhos, ergo olhos e alma para céu mágico, em fervor.

Prenúncio, Primavera, azul de firmamento, como na vez primeira.

 

Paleta de cores em aguarela.

Que contraste com a candura das flores brancas, singelas.

Que dançam à brisa, valsa de violinos, como à janela.

Apetece tocar, com delicadeza, na cara rosada delas!

 

Como as cordas do instrumento, afagá-las, com jeitinho…

Para não magoar imensa dádiva da mãe-natureza.

Tê-las na palma das mãos, com tanto carinho!

 

Fazermos parte daquele mundo, em devaneio até ao ocaso,

Sinfonia em murmúrios ressoa no horizonte breve!

Olhar cintila, banqueteia-se, embriaga-se neste compasso!

Como flauta andina em deriva nas florzinhas de pétalas de neve.

 

Açucaradas, elas, pontos de amarelo-torrado, rosa ou tons de mel.

Abrir alas para as obreiras, como liras, com zumbidos atarefados.

Do pólen extraem, acentuam a fragância, perfume floral

Sim, mel de Olimpo, para adocicar os anjos feitos fados.

 

Sobre o vale da Vilariça ou paredes-meias com o Coa das gravuras.

Que olhos pasmam, ao lado do pachorrento do Sabor.

Rios milenares de mineiros, fios de azeite, néctares de Baco, formusuras.

E das castanhas para magustos de outono, tanto calor!

 

É incrivelmente retemperador correr aqui como caracol,

Entre amendoeiras em flor, subir à rocha para a fotografia,

Neste clímax sazonal da natureza humanizada, sob tanto sol.

Calçadas medievais com muros de dourado xisto que havia…

 

Que acentuam bermas pintadas pelas árvores, em alamedas,

Com vestes brancas sem fim, carregadas de frutos secos, cobiçados…

Que saboreamos, às vezes, sem culpa, na Torre do Relógio, em Meda…

Passarada, sem saber, canta para ouvidos deleitados…

 

Rituais de acasalamento, que belo concerto, de tantos sopros…

Com o Douro azul, qual Danúbio, escarpado, ao fundo, no horizonte.

Breve brisa de inverno, às portas de castelos, ruínas de aldeias sem corpos,

Peito aberto, à espera de tudo, mergulhar nos bosques de cada monte.

 

O fim de tarde chegou, com a pressa dos dias petizes.

Segundo movimento da sinfonia: o pôr do sol, cor de citrino…

Atrás das encumeadas, nuvens imitam amendoeiras felizes.

Para ficarem mais sublimes, de tons dourados, um hino.

 

Efémeros é certo, mas belos que as óticas dos homens ousam registar, sem sucesso!

A noite caiu, à espera de nova aurora neste cénico mundo!

Natureza e sabedoria milenar dos Homens bons de Trás-os-Montes que nem conheço!

Forasteiros, perante quadro de belezas, somos gratos, em gesto fundo!

 

Tanto que estas letras parvas não conseguem alcançar.

Só a alma, como o luar de Torre de Moncorvo e os nossos antepassados do Coa…

Souberam sentir e guardar no coração, numa pétala de flor de amendoeira ao ar

Ou num esboço paleolítico, no xisto, traçado, sem voz, ecoa!

 

26 fev 2022

07
Fev22

Prenúncio da Primavera


Chamaram-lhe “Trilho dos Castanheiros”, em Amarante, na margem esquerda do Tâmega – vários quilómetros de deleite para os sentidos (paisagens lindas, para os olhos, o tagarelar polifónico da passarada e o borbulhar nos açudes, para os ouvidos, e mil e uma fragâncias dos bosques das redondezas, – mas, por estes dias, quem mais ordena, são as mimosas, com o seu tom amarelo exuberante ao pôr do sol e aquele cheirinho, prenúncio da Primavera, que convida o nosso ser a contemplar, com volúpia, num banco de madeira à beira rio, cada fim de tarde deste fevereiro chorão e solarengo, mas frio, com vontade de tornar a saborear as vistas da Princesa do Tâmega, que se aconchega num peito de alma grande!

Trilhos dos Castanheiros com mimosas.jpg

06
Fev22

Num porta-joias flor-de-lis


Que surpreendente e belo cantinho para contemplarmos cada nuance da natureza que o Homem quer preservar!

Que belo casamento entre a mãe-Natureza o pai-Homem, unidos num só, belo quadro que se espraia no espelho de água do Tâmega refletindo o céu borrifado de ouro e as mimosas, de pequenos botões, que apetecer tatear, cheirar, levar para casa e guardar, em segredo, num porta-joias aveludado, de azul-marinho, que reabriremos para vermos os tons perfumados da flor-de-lis com sotaque a Versailles deixado pelas invasões.

Amarante proporciona estes antros para nos arrepiar a alma, olharmos o horizonte e vermos os traços no éter quase boreal.

Caminhar ali é tão especial quanto o ar fresco que nos esfria o semblante, mas que nos impele para irmos além daquela curva e perceber o que se oculta lá.

FOTO: Armindo Mendes

Trilhos dos Castanheiros miradouro.jpg

 

 

 

30
Ago21

Seu amarelo primavera vai partir e enrugado ficar


Flor sol.jpg

O que é a flor-sol que ali vejo tão singela?

Será que ela se abre para beijar os olhos pretos?

Será aquela beleza tão frágil perfume de lapela?

Ou será para o mel moreno de segredos abertos?

 

 

A flor balanceia ao vento das auroras?

Sim, ela sabe que é efémera na luz que candeia.

A flor-sol sente-se estrela por dias e especial por horas.

Bela ela é como uma dama que ao espelho se penteia.

 

 

Sem abelhas, as gotas da chuva, uma e outra, em destino perfeito!

A flor da forma do sol sabe que o seu alvéolo de beleza está no fim.

O seu amarelo-ouro vai partir e enrugado ficar sem jeito.

Cabisbaixa, vai agasalhar-se, como inverno no reino das terras carmesim.

 

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