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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

28
Set21

Editorial Expresso de Felgueiras: Para memória futura! (28 set 2021)


Armindo Mendes

 

Sim Acredita uma cópia.jpg

Para memória futura há de ficar a postura absolutamente equidistante do Expresso de Felgueiras, mais uma vez, no processo eleitoral autárquico que terminou no passado domingo, deixando, como se impunha, o combate político para os partidos e coligações que se apresentaram a sufrágio e promovendo o debate das ideias e dos projetos.

 

Para memória futura, honrando o passado deste projeto, o nosso compromisso de nos mantermos iguais a nós próprios, como no dia 31 de março de 2006, quando “nascemos”.

 

Para memória futura ficarão os resultados históricos, sem paralelo em Felgueiras, alcançados pela candidatura Sim Acredita, liderada por Nuno Fonseca e seus pares.

 

Para memória futura ficará a derrota colossal sofrida pelo PSD que deixará marcas profundas num partido de poder que há não muitos anos era hegemónico em termos autárquicos no concelho. Um PSD fraco significará uma oposição fraca e isso é mau até para o poder!

 

Para memória futura, o vendaval de votos que varreu os social-democratas de quase todas as juntas de freguesia.

 

Autarcas de freguesia saltitantes

 

Para memória futura o sinal negativo deixado, de novo, por certos presidentes de junta que vão dançando consoante as aragens do poder rosa, laranja ou de outras cores, saltando de partido em partido, como quem muda de camisa. São culpados os autarcas de freguesia saltitantes, mas também os sucessivos poderes na câmara, de várias cores, que não resistem à tentação de “controlar” os poderes nas freguesias.

 

Para memória futura, o veredito da maioria dos felgueirenses, que votou maciçamente no modelo de governação municipal liderado por Nuno Fonseca e o civismo com que decorreu a ida às urnas e as reações aos resultados de vencedores e vencidos, traduzindo a maturidade política que se vai observando em Felgueiras.

 

Para memória futura, o sinal de preocupação que a expressão esmagadora dos resultados para a câmara, assembleia municipal e juntas de freguesia pode significar em matéria de pluralismo político e expressão das diferentes visões no concelho.

 

Sobranceria do poder?

 

Para memória futura ficarão os sinais de certa sobranceria que o poder e alguns dos seus protagonistas em Felgueiras, ainda que não todos, foram deixando, muito tempo antes das eleições de domingo, em relação a certos órgãos de comunicação social do concelho, inclusive o Expresso de Felgueiras. Que esses sinais não assumam outra dimensão é a nossa expetativa em ordem a manter a normal relação institucional entre o poder político e o “poder” da imprensa.

 

Para memória futura ficará o compromisso deste projeto editorial, enquanto órgão de comunicação social, no sentido de, como no passado com Fátima Felgueiras, Inácio Ribeiro e Nuno Fonseca, se manter plural, atento e crítico a eventuais excessos, que não se desejam, que este ou outro qualquer poder circunstancial possa sentir-se tentado a protagonizar, porventura em consequência de um deslumbramento com os resultados eleitorais, como tantas vezes ocorreu com os políticos, inclusive em Felgueiras e noutras paragens próximas.

 

Abertura à sociedade civil

 

Para memória futura, por fim, mas relevante para nós, o propósito de nos mantermos abertos à sociedade civil, com novos conteúdos multimédia e outras formas de comunicar, para promoção e divulgação dos projetos e atividades no concelho, significando isto que a atualidade política e autárquica é apenas, note-se, um dos vários contextos sobre os quais o Expresso de Felgueiras se propõe continuar a trabalhar sob ponto de vista editorial, respeitando o primado do serviço público que nos norteia desde o início.

Armindo Mendes / Diretor do Expresso de Felgueiras

 

18
Out13

PS maioritário nas câmaras no Tâmega e Sousa, mas com menos votos que o PSD


Armindo Mendes

Redação, 18 out (Lusa) - Os novos executivos municipais do Tâmega e Sousa saídos das últimas autárquicas vão permitir ao PS ser o partido com mais câmaras na região, apesar de ter obtido menos 12.301 votos do que o PSD.

Com seis autarquias conquistadas nas eleições de 29 de setembro (Lousada, Paços de Ferreira, Baião, Resende, Cinfães e Castelo de Paiva), o que corresponde a um total de 101.840 votos, o PS deverá assumir a presidência da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.

Os eleitos para os 11 executivos vão tomar posse nos próximos dias. Os atos formais começam esta sexta-feira à noite em Celorico de Basto, prosseguem no sábado em Felgueiras, Baião e Marco, continuam no domingo em Amarante, na segunda-feira em Paredes e Resende, na terça-feira em Penafiel, na quarta-feira em Paços de Ferreira, terminando na quinta-feira em Cinfães.

Com maiores expetativas são aguardadas as posses nos concelhos de Amarante e Paços de Ferreira, onde houve mudanças na cor partidária que conduzirá os respetivos executivos.

Em Amarante, assumirá a presidência o social-democrata José Luís Gaspar, após o resultado que afastou os socialistas de uma câmara que lideravam desde as autárquicas de 1989, então com Francisco Assis.

Em Paços de Ferreira, vai tomar posse o socialista Humberto Brito. Aquela autarquia era governada pelo PSD há vários mandatos.

Nas eleições de 29 de setembro, no conjunto da região, o PSD foi o partido mais votado, com 114.141 votos, mas apenas conquistou cinco câmaras (Felgueiras, Penafiel, Celorico de Basto, Amarante e Marco de Canaveses).

O facto de o PSD, com menos câmaras, ter sido mais votado do que o PS explica-se com a maior dimensão demográfica dos concelhos onde os sociais-democratas saíram vencedores.

Em termos de mandatos nos executivos (presidentes acrescidos de vereadores), verifica-se um empate a 39.

Este resultado afasta, pela primeira vez, os sociais-democratas da liderança do órgão executivo da comunidade intermunicipal.

Para este desfecho contribui a recente mudança de Paredes para a Área Metropolitana do Porto. Se aquele concelho, conquistado pelo PSD, se mantivesse no Tâmega e Sousa verificar-se-ia um empate.

No anterior mandato, os dois partidos empataram em número de câmaras, questão que foi resolvida com o PSD a presidir aos destinos da comunidade intermunicipal nos primeiros dois anos, através de Alberto Santos (Penafiel), e o PS nos seguintes, com Jorge Magalhães (Lousada).

No conjunto dos 11 municípios, mais nenhum partido conseguiu eleger representantes nos executivos. Contudo, em Amarante o independente Pedro Barros foi eleito vereador, numa autarquia liderada pelo PSD, mas com o mesmo número de mandatos do PS (4).

No Marco de Canaveses, a lista independente liderada por Avelino Ferreira Torres conseguiu eleger dois mandatos para o executivo liderado, com maioria absoluta, pelo social-democrata Manuel Moreira.

 

APM.

Lusa/fim.

 

In "Tâmega Online"

30
Set13

Autárquicas 2013: noite de emoções fortes!


Armindo Mendes

No Tâmega e Sousa, viveu-se uma noite de emoções fortes, com mudanças autárquicas concretizadas em Amarante e Paços de Ferreira e “quase” mudanças em Paredes e Lousada.

Foi uma noite especial em que os corações de tanta gente bateram muito forte, sobretudo nos concelhos com votações mais apertadas.

Feitas as contas, houve explosões de alegria e lágrimas em Amarante e Paços, onde aconteceram as viragens.

Em Paredes, houve um terramoto, mas Celso Ferreira segurou-se no limite, por pouco mais de 70 votos. Contudo, em quatro anos, o PSD perdeu naquele concelho 11.000 votos!

O que se passou? O tempo responderá!

Em Paços, caiu, sem surpresa (?), o presidente dos Autarcas Sociais-Democratas (ASD), Pedro Pinto, “vítima” por ter um concelho onde a água custa muito dinheiro.

No resto da região, quase tudo na mesma, com o resultado de Baião a destacar-se.

Carneiro teve ali mais de 71%, a votação mais expressiva do distrito do Porto.

Também em Felgueiras, Inácio Ribeiro (PSD) alcançou um resultado histórico, com 58,3%, reforçando a maioria absoluta.

Em Celorico, Joaquim Mota e Silva, que tinha sido eleito há quatro anos pela primeira vez, alcançou agora um resultado extraordinário: quase 65%! O resultado mais expressivo do distrito de Braga.

Volvidas as eleições, cumpridas as regras, seja bem-vinda a alternância, catalisada agora pela lei da limitação dos mandatos.

Boa sorte aos estreantes e continuação de bom trabalho aos que viram renovado o seu mandato.

Desde 1993 que assisto a estas mudanças. Desde essas saudosas eleições, já todos os concelhos mudaram de presidentes de câmara!

E desta vez caíram os últimos “dinossauros”: Armindo Abreu, em Amarante, e Jorge Magalhães em Lousada, que estavam no poder desde 1995, o primeiro, e 1990, o segundo.

Os dois não se puderam recandidatar. O sucessor em Amarante, Dinis Mesquita, perdeu, mas o sucessor em Lousada, Pedro Machado, venceu.

É assim a democracia!

Uns saem, outros entram. Ideias novas, caras novas, quase sempre para bem dos munícipes. O povo é soberano.

Desta vez, na presidência, vão estrear-se Pedro Machado (PS), em Lousada, José Luís Gaspar (PSD) em Amarante, Humberto Brito (PS) em Paços de Ferreira e Antonino Sousa (PSD/CDS), em Penafiel. São todos ainda relativamente jovens e têm muito para dar aos seus concelhos.

Como jornalista na região há mais de duas décadas, desejo boa sorte a todos.

Vamos (continuar a) trabalhar todos juntos, no respeito escrupuloso das competências e atribuições de uns e de outros, para bem do Tâmega e Sousa!

 

18
Jul13

Atingir o fim supremo: manter o poder, mesmo que à custa de tanta coisa!


Armindo Mendes

Não sou do que notam que a política é a culpada de quase todas as maleitas que afetam o país.

Também não me revejo naqueles que, de crítica fácil, nas redes sociais e noutros fóruns, disparam contra os políticos, responsabilizando-os por tantas coisas e julgando-os todos iguais.

Os políticos, enquanto classe, não serão mais do que o reflexo da sociedade latina como a nossa, como um todo, que é suposto representarem, porventura com mais defeitos do que virtudes.

A crítica de uns quantos devia ser precedida de um exercício de humilde autocrítica, sobretudo olhando para trás e apreendendo e interpretando o percurso de cada um.

Numa sociedade onde tanta coisa corre menos bem, não exclusivamente por culpa dos políticos, mas também como razão direta do défice do exercício da cidadania, traduzido na apatia em cada um de nós, a postura censurável daquela classe, à luz de valores universais, sobressaí em relação às demais, porque o exercício do poder embaraça o bom senso e exponencia defeitos. Ademais, propicia o legítimo escrutínio por parte dos mecanismos democráticos.

Conheço vários casos em que, observando percursos, se percebe que o poder vicia, o poder catalisa o lado obscuro de algumas personalidades menos bem dotadas de valores mais altos, que se enredam em comportamentos pouco congruentes, que só aparentemente tendem a fortalecer a liderança.

Por ser viciante, criando dependências a tantos níveis, até imateriais, que são os mais graves, alguns políticos são pródigos nas incoerências, norteando análises conjunturais e consequentes decisões em princípios meramente taticistas, que mais não visam do que atingir o fim supremo pela via mais fácil: manter o poder, mesmo que à custa de tanta coisa transcendente.

Essa é, confesso, a característica que mais censuro nalguns protagonistas na classe política.

Mas também reconheço que a falta de coerência, movida por interesses nem sempre legítimos, não é, de todo, um comportamento exclusivo da classe política, não faltando por aí exemplos que conhecemos nas nossas vidas de cidadãos comuns!

27
Jun13

A dita “greve geral” passa ao lado dos trabalhadores do setor privado


Armindo Mendes

A greve, dita “geral”, de hoje, evidencia, uma vez mais, o que há muito se sabe: este país tem duas realidades bem distintas e inteligíveis no mundo laboral: cidadãos que trabalham para o Estado ou para o setor empresarial estatal, que aderem quase sempre em grande número a estas paralisações, e os trabalhadores do setor privado que, em regra, aderem pouquíssimo a estas greves.

Basta percorrer, hoje, os concelhos industrializados do Vale do Sousa para se demonstrar aquela observação:

As repartições públicas e outros serviços de Estado estão quase todos parados devido à greve, enquanto os milhares de funcionários da indústria, comércio e serviços da região estão, obviamente, a trabalhar, passando ao lado desta pretensa “greve geral”. É um dia normalíssimo.

Esta aparente desconformidade acaba por ser, numa primeira e superficial análise, algo contraditória, porque se sabe que, em regra, a maioria dos trabalhadores do Estado tem melhores condições remuneratórias, horários e outros direitos que os do privado ligados àprodução de artigos transacionáveis. Seriam, portanto, os trabalhadores do privado que, em protesto com essas desigualdades, mais motivações teriam para aderir à dita greve. Mas tal não ocorre. Porque será?

Não vale a pena aventar com grandes teorias para explicar a situação!

O senso comum responde de forma clara: Obviamente, que, apesar de todas as recentes medidas que têm penalizado sobretudo os trabalhadores da administração pública, precarizando os seus vínculos e enfraquecendo as suas remunerações, ainda são esses que gozam de mais estabilidade laboral, que lhes confere uma segurança para aderir à greve que os do privado, por conhecerem o patrão, nem ousam experimentar.

Que eu saiba, os números de desemprego dramáticos que o país hoje apresenta decorrem, na sua esmagadora maioria, da perda de postos de trabalho do setor privado, o primeiro, há vários anos, a sofrer com o dito "ajustamento", que só mais recentemente chegou à administração pública.

Obviamente, dirão alguns, esta é uma análise simplista, que aborda apenas parte da matéria, embora, no meu ponto de vista, a mais proeminente, havendo outros fatores que concorrem para a dita diferença de atitude de “uns” e de “outros” face às greves.

Mas esses ficarão para futuras dissertações.

13
Jan13

Desinvestimento na rede ferroviária foi um erro estratégico nacional


Armindo Mendes

Dói a alma observar a degradação deste edifício da antiga estação de Gatão, em Amarante, na desativada Linha do Tâmega, que ligava o Marco de Canaveses a Arco de Baúlhe, passando por Amarante e Celorico de Basto.

Este, como outros edifícios abandonados da antiga infraestrutura ferroviária portuguesa, são a marca indelével das opções estratégicas erradas tomadas nos anos oitenta e noventa do século passado.

Os governos de então, desprovidos de uma visão acertada de futuro, desinvestiram na rede ferroviária portuguesa, votando-a ao mais completo abandono e condenando-a ao declínio que mais tarde degenerou no encerramento, de nada valendo os protestos das populações prejudicadas.

Os decisores políticos de então, no Terreiro do Paço, extasiados pela moda do betão e das autoestradas, cometeram um erro grave ao não perceberem a importância económica, ambiental e até social do transporte ferroviário.

Ao desinvestir naquela infraestrutura, que servia quase todo o país, muito em especial o interior profundo, em contraciclo com o que se fazia no resto da Europa, a tutela delapidou um elemento estruturante para o desenvolvimento de tantas localidades, introduzindo mais um fator que concorreu para a fuga da população e a desertificação de vastas áreas outrora servidas pelo caminho-de-ferro e de repente privadas de um meio barato de transporte de pessoas e mercadorias. Cidades como Bragança, Mirandela, Vila Real, Chaves, Fafe e até Amarante, que cresceram durante décadas, em parte, à sombra do comboio, ainda hoje, volvidas várias décadas, não se recompuseram dos impactos negativos da perda do transporte ferroviário.

Não tenho dúvidas que, se tivessem sido feitos, em tempo útil, os investimentos de modernização que se impunham nas linhas, os comboios, porque mais baratos e eficazes, continuariam a ser procurados pelas pessoas.

Teríamos hoje, por conseguinte, uma rede ferroviária nacional competitiva e adequada às necessidades, que contribuiria para um Portugal mais competitivo, menos desigual, com um interior forte, dotado de infraestruturas de transportes competitivas e por isso preparado para resistir melhor da força "centrifugadora" das grandes cidades.

18
Dez12

Capital cresce cada vez mais à sobra da gigantesca máquina do Estado


Armindo Mendes

Sou nortenho e portista, mas gosto de Lisboa, cidade, a capital de todos os portugueses. Mas censuro a macrocefalia da capital que tudo vai esmagando no resto do território do pequeno retângulo Lusitano que alguns, de horizontes que não passam de Vila Franca, denominam “província”.

O que se anuncia agora para a RTP Porto deixa-me, como nortenho, como português que ama o seu país como um todo, inconformado.

Foram-se as sedes de grandes empresas, foi-se a bolsa de valores, foram-se os grandes bancos, foi-se o “nosso” salão automóvel”, foram-se os grandes jornais, foram-se os grandes espetáculos e os grandes teatros. E agora vai-se grande parte do que restava: a RTP.

E assim se vão acentuando as assimetrias entre o norte, onde já só restam as indústrias exportadoras que alavancam a economia do país em tempo de crise, e uma capital sobranceira que cresce cada vez mais à sobra da gigantesca máquina do Estado que asfixia os recursos do país real.

24
Jul12

A riqueza do Tâmega e Sousa é a aposta na qualificação do seu maior ativo: os jovens


Armindo Mendes

A região do Tâmega e Sousa, no interior do distrito do Porto, é a mais jovem do país e também a que, com visão de futuro, mais investe em políticas educativas, acentuando o seu maior ativo, a juventude. A aposta no saber é consensual neste território com mais de meio milhão de habitantes, derrubando diferenças político-partidárias dos diferentes municípios.  

De Baião a Paredes, do Tâmega mais rural ao Sousa mais industrializado, fecham escolas velhas, caducas, e abrem modernos centros escolares preparados para os novos paradigmas da formação integrada.

O retorno desta aposta deverá fazer-se sentir, também no plano da produtividade, dentro de alguns anos, catapultando este território para um nível de qualificação que estará, com certeza, entre os melhores à escala nacional. Ao tradicional empreendedorismo desta região juntar-se-á, dentro de alguns anos, uma qualificação ímpar em termos nacionais.

Face aos investimentos avultados realizados ou ainda em curso na requalificação de centenas de escolas, estão reunidas algumas das condições fundamentais para que os jovens de hoje, do Tâmega e Sousa, assimilem competências que contribuirão para alavancar o desenvolvimento da região dentro de uma ou duas décadas.

O caminho ainda é longo e difícil, mas a primeira etapa já foi ultrapassada com distinção: O Tâmega e Sousa já não é a região conhecida pelas elevadas taxas de abandono precoce da escola.

Hoje a região é vista como um exemplo de inovação e trabalho, onde vale a pena investir na inteligência e no saber.

Os que acompanham estas matérias já interiorizaram que estamos perante um processo catalisador do desenvolvimento da região na ótica das gerações vindouras.

O país vai perceber isso.

17
Jun12

Vitória de Carneiro na Federação do PS Porto também é uma vitória do Porto Interior


Armindo Mendes

A vitória de ontem de José Luís Carneiro nas eleições para a Federação do Porto do PS constitui um momento marcante para a região do Tâmega e Sousa, que vê um dos seus destacados autarcas liderar uma das maiores e mais influentes estruturas partidárias do país.


O autarca de Baião vai ser, com certeza, naquele órgão do PS, uma voz ativa na defesa dos interesses do distrito do Porto, nunca esquecendo a importância e a especificidade do Vale do Sousa e do baixo Tâmega.


O interior do distrito é, há décadas, tratado como de uma forma “menor” pelas estruturas distritais dos dois grandes partidos. Apesar de o Vale do Sousa e o Baixo Tâmega terem quase tanto peso demográfico como a Área Metropolitana do Porto, nunca essa importância foi plasmada na atuação política dos dirigentes distritais.


Há muito que esta região não vê traduzida a sua importância demográfica e económica na atenção que os decisores políticos distritais e nacionais, de todas as cores partidárias, a ela consagram.


Os dirigentes e governantes socialistas e sociais-democratas, cronicamente, nunca se esquecem de se deslocar ao Vale do Sousa e ao Baixo Tâmega quando a palavra de ordem é, em tempos de eleições, assegurar os votos dos mais de 500 mil habitantes da região. Porém, depois, no exercício dos seus cargos, esquecem-se rapidamente da relevância deste território que tanto contribui para a riqueza nacional.

 
A título de exemplo, repare-se na recente proposta de reforma do mapa judiciário que não prevê para todo este território um único tribunal relevante.
Mas a culpa também é de muitos dos “nossos” políticos da região, porque, quase sempre, quando ascendem a cargos influentes em termos regionais ou nacionais, são acometidos de uma curiosa amnésia relativamente aos que os elegeram.


Não faltam por aí exemplos desses, curiosamente, alguns ainda, idolatrados nos seus concelhos!


Recentemente, o Vale do Sousa viu outro dos seus autarcas ser distinguido com um cargo prestigiado. Trata-se de Pedro Pinto, de Paços de Ferreira, que assumiu a liderança nacional dos Autarcas Sociais-Democratas.


Pedro Pinto e José Luís Carneiro têm uma oportunidade única de, cada um na especificidade dos cargos que ocupam, poderem defender para a região no contexto do país um tratamento, não de privilégio, mas de justiça.


Se o interior do distrito do Porto (Vale do Sousa e o Baixo Tâmega) tem sido, mais uma vez, com o dinamismo das suas indústrias, uma locomotiva para a recuperação das exportações do país, impõe-se, sem molezas, que os responsáveis políticos desta região exijam do Terreiro do Paço e dos seus “tentáculos” mais atenção às especificidades deste território, que é o terceiro do país em número de habitantes, logo atrás das duas áreas metropolitanas.

15
Abr12

Muitas juntas de freguesia do concelho vão cair com a reforma do poder local


Armindo Mendes

O concelho de Felgueiras pode, no “melhor” dos cenários, perder metade das autarquias de freguesia se a reforma administrativa ao nível do poder local for por diante, como pretende o Governo.


Se for cumprido o espírito da legislação que se encontra em apreciação na Assembleia da República, Felgueiras passará das atuais 32 freguesias para um número que pode chegar às 15 ou 16, consoante a aplicação mais ou menos rigorosa dos critérios de agregação.


Segundo os indicadores do INE, Felgueiras é um concelho de nível 1, porque tem mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado.


Segundo a proposta do Governo, neste caso, as freguesias urbanas a criar, em sede do concelho, terão de ter pelo menos 20 mil habitantes. Em Felgueiras, Margaride, que não chega aos 10.000 habitantes, para reunir esse critério, terá de se agregar com outras freguesias contíguas, num raio de aproximadamente três quilómetros.


A fusão de Margaride com Várzea, Varziela, Moure, Friande e eventualmente Pombeiro poderá ser o cenário em equação.
Em tese, portanto, nenhuma das atuais freguesias de Felgueiras poderá continuar como se encontra atualmente, isolada, sendo todas obrigadas a encetar um processo de agregação.


Até julho, a Assembleia Municipal deverá ter de se pronunciar sobre a proposta de agregação.


Caso não haja acordo, caberá à Assembleia da República, através de um grupo técnico, decidir sobre a matéria.


Prevê-se que as próximas eleições autárquicas, em 2013, já se realizem com base no mapa autárquico que sair desta reforma.


Até há pouco, todas as freguesias do concelho, com exceção da situação já referida da sede do município, teriam de se agregar para perfazerem cinco mil habitantes, por se encontrarem em zonas predominantemente urbanas.

 

Feitas as contas, significaria que o concelho passaria a ter, apenas, entre oito e 10 freguesias.


Contudo, uma recente reclassificação do INE admite que algumas das freguesias mais pequenas de Felgueiras e de outros concelhos sejam consideradas rurais, o que, em termos de critérios de agregação, poderão baixar para os 3.000 habitantes. Ora, na prática, poderá agora haver condições para criar freguesias com aquele universo populacional, quando até há pouco o mínimo exigido era 5.000 habitantes.

Outra alteração recentemente introduzida, na sequência das pressões exercidas nomeadamente pela ANAFRE, prevê uma tolerância de 20 por cento face aos critérios da lei, o que, por certo, dará azo a muitas e complexas contas até se encontrar um mapa definitivo.

 

Felgueiras ficaria muito bem com apenas oito ou nove freguesias

 


Bem sei que a extinção de juntas de freguesia preocupa muitos autarcas, mas concordo com a agregação desse tipo de autarquias, nomeadamente num um concelho territorialmente tão pequeno quanto o nosso.


Trinta e duas freguesias numa área tão pequena é manifestamente um exagero, ao ponto de algumas sedes de junta distarem poucas centenas de metros umas das outras. E a pequenez traduz-se em recursos financeiros que não dão para quase nada.


Há muito que discordo da lógica de se multiplicarem equipamentos similares, de diferentes naturezas, em freguesias contíguas, conduzindo à multiplicação de gastos de dinheiros públicos e uma subutilização das infraestruturas.


Isso só acontece, bem se sabe, porque prevalecem os bairrismos, a política anacrónica de paróquia e até alguns egos de pessoas que, enfileirados nos partidos, não abdicam dos seus pequenos poderes.


Dar mais escala territorial e populacional a estas autarquias vai, com certeza, traduzir-se em mais competências e meios financeiros e logísticos para servir melhor as populações, acabando-se, de uma vez por todas, com a manifesta incapacidade das juntas em diferentes domínios, que decorre da sua pequenez.


Note-se que as novas freguesias passarão a poder contar com presidentes de junta a tempo inteiro, remunerados com dignidade, para poderem zelar, com maior disponibilidade, pelos interesses das populações.


Acabar com o presidente de junta "de mão estendida" na câmara

 

Além disso, uma nova escala, poderá dignificar e potenciar a capacidade de reivindicação das novas freguesias junto do poder municipal, esbatendo a imagem do “pequeno” presidente de junta, representando um reduzido número de eleitores, de mão estendida, na câmara, a pedir umas “esmolas” para fazer uns muros ou pavimentar 50 metros de caminho na sua freguesia.


Ao contrário da demagogia e populismo que por aí se vai ouvindo, a agregação administrativa de freguesias não comprometerá a identidade de cada munícipe, que continuará a pertencer às freguesias a que sempre pertenceu. O que vai desaparecer, em alguns casos, é o órgão administrativo, substituído por outro semelhante, afastado três ou quatro quilómetros, mas com mais recursos e por isso capaz de servir melhor a população.


Felgueiras só teria a ganhar se optasse pelo modelo mais maximalista de agregação de freguesia, enveredando pela criação de oito unidades, facilitando a gestão administrativa do concelho o potenciando os parcos recursos financeiros.


O mapa era fácil de determinar, bastando o bom senso de dar corpo administrativo aos diferentes polos geográficos que já estão definidos no concelho e que, grosso modo, respeitam os critérios exigidos pela reforma.


Além do já referido núcleo de freguesias em torno de Margaride, emergiria o da Lixa, congregando as freguesias de Vila Cova, Borba de Godim, Macieira, Caramos e eventualmente Santão.


Depois formar-se-ia outro núcleo de freguesias agregando Sendim, Jugueiros e Pinheiro.


Os polos urbanos de Airães, Barrosas, Longra dariam, naturalmente, origem a mais três grandes freguesias.

Restaria uma freguesia para o Vale do Vizela e outra congregando eventualmente o polo mais industrializado do concelho, por isso com uma identidade muito própria, compreendendo, por exemplo, Lagares, Torrados e Sousa.

Obviamente que haverá algumas das atuais freguesias, em pontos de partilha entre os diferentes núcleos, que poderiam “saltar” para um lado ou para o outro em função do entendimento a que se vier a chegar no processo negocial em curso.
Desta organização sobressairiam enormes vantagens, sobretudo as que decorrem de uma escala maior que permitiria uma programação de investimentos mais eficaz.


Obviamente que cairiam muitos cargos, muitas remunerações e provocaria um terremoto político no concelho de consequências imprevisíveis, sobretudo nos aparelhos dos dois principais partidos, tão habituados à “contabilidade das capelinhas” e à gestão de equilíbrios de longa data que poderão, num ápice, desmoronar…


Por isso, o nervosismo miudinho que se sente em alguns autarcas e nos aparelhos dos partidos, ainda atordoados com o que pode acontecer.


Mas sobre isso dissertaremos uma futura oportunidade.

23
Mar12

A agressão ao jornalista da Lusa e a sobranceria de alguns agentes policiais


Armindo Mendes

A agressão de que foi ontem vítima, em Lisboa, um fotojornalista da LUSA deixa-nos a todos preocupados e inquietos.


É absolutamente lamentável, condenável e sem desculpa, que agentes de autoridade tenham estes comportamentos para com quem está, apenas, a fazer o seu trabalho, devidamente identificado e cumprindo o que determina a lei.


Esta foi uma situação extrema, mas recordo que, não raras vezes, nós, jornalistas, em trabalho de reportagem, no terreno, somos confrontados com situações de intolerância, que roçam até a sobranceria, de alguns agentes policiais, que, do alto da sua “farda”, são pouco sensíveis à natureza do nosso trabalho. Sobretudo à necessidade que temos de nos aproximarmos do acontecimento para levarmos ao mundo, com rigor e profissionalismo, o que se vai passando em cada momento.


Uns, os jornalistas, e outros, os polícias, pela natureza das respetivas funções, são absolutamente necessários ao bom e regular funcionamento do Estado de direito.


Impõe-se, por isso, sem tibiezas, o respeito recíproco.


O primado da liberdade de expressão e da liberdade de informar jamais poderá ser posto em causa por quem quer que seja, sob pena de, quem o induzir ou fizer, estar a contribuir para a distorção grosseira do equilíbrio dos diferentes poderes que é a essência da nossa democracia.
Aquelas imagens de ontem recordam-nos tempos negros e idos do nosso Portugal, contra os quais tantos se bateram.

 
Isso é inadmissível.

16
Mar12

Candidatura de Fátima Felgueiras à Câmara de Felgueiras? Mantém-se o tabu…


Armindo Mendes

 

Sem nunca o assumir na entrevista ao Expresso de Felgueiras, não é descabido concluir-se que, interpretadas as entrelinhas, Fátima Felgueiras pode estar na corrida para a presidência da câmara.

Esse é um cenário que, se mais não for, no plano empírico, sempre se deve colocar. E como cenário deve manter-se durante mais algum tempo, quase como uma espécie de tabu que condicionará em certa medida os desenvolvimentos da política concelhia e as conversas de café.

Fátima Felgueiras goza ainda de grande prestígio e capacidade de influência em vastas camadas do eleitorado felgueirense, como se percebeu, por exemplo, na relevância que demonstrou nas recentes eleições na Cooperativa Agrícola de Felgueiras. Note-se que esse embate redundou numa vitória expressiva da lista apoiada publicamente por Fátima Felgueiras e Júlio Faria, seu aliado político de longa data.

 

 

Fátima Felgueiras capitaliza vitórias nos tribunais

 

 

 

Sabe-se, por outro lado, que a antiga presidente, por estar tão impregnada pelos dossiês municipais, gostava de poder regressar à liderança do município, retomando um percurso abruptamente interrompido por um terramoto eleitoral que a terá espantado.

Além disso, na ótica de cada vez mais gente, a prestação, aquém das expetativas, da atual equipa camarária acentua a ideia de que, em tese, Fátima Felgueiras poderá ter condições de derrotar Inácio Ribeiro numa nova contenda eleitoral autárquica, em 2013.

Vai ganhando robustez a convicção de que a antiga presidente se vai reabilitando à medida que, mês após mês, algum eleitorado interioriza um certo desapontamento quanto ao trabalho do atual executivo, sobretudo atentas as elevadas expetativas que foram produzidas.

Aliás, nos "sussurros" dos corredores municipais controlados, ainda, pela Nova Esperança admite-se que Fátima Felgueiras, pela sua capacidade de combate político, constituirá a grande ameaça ao poder vigente, cada vez mais fragilizado pelas fissuras na coligação PSD/CDS e pela recente saída de um dos seus pilares.

Mas, paradoxo ou não, a eventual candidatura de Fátima Felgueiras à frente de uma lista independente até pode constituir o grande empurrão para o PSD renovar a vitória… E os laranjas sabem-no, olhando com um sorriso maroto a possível divisão do eleitorado da área socialista. Dando como certo que Fátima Felgueiras quer ser candidata.

Mas, não menos autêntico é que do querer à concretização de uma candidatura com potencial ganhador vai uma enorme diferença. Desde logo, porque a conjuntura económica é adversa para se avançar com uma batalha eleitoral, sem o apoio das máquinas partidárias e que, por isso, obrigaria à mobilização de significativos meios financeiros, sem quaisquer garantias substantivas de vitória.

O que Fátima Felgueiras gostaria, com certeza, era liderar uma candidatura numa lista do PS. Juntar-se-ia assim o útil ao agradável, pensará a antiga autarca. Útil, porque uma candidatura nesse contexto teria, obviamente, mais hipóteses de sucesso; agradável porque constituiria o regresso da antiga presidente ao partido em que militou durante tantos anos.

É neste ponto que muita coisa se pode decidir nos próximos meses, nos jantares e almoços mais ou menos públicos que se vão fazendo nos insuspeitos restaurantes. Com a aproximação das eleições, nomeadamente o "timing" certo para acertar estratégias, alianças e candidatos, o PS e as hostes ligadas a Fátima Felgueiras terão de se entender, pelo menos se estas duas forças, que sociologicamente são apenas uma, na área socialista, desejarem afastar a Nova Esperança do poder.

Uma terceira via, com um acordo entre as partes, que não inclua a candidatura de Fátima Felgueiras, mas o envolvimento desta no processo liderado pelo PS, poderá ser uma saída para o aparente imbróglio.

 

 

Fátima Felgueiras tira o sono à Nova Esperança?

 

 

 

Mas não é especulação concluir que uma candidatura de Fátima Felgueiras à frente do PS, agora que a antiga presidente se reabilitou politicamente com sucessivas absolvições em tribunal, constituirá uma força suficientemente poderosa para tirar o sono aos que têm assento na casa branca municipal.

E nesses têm-se registado mudanças. Desde logo no executivo municipal, com a saída do vereador Eduardo Teixeira, que alegou "motivos pessoais".

 

 

Mudanças perturbadoras no executivo?

 

 

 

A renúncia ao mandato deste carismático dirigente do PSD/Felgueiras, que foi o diretor de campanha das últimas eleições, é um elemento perturbador na Nova Esperança, desde logo porque era o vereador do influente pelouro do Desporto, no âmbito do qual estava a ter um desempenho muito elogiado, graças à capacidade de diálogo com os clubes que sempre revelou.

Acresce, por outro lado, que Eduardo Teixeira representa há muitos anos a "alma" dos militantes de base daquele partido. Aliás, era o único que o fazia no atual executivo.

Face aos desenvolvimentos, só o tempo responderá às dúvidas que se colocam quanto ao grau de participação de Eduardo Teixeira, em termos partidários, no que vier a seguir.

Se, fruto das circunstâncias políticas ou outras, Eduardo Teixeira deixar de ser o que sempre foi, isto é, um elemento, no terreno, tipo "formiguinha", mobilizador dos militantes e, acima de tudo, aglutinador de tendências, o partido laranja ficará mais frágil, cada vez mais distante das bases.

Um partido, aliás, que, recentemente, para espanto, até passou a ser liderado por Inácio Ribeiro, o presidente da câmara.

Face aos desafios que se perfilam no horizonte, mormente o sempre complexo e absorvente processo de preparação das autárquicas do próximo ano, não deixa de ser, no mínimo, curioso que essa responsabilidade fique nas mãos de alguém que, pela natureza do seu cargo autárquico, é suposto estar assoberbado pelas dores de cabeça da gestão municipal.

Face à saída de Eduardo Teixeira, que estava a meio tempo no executivo, a Nova Esperança respondeu prontamente com a substituição, cumprindo o que determina a lei, isto é, tomando posse o elemento seguinte da lista.

Mas a maioria não se ficou por aqui: transformou o meio tempo de Eduardo Teixeira num tempo inteiro da nova vereadora Dulce Vieira, à qual foram confiados pelouros objetivamente menos exigentes.

Numa altura em que se pede contenção de gastos na gestão pública, a câmara respondeu em sentido contrário, aumentando os encargos com a componente política, decorrente do tempo inteiro da nova vereadora. Ora, numa fase em que o simbolismo é mais importante do que nunca, face à crise que afeta grande parte do país, a Nova Esperança transmitiu para a população um indicador em sentido oposto, o qual, acredito, muitos felgueirenses não deixarão de desaprovar.

 

 

Armindo Pereira Mendes

In Expresso de Felgueiras, de 15 de março de 2012.

02
Mar12

Entrevista da líder do CDS aquece os motores da política felgueirense


Armindo Mendes

A entrevista de Madalena Silva, líder do CDS de Felgueiras, ao EXPRESSO DE FELGUEIRAS vai com certeza marcar a política concelhia para os próximos meses.

As palavras da dirigente afloram um conjunto de dados que, não sendo totalmente novos, aprofundam os pressentimentos que já havia quanto à pouca robustez da coligação PSD/CDS que ganhou as eleições autárquicas de 2009.

Apesar de o registo da entrevista ser quase sempre o de “politicamente correto”, nem sequer é necessário ler nas entrelinhas das respostas para se perceber que a coligação está por um fio.

Ao assumir que o CDS tem o seu próprio caminho e ao recusar-se, prudentemente, a fazer a defesa do trabalho que o executivo, integralmente constituído por elementos do PSD, está a realizar, Madalena Silva, enquanto política experiente, e o atual CDS poderão estar a dar um golpe de luva branca na coligação, com tudo o que de relevante isso pode significar no presente e no futuro.

Note-se que Madalena Silva, conhecida empresária felgueirense, foi a mandatária financeira da Nova Esperança, destacando-se em 2009 pelo seu entusiasmo no apoio que manifestou à candidatura de Inácio Ribeiro.

Porém, hoje, é indubitável o desconforto do CDS e da sua líder face à completa falta de protagonismo que aquele partido está a evidenciar, sobretudo porque, ao não ter qualquer elemento no executivo, acaba por não conseguir um palco para pôr em marcha, no plano municipal, o ADN próprio dos centristas.

Na prática, a importância indiscutível que o CDS teve na vitória, sobretudo na maioria absoluta da Nova Esperança, não foi plasmada na configuração de um executivo em que o PSD emerge aos olhos do eleitorado como o partido hegemónico. Para o CDS, da coligação “sobrou” apenas a presidência da Assembleia Municipal, um cargo prestigiado, mas sem o caráter executivo reclamado pelos centristas. Acresce, na ótica de muitos centristas, a demasiada “colagem” do atual presidente da AM, Paulo Rebelo, ao lado mais forte da coligação – o PSD.

Um dirigente do PSD de Felgueiras terá dito a outro dirigente, mas do CDS, na noite em que se comemorava a vitória obtida horas antes, que “a coligação acabava ali”. Ora, essa “tirada”, no mínimo inusitada para o contexto, caiu que nem um balde de água gelada no entusiasmo do CDS, germinando, a partir de então, um desconforto que foi abrindo uma autoestrada para a rutura que agora se perspetiva. Sabe-se que o esmorecimento do CDS foi-se acentuando nestes dois anos de mandato na exata medida em que, como se diz nos corredores daquele partido, se acumulavam alguns esquecimentos, premeditados ou não, protagonizados, sussurram, pelo partido hegemónico.

A rutura oficial só não terá ocorrido até hoje porque, na política pura e dura, essas coisas não podem ser assumidas num ápice, dando trunfos para o adversário se vitimizar. O tempo próprio dos políticos é muito diferente do tempo físico dos comuns mortais.

 

O jogo do gato e do rato

Nesta fase de lume-brando mediático, mas quando o trabalho político de bastidores fervilha com os olhos postos nas autárquicas de outubro de 2013 - e já só falta ano e meio - PSD e CDS percorrem caminhos paralelos, olhando-se de soslaio, tentando perceber a robustez que cada um tem e adivinhando a estratégia. Dir-se-á em jeito de ironia: é o jogo do gato PSD e do rato CDS.

No mundo das adivinhas, a putativa questão de um dia CDS e PSD se cruzarem de novo em Felgueiras vai colocar-se mais cedo do que tarde.

Mas, até lá, o partido mais pequeno está a percorrer o seu caminho, partindo aqui e ali muita pedra, consolidando o seu projeto autárquico, assente numa personalidade já identificada, ganhando músculo para o momento em que a questão se equacionar. E tal encontro vai ocorrer, primeiro nos bastidores, porventura desencadeado pelas máquinas distritais que, na Invicta, já começam a acusar o incómodo de verem os seus “peões” locais recreados num jogo perigoso.

Enquanto o PSD anda absorto com a necessidade de governar o município, a braços com as exigências cada vez mais atrevidas dos seus presidentes de junta, o CDS, livre desse fardo, lá se vai mobilizando. Percebe-se, por isso, que a coligação só será reeditada se mudarem os pressupostos do entendimento, isto é, se aos centristas for formalmente garantido mais peso. Em concreto, o que o CDS exigirá, como acontece noutras coligações semelhantes na região, nomeadamente a de Penafiel, é ter gente sua em lugares executivos, reclamando para si um quinhão da governação.

E esse poderá ser o busílis da questão, porquanto não deverá ser inteligível ao PSD, habituado a governar sozinho, ter de partilhar o poder com o parceiro do lado. E a possibilidade de a rutura acontecer será tão maior quanto o CDS esticar a corda, entenda-se um fio.

Os centristas sabem que podem ser fundamentais para assegurar aos laranjas a continuidade no poder, tanto mais que se espera que o PSD chegue às eleições autárquicas com uma imagem muito consumida por uma governação nacional hostil para grande parte do eleitorado.

No passado recente, noutros concelhos próximos, houve mudanças autárquicas que foram influenciadas pelo desgaste do partido do governo.

Quem conhece o PSD de Felgueiras sabe que nesse partido há muitos dirigentes que olham para o CDS como um partido com pouca expressão eleitoral, que, alegam, não terá sido determinante na vitória da Nova Esperança. E esse sentimento pode alimentar a ideia nos laranjas de que os centristas são “descartáveis”. A questão do momento é saber se o PSD já intuiu que, concorrendo sozinho, poderá hipotecar, num primeiro nível de risco, a maioria absoluta, e, num plano ainda mais atroz para os seus propósitos, a própria vitória.

Já se percebeu que o eleitorado de Felgueiras é muito permeável a epifenómenos de caráter mediático ou emocional. Em 2005, o regresso inesperado de Fátima Felgueiras do Brasil, com toda a carga emocional associada, conduziu a então “dama de ferro” de Felgueiras a uma vitória esmagadora. Em 2009, o cansaço de muitos anos de governação, mas sobretudo a exposição mediática de uma Fátima Felgueiras envolvida num processo judicial complexo, empurraram a Nova Esperança para uma vitória que, poucos meses antes, poucos acreditavam.

 

Esboroa-se o estado de graça da Nova Esperança

O estado de graça da Nova Esperança já foi chão que deu uvas, ouve-se cada vez mais no concelho. Hoje, em setores do eleitorado que em 2009 conduziram à mudança, manifesta-se um certo desencanto de quem, com fundada legitimidade, se sente desconfortável com um certo afastamento do poder, em contraste com o que, com discursos enfáticos, fora prometido ao eleitorado.

O poder exerce um fascínio tal que algumas pessoas se transfiguram quando dele fruem, ao ponto de, diz-se por aí, perderem algum discernimento sob ponto de vista de análise política. De tal forma assim parece que algumas opções políticas e estratégicas tomadas sob essa aparente influência, por serem tão incongruentes com o percurso passado, rapidamente redundam num certo desencanto nas bases que ajudaram a alavancar a vitória da Nova Esperança.

Acresce que este executivo, mais pela forma do que pela substância, fruto de uma comunicação ineficiente, nunca granjeou no eleitorado o entusiasmo que outras jovens equipas, de concelhos próximos como Penafiel, Paredes ou Baião, conseguiram rapidamente alcançar quando chegaram ao poder, consolidando por muito tempo um capital de notoriedade notável.

 

Desgaste do Governo pode afetar o PSD/Felgueiras

Apesar disso, o PSD de Felgueiras saberá que os adversários - quiçá o CDS - tudo irão fazer para, junto dos que votam, potenciar o eventual descontentamento que haverá nos felgueirenses, seja ele decorrente da governação municipal ou do desgaste do executivo de Pedro Passos Coelho.

A eventual rutura da coligação, dividindo em dois o bloco mais conservador, abrirá novas expetativas para as forças à esquerda, sobretudo o PS, partido com uma forte presença sociológica no concelho a alicerçado numa rede robusta de presidentes de junta.

Entre os socialistas fazem-se contas, olhando para a troca de galhardetes à direita. No partido da rosa sabe-se que o PSD isolado tem menos força eleitoral do que coligado. No PS há a ideia de que o desgaste da governação nacional pode traduzir para o PSD local um cartão amarelo. Tudo conjugado acalenta fortes esperanças para os socialistas, cujas estruturas distritais e nacionais olham para Felgueiras como um concelho com um poder autárquico laranja pouco consolidado e que, por isso, pode justificar uma aposta forte do PS, capaz de contrabalançar perdas expectáveis noutros concelhos da região.

 

PS e Fátima Felgueiras à espreita…

Mas as rosas do PS também apresentam espinhos que podem comprometer as suas ambições. A questão é saber se Fátima Felgueiras, com o seu movimento Sempre Presente, é ou não uma carta fora do baralho eleitoral.

Se a antiga presidente vier a jogo, protagonizando uma candidatura independente, dificilmente terá hipóteses de sair vencedora, como se verificou com outros independentes que, na região, tentaram uma reeleição e perderam.

Contudo, porque ainda reúne inegável prestígio junto de algumas franjas de eleitorado, poderá ser suficiente para, como em 2009, partir o eleitorado da área socialista e dessa forma empurrar o PSD para mais uma vitória, com ou sem maioria absoluta.

Verdadeiramente interessante, na ótica do PS, seria esse partido surgir com uma candidatura que congregasse a atual estrutura militante do partido, muito próximo de Eduardo Bragança, mas também figuras na área socialista que, em resultado das inúmeras incidências do processo “saco azul”, partiram para outras paragens políticas.

Para que essa conjugação ocorra torna-se absolutamente incontornável um entendimento com as hostes próximas de Fátima Felgueiras, sanando divergências políticas que afastam há muitos anos o líder Bragança e as pessoas que lhe são mais próximas da antiga presidente da autarquia.

Encontrar uma personalidade, na área socialista, que faça a ponte entre as duas tendências, constituiria, em termos substantivos, a saída mais lógica, dando a cara por um projeto autárquico do PS para Felgueiras, potencialmente ganhador. Haverá alguém no concelho com esse perfil? Se calhar até há… como muitos socialistas bem sabem. Por estas semanas, neste contexto, muitas coisas se vão passando, justificando uma abordagem posterior neste espaço.

Se essa convergência de esforços se torna possível é outra incógnita estrutural que vai, com certeza, ter preponderância na forma como vão evoluir os contendores da batalha autárquica em Felgueiras.

Por fim, mas nem por isso menos importante, de permeio, nestas conjeturas políticas, que não passam disso mesmo, há que ter em conta as eventuais alterações introduzidas pela reforma do poder local, cujo processo legislativo está em marcha.

A redução do número de juntas de freguesia, ainda não quantificada, vai, com certeza, introduzir alguma instabilidade no xadrez autárquico concelhio.

Mais uma vez, é sobre o partido do poder que, por ter mais juntas de freguesia, recaem as maiores dúvidas.

Gerir sensibilidades de alguns presidentes influentes, que poderão deixar de sê-lo porque a sua autarquia foi extinta, vai ser mais um elemento credor dos maiores cuidados.

Curioso vai ser acompanhar como vai a nomenclatura do PSD, agora encabeçada por Inácio Ribeiro, gerir este processo.

E que papel caberá ao anterior líder, João Sousa, até há pouco, formalmente o estratega do partido?

Mas deixemos essa ponderação para posterior abordagem neste espaço.

 

Armindo Pereira Mendes - In EXPRESSO DE FELGUEIRAS, de 29 de fevereiro de 2012

08
Fev12

A propósito das "pieguices" do momento!


Armindo Mendes

Eu não sou piegas.


E a maioria dos meus compatriotas também não.


Como milhões de outros “tugas”, luto com humildade, todos os dias, na minha empresa, no meu trabalho, para que a minha remuneração aconteça, não por mera geração espontânea, mas como consequência natural e justa da força produtiva geradora do lucro.


Faço parte do grupo de portugueses que, atormentado com as notícias  de um mundo que parece desmoronar, trabalha todos os dias muitas horas, bem mais do que o horário legal, pouco preocupado com as folgas e as pontes.


Permitam-me este desabafo: quantas vezes dou comigo a pensar o quanto vou ficar prejudicado com os feriados que se sucedem e condicionam a produtividade da minha empresa.


Faço-o, sem queixumes, em primeiro lugar, porque preciso de ganhar a vida, mas também porque gosto muito de me sentir útil.


Mas, muitos portugueses que conheço, de esquerda e de direita, são piegas, com certeza. Queixam-se por tudo e por nada!


Há que assumi-lo.


Não falo obviamente dos que sofrem mais com a crise, dos que auferem de parcos vencimentos dos que estão desempregados. Esses merecem todo o respeito e consideração. Esses não são piegas, porque queixam-se com propriedade e com justiça, revoltados com o rumo que o país está a levar, provocando tantas arbitrariedades imerecidas para os mais frágeis.


O que eu censuro convictamente são os que, sendo uma minoria, vivendo bem, passam a vida, entrincheirados,  a queixar-se disto e daquilo, o que é muito português, murmurando, no Facebook ou noutras paragens, com pouca razão, às vezes.


As críticas desses vão quase sempre direitinhas para os poderes públicos, que têm as costas largas, quando estes, sejam de que partido forem, tomam medidas que, direta ou indiretamente, ferem os tais pomposamente chamados direitos adquiridos, os tais tantas vezes ligados aos interesses instalados, corporativos, os tais “lobbys” na nossa sociedade tão latina.


Mas, não raras vezes, esses “tugas”, profissionais do murmúrio, no seu “pequeno mundo de conforto”, tão acometidos estão a uns certos direitos adquiridos, que, zurzindo disto e daquilo, entre umas quantas pontes e dias infindáveis de férias, não têm a modéstia de reconhecerem que, se calhar, não têm sempre razão, que são uns privilegiados face a tantos compatriotas, esses sim, que vivem com inúmeras dificuldades.


Fica-se muitas vezes com a ideia de que, esses, os dos murmúrios, estão sempre à espera de um deslize de linguagem de um qualquer responsável político para logo se lançarem numa cruzada de críticas de cariz por vezes demagógico, que desviam a questão do essencial para o acessório.


E se calhar é isso mesmo que se pretende, lançando uma cortina de fundo sobre os problemas estruturais do país, sobre os políticos, para que nada se mude, tudo se mantenha como está.


Se assim for, na mente dos tais ditos “piegas”, vai prosseguir o mundo de conforto, cheio de direitos adquiridos, cheio de feriados, pontes e férias, na tremenda ilusão de que a riqueza do país nasce de geração espontânea.


Esse mundo cor de rosa, de geração espontânea, escondido atrás do crédito fácil, ao qual acorriam famílias, empresas e o próprio e Estado, que todos os luxos e direitos adquiridos sustentava, acabou, ruiu como um baralho de cartas.


Sou dos que acham que o conforto, a qualidade de vida de um país e a equidade, só pode acontecer se o seu povo trabalhar, se o seu povo produzir mais e melhor, gerando a produtividade fundamental para que apareçam os recursos que suportem uma redistribuição justa da riqueza e garanta uma relação equilibrada, com direitos e deveres justos, entre o empregado e o empregador.

 

16
Jan12

Política em Felgueiras: Maré mansa à superfície, mas só à tona de água…


Armindo Mendes

Por estas semanas, as coisas só andam aparentemente calmas na política de Felgueiras.


À superfície a maré é mansa, mas logo abaixo da tona de água, andam agitadas as águas.


Apesar de todos já estarem com os olhos postos nas autárquicas de 2013, este não é o tempo de os protagonistas da política local, pelo menos os mais sabidos, darem tiros de pólvora seca nem confiarem trunfos à concorrência.


Este é o tempo de os bastidores falarem mais alto, embora sussurrando, com uns e outros, nos seus expedientes, fazerem conjeturas e observarem estratégias focadas nos protagonistas que se perfilam no horizonte das apostas.


Fervilham os aparelhos partidários, perspetivando as danças dos cargos, dos compromissos e das cadeiras.


Para já, sucedem-se os encontros de notáveis e pretendentes a notáveis, em locais discretos, alguns fora de Felgueiras, as abordagens, os convites e as conversas sobre o que aí vem, uns na ótica da situação, que urge preservar, outros, da oposição, na vontade de chegar ao poder outrora detido.


Eu sei, todos sabem, inclusive os do poder, que muita coisa, quiçá determinante, se está a jogar por estes dias, capaz de perturbar o “status-quo” e induzir fatores de incerteza quanto o resultado final.


Os ciclos repetem-se a cada quatro anos, num frenesim alimentado pelo fascínio da política e tudo o que ela proporciona aos ditos políticos.

 
Os protagonistas não mudaram muito. Hoje, contudo, alguns, frágeis no passado recente, sentam-se agora em cadeiras diferentes, confortavelmente refastelados até, confiantes que as bases são sólidas.


Alguns, seduzidos pelos holofotes do poder que lhes encandeia a perspicuidade, olvidados estão que o destino lhes foi bonançoso, mas que o futuro, já amanhã, trilha-se hoje com pés de barro...


A política é assim mesmo.

 

Só os mais incautos julgaram, no passado, o contrário...

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