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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

19
Ago13

Caminhar, caminhando, nos caminhos em redor de Covelo do Monte


Armindo Mendes

Por estes dias, caminhei mais uma vez pelas serranias do Marão, desta vez por trilhos em redor da aldeia de Covelo do Monte, um pequeno burgo com casas de xisto.

Com uma ótima companhia, sem surpresa, voltei a avistar paisagens fantásticas, desfrutando da natureza em todo o seu esplendor, numa manhã de verão!

A beleza dos montes misturava-se, nesta caminhada com os leitos de pequenos regatos, quase secos pelo calor, e uma ruralidade bucólica, tão próxima das gentes que restam daquele povoado, tão pouco conhecido, encravado nas entranhas do Marão.

No sobe e desce das encostas, às vezes ladeados por pinhais, abrigos de montanha abandonados e colmeias, enquanto os pés pisavam pedaços de xisto nos trilhos acidentados, os nossos pulmões agradeciam a bênção daqueles ares tão puros.

Esperavam-nos também vistas com campos de milho e hortas que ladeavam caminhos rústicos, com rochas esventradas pelas rodas dos carros de bois que se escondiam, quiçá, em pequenos resguardos feitos com xisto.

Também ali, abrigados pela sombra de um carvalho, degustámos as amoras silvestres.

Quando subíamos mais alto, às vezes parávamos e, simplesmente, olhávamos e sentíamos o que a natureza nos oferecia. Tão bom!

Ante o céu azul, aquele silêncio num horizonte de montanhas é ouro! Nem a presença sonora dos chocalhos do gado maronês ousava estragar, antes pelo contrário, são sons que contribuem para adensar o sossego de quem simplesmente, às vezes, prefere estar surdo ao que vem lá de longe, da cidade.

Sim, não custa nada, basta apenas caminharmos até lá e deixarmo-nos ser parte daquele conjunto tão simples, mas tão belo.

Vale sempre a pena caminhar por sítios tão bonitos que o nosso país oferece.

Só a aldeia de Covelo do Monte já não tem o encanto de outros tempos, sobretudo porque construções recentes agridem o casario de xisto original, ferindo o que resta do caráter bucólico do velho lugar!

13
Jun13

A fotografia digital de terceira geração: os smartphones


Armindo Mendes

Sendo filho de um pai que era fotógrafo, cresci a “tirar” fotografia. Ainda hoje, o mundo da fotografia é um dos meus passatempos preferidos, para além da componente profissional que, pontualmente, ainda vai representando para mim.

Ao longo dos anos, terei já captado, através das lentes óticas, milhões de imagens, as primeiras ainda em película e mais tarde para suporte digital.

Esta imagem que apresento tem para mim um duplo significado. Em primeiro lugar aquilo que ela retrata, com uma qualidade notável, enquanto mosaico de cores de um Alentejo primaveril do qual tanto gosto.

Mas, tão importante quanto isso, o facto de ter sido captada com o meu telemóvel, provando, se dúvidas havia, que estes suportes já são a terceira geração da fotografia, dando como adquirida que a primeira foi a analógica – em película e papel – e a segunda com o surgimento das câmaras digitais.

A terceira geração acrescenta muito à segunda, por permitir associar um vasto conjunto de recursos tecnológicos que garantem uma qualidade superior e exponenciam, através de técnicas digitais avançadas, as capacidade de captação de imagem, inclusive simulando uma panóplia de lentes e filtros de cor notáveis.

Hoje já começa, em muitas circunstâncias, a fazer sentido pergunta, na altura do “clic”, se devemos optar pelas câmaras digitais ou se, em alternativa, se desejarmos algo mais elaborado, o smartphone que trazemos no bolso.

Comigo já aconteceu muitas vezes, posso garantir. Sobretudo nos momentos em que, após o “clic”, gostando do efeito, nos apetece partilhar de imediato o resultado com os “amigos” através das redes sociais.

 

 

 

 

21
Abr13

Amarante: nunca resisto a registar quadro tão singular!


Armindo Mendes

Cada vez que se vai, demoradamente, a Amarante é uma oportunidade nova para, com paciência, deitando, quase sem querer, a mão à máquina que trazemos no bolso, registarmos o momento, ousando captar aquele "acaso" de luz, com a subtileza dos reflexos do Tâmega que irradiam o brilho que desabrocha do céu, o que confere uma tonalidade sempre especial ao conjunto medieval formado pelo mosteiro, pela ponte, pelo rio e pelo casario circundante.

Nunca me canso de registar aquele quadro tão magnífico, tão singular!

13
Jan13

Desinvestimento na rede ferroviária foi um erro estratégico nacional


Armindo Mendes

Dói a alma observar a degradação deste edifício da antiga estação de Gatão, em Amarante, na desativada Linha do Tâmega, que ligava o Marco de Canaveses a Arco de Baúlhe, passando por Amarante e Celorico de Basto.

Este, como outros edifícios abandonados da antiga infraestrutura ferroviária portuguesa, são a marca indelével das opções estratégicas erradas tomadas nos anos oitenta e noventa do século passado.

Os governos de então, desprovidos de uma visão acertada de futuro, desinvestiram na rede ferroviária portuguesa, votando-a ao mais completo abandono e condenando-a ao declínio que mais tarde degenerou no encerramento, de nada valendo os protestos das populações prejudicadas.

Os decisores políticos de então, no Terreiro do Paço, extasiados pela moda do betão e das autoestradas, cometeram um erro grave ao não perceberem a importância económica, ambiental e até social do transporte ferroviário.

Ao desinvestir naquela infraestrutura, que servia quase todo o país, muito em especial o interior profundo, em contraciclo com o que se fazia no resto da Europa, a tutela delapidou um elemento estruturante para o desenvolvimento de tantas localidades, introduzindo mais um fator que concorreu para a fuga da população e a desertificação de vastas áreas outrora servidas pelo caminho-de-ferro e de repente privadas de um meio barato de transporte de pessoas e mercadorias. Cidades como Bragança, Mirandela, Vila Real, Chaves, Fafe e até Amarante, que cresceram durante décadas, em parte, à sombra do comboio, ainda hoje, volvidas várias décadas, não se recompuseram dos impactos negativos da perda do transporte ferroviário.

Não tenho dúvidas que, se tivessem sido feitos, em tempo útil, os investimentos de modernização que se impunham nas linhas, os comboios, porque mais baratos e eficazes, continuariam a ser procurados pelas pessoas.

Teríamos hoje, por conseguinte, uma rede ferroviária nacional competitiva e adequada às necessidades, que contribuiria para um Portugal mais competitivo, menos desigual, com um interior forte, dotado de infraestruturas de transportes competitivas e por isso preparado para resistir melhor da força "centrifugadora" das grandes cidades.

11
Jan13

Pelo meio de tanto entorpecimento, muita riqueza se vai perdendo...


Armindo Mendes

Recentemente, por terras de Bragança, registei, com telemóvel, estas imagens no bonito centro histórico. Como se percebe, a qualidade das fotografias não é brilhante, mas o que importa é assinalar a riqueza patrimonial daquela cidade do interior profundo de Portugal.

 

 

Gostei de revisitar Bragança, onde não ia há 14 anos, mas fiquei um pouco triste ao constatar que algum do seu centro histórico, nomeadamente o casario medieval em torno do castelo, evidencia um certa degradação.

É pena que o nosso país, tão rico em património, mas tão tacanho na ambição de ver mais longe, não acarinhe como devia o legado dos nossos ancestrais, nem perceba o potencial económico deste recurso.  

 

 

Infelizmente, Bragança não é exceção. Percorrendo as urbes antigas do país, em quase todas, com Lisboa e Porto à cebeça, observamos este triste fenómeno de degradação, sinal evidente de um abandono explicado, só em parte, por políticas erradas, com décadas.

 

 

À medida que o desgaste do tempo avança, cada vez será mais difícil e oneroso recuperar o nosso património. Pelo meio de tanto entorpecimento, muita riqueza se vai perdendo, alguma quiçá de forma irremediável.

 

30
Dez12

Apenas alguns recantos especiais de Guimarães


Armindo Mendes

 

O velho  burgo medieval de Guimarães reserva-nos sempre surpresas. No sábado, passeando pelo centro, alguém conhecedor do casco histórico apresentou-me este cantinho tão delicioso da cidade, que eu não conhecia.

Chama-se "Ilha do Sabão" e ali residiam antigos operários da zona de Couros, uma antiga indústria da cidade.

 

 

Em cada recanto da cidade Património Mundial, somos convidados a contemplar o casario magnificamente recuperado.

 

 

Os candeeiros antigos, em cada esquina da cidade velha, são sinais bem presentes do bom gosto dos nossos antepassados.

 

 

 

E por esta altura, as velhas ruas vestem-se de um colorido tão especial...

 

 

Incontornável, a passagem pela Praça da Oliveira, a mais bonita de Portugal, digo eu!

 

 

No Toural, praça de afetos, encontros e reencontros, de todos os vimaranenses...

25
Ago12

No Minho, os espigueiros que impressionam quem visita Lindoso


Armindo Mendes

No Alto Minho, imagens da bonita aldeia de Lindoso, com os seus 50 espigueiros de granito, dos séculos XVII e XVIII, e o castelo medieval altaneiro que outrora vigiava a fronteira com Castela, ali ao lado.

Ali, com o Gerês no horizonte, somos convidados a sentar numa pedra e, sem pressas, contemplar os espigueiros no sopé do castelo.

Confesso que é um conjunto monumental e histórico com um caráter bucólico que me impressiona, sem igual no nosso país.

No centro interpretativo, no interior do castelo, o espólio evidencia a riqueza histórica e etnográfica daquela aldeia minhota.

Para quem não conhece, recomendo uma visita.

 

 

 

 

 

21
Ago12

O sol, quando nasce, não é para todos!


Armindo Mendes

 

Em tempos que são de crise profunda na generalidade do país observo, numa conhecida praia portuguesa, neste agosto, sinais contrastantes com o que dizem os números da recessão que todos os dias nos inquietam. Sentado numa avenida junto à praia, enquanto outros “tostam” ao sol, constato o desfile, pomposo de viaturas de alta gama, só acessíveis a uns quantos privilegiados.
Confesso que fico confuso por uns instantes... Esta gente, aparentemente, continua completamente alienada do que se vai passando em Portugal, penso eu.
Expressões felizes acompanham os sinais de riqueza que ostentam em cada pormenor.
Uns gozam de conforto fruto do seu mérito, fruto do seu esforço, Mas outros, se calhar, nem por isso!
Mas, dou logo comigo a interiorizar e digerir o que há muito se sabe: este é um país cada vez mais contrastante, no qual o fosso entre ricos e pobres é cada vez mais acentuado.
No meio fica a dita classe média, a tal à qual ainda penso pertencer, mas que vai claudicando à medida que a austeridade avança.
Nesta praia de agosto, de desfile ostentoso para uns quantos, faltam os muitos milhares de portugueses que não têm emprego, que vão sendo arrastados por uma torrente para a qual nada contribuíram.
Por isso, contrariando o ditado, se percebe que o sol quando nasce não é para todos...

05
Ago12

Belver, o castelo do encantamento


Armindo Mendes

O castelo de Belver, junto ao Rio Tejo, no concelho de Gavião, é mais um magnífico exemplo da arquitetura militar do período da reconquista cristã.

 

 

 

 

Vale a pena visitá-lo e perceber quanto a localização deste tipo de fortificações medievais, neste caso, no cimo de um monte, com o Tejo aos pés, era importante para alcançar os objetivos de uma defesa eficaz de um determinado território conquistado aos mouros.

 

 

 

Por lá andei recentemente, visitando-o demoradamente.

Admito que aquele castelo, no alto, quando olhado da praia fluvial do Alamal, na outra margem, junto ao Tejo, exercia em mim um certo encantamento.

 

 

28
Jul12

Castelo de Aguiar, pequeno tesouro esquecido no Alto Tâmega


Armindo Mendes

 

O Castelo de Aguiar é um notável, mas pouco conhecido monumento de arquitetura militar do período da fundação do Reino de Portugal. As suas ruínas, há alguns anos mostradas aos que apreciam estas “coisas”, demonstram a importância que tiveram estes pequenos castelos altaneiros graníticos na consolidação do território conhecido como Condado Portucalense.

 

Situado no cimo de um penhasco transmontano, não muito longe de uma aldeia hoje quase sem gente, o Castelo já foi de difícil acesso aos visitantes. Hoje, porém, graças aos melhoramentos, incluindo passadiços, está garantida a segurança dos que querem subir os degraus ziguezagueantes e íngremes que separam a porta de entrada do que resta da torre de menagem, da qual se observa, posso garantir, uma paisagem notável do Alto Tâmega.

 

24
Jul12

A riqueza do Tâmega e Sousa é a aposta na qualificação do seu maior ativo: os jovens


Armindo Mendes

A região do Tâmega e Sousa, no interior do distrito do Porto, é a mais jovem do país e também a que, com visão de futuro, mais investe em políticas educativas, acentuando o seu maior ativo, a juventude. A aposta no saber é consensual neste território com mais de meio milhão de habitantes, derrubando diferenças político-partidárias dos diferentes municípios.  

De Baião a Paredes, do Tâmega mais rural ao Sousa mais industrializado, fecham escolas velhas, caducas, e abrem modernos centros escolares preparados para os novos paradigmas da formação integrada.

O retorno desta aposta deverá fazer-se sentir, também no plano da produtividade, dentro de alguns anos, catapultando este território para um nível de qualificação que estará, com certeza, entre os melhores à escala nacional. Ao tradicional empreendedorismo desta região juntar-se-á, dentro de alguns anos, uma qualificação ímpar em termos nacionais.

Face aos investimentos avultados realizados ou ainda em curso na requalificação de centenas de escolas, estão reunidas algumas das condições fundamentais para que os jovens de hoje, do Tâmega e Sousa, assimilem competências que contribuirão para alavancar o desenvolvimento da região dentro de uma ou duas décadas.

O caminho ainda é longo e difícil, mas a primeira etapa já foi ultrapassada com distinção: O Tâmega e Sousa já não é a região conhecida pelas elevadas taxas de abandono precoce da escola.

Hoje a região é vista como um exemplo de inovação e trabalho, onde vale a pena investir na inteligência e no saber.

Os que acompanham estas matérias já interiorizaram que estamos perante um processo catalisador do desenvolvimento da região na ótica das gerações vindouras.

O país vai perceber isso.

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