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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

13
Jul22

Graciosa, hortências de bela canção!

Teu mar, teu sal, salpicam paisagens


Armindo Mendes

Graciosa, ínsua branca, conheci-te, finalmente!

Das nove atlântidas furtivas, a última na minha admiração

Tua quentura suave, sem pressa, tempera ao sol poente…

Teu mar, teu sal, salpicam paisagens, como notas de bela canção!

Graciosa 02.jpg

Que sublime desenho, no voo de garajau, nesse salgado mar

Como as tuas manas, ergueste-te com graça maior

Moinhos, impérios, ermidas, casinhas de encantar

Igrejas de séculos, muros de basalto, vinhedos ao calor!

Graciosa 01.jpg

Serras, a branca e as fontes, a caldeira, a vegetação faustosa!

Laurissilva abundante, naquele quinhão, que ar tão verde, tão doce!

A passarada das ilhas exalta os sentidos, na alma que goza!

Olho na cumeada o chuvisco que molha a pele, à bruma, como borboleta fosse!

Graciosa 07.jpg

Impressionam as entranhas, em abóbada, da furna do enxofre, os vulcões, dos Açores, o fado!

Picos suaves mostram aos forasteiros andantes vistas que coram a memória

Atlântico sem fim, ravinas, nuvens de tantas nuances, prados, gados…

Silêncios na Ponta da Barca, formas basálticas de baleia, farol da Barca, tanta história!

Graciosa 03.jpg

Eternamente… Moinhos de vento à bolina, para os cereais

No pretérito, esses engenhos moíam os gãos para pão.

Hoje, parados, posam, com graça, para a foto, belos, sem iguais.

Como os lagares onde já não se pisam uvas, ou velhas pipas, em solidão.

Graciosa 089jpg.jpg

Santa Cruz, tua brasonada capital, abrigo nos descobrimentos!

Casario branco rebordado a negro, coreto descoberto, pracetas, árvores centenárias…

Acolá, na Calheta, rampas da caça à baleia, botes, arpões, memórias de passado sangrento.

Ali, teus tanques, outrora para gado, na calçada desenhos e belas luminárias!

Graciosa 08.jpg

E na Ribeirinha, burros são animais obreiros e dóceis, da “ilha dos burros”, carinhosamente, os seus

Como as centenárias touradas à corda, espetáculo aos meus olhos sem graça, mas marca das gentes…

Doces as Queijadas da Praia, frescos os peixes da Luz, das traineiras de S. Mateus…

Como o alho da ilha, suave no pão, ou as termas do Carapacho, para os ilhéus doentes!

Graciosa 06.jpg

Graciosa, a derradeira das esmeraldas encantadas, no livro meu de visitas aos Açores!

As ilhas da bruma, das areias negras, das lagoas de namorados, das fajãs, dos vulcões, das furnas, da Laurissilva, das tradições, dos mares…

Caminheiro ali, incapaz sou de escolher a mais bela, porque por todas sinto tantos amores!

A cada ida, alegria de chegar, a cada partida, o vazio de deixar e a vontade de ficar!

 

Armindo Mendes, julho de 2022

05
Abr22

Olhos desabrocham em lágrimas de coração

Milhões de pontos cintilantes, da cor da alma


Armindo Mendes

Degustado, sem pressas, o arroz de favas, passeado o jardim palaciano de japoneiras e laranjeiras, a velha estrada 108 apresentou-se, como outrora, com curvas e contracurvas, sob um brilho de Primavera, imitando os caprichos do Douro verde, de Tormes, ao fundo, num sobe e desce, nos seios das serranias, para um intento a cada ano, que se engalana de branco, do mais branco que há, em cachos de delicadeza sem fim, quase sem cheiro, mas que fazem pasmar, em deleite, os espelhos do espírito.

 

A caminho de Porto de Rei, aquele sítio mágico, entre o rio e as serranias dos mosteiros românicos, que em socalcos curvilíneos sobem quase até ao céu azul, pintadas, por ora, de tons alvos, num espetáculo da natureza humanizada, tão desafiador que os olhos desabrocham em lágrimas de coração.

A descida para o rio faz-se vagarosamente, parando tantas vezes quantas o nosso espanto ordenar, para mais uma fotografia, para mais uma vénia, para mais um carinho à flor.

Na nossa mão, refletindo na menina dos olhos, cada pedaço de bagos brancos, de petalazinhas enroladas entre si, pitéu de abelhas, num ciclo mágico que embriaga a existência, a vida.

Tão veemente olhar em volta, acima e abaixo e por todo o lado, inspirar num misto de sofreguidão e prazer, aquele quase mar de cerejeiras em flor, em fervor, levemente ondulantes pela brisa. Impotente sou, não consigo parar o tempo, naquele momento em tons de sétima arte.

Lá, o Douro, para onde olhamos sempre e sempre, com pasmo, um rio imenso na sua alma das gentes do Norte, uma artéria maior por onde, desde tempos imemoriais, corre o nosso coração, o nosso sotaque, o nosso inconformismo, como povo, porque nestas terras do condado onde nasceu Portugal.

Em Porto de Rei é sempre assim, em abril, prados de flores silvestres e famílias que fazem os seus churrascos, desfrutando dos primeiros dias amenos, salivando por mais umas semanas, quando o branco que cobre a paisagem der lugar ao vermelho da rainha dos frutos, as belas cerejas de Resende!

Serão milhões de pontos cintilantes, da cor da alma, a corar a paisagem da Cidade e as Serras, para gaudio dos gulosos do fruto carnudo, eu confrade me confesso, tanto como as conversas.

Hão de ser muitas cestas a caminho das feiras da região, muitas improvisadas em bancas na beira da estrada, para os cavalheiros após jornada de trabalho levarem para casa, em belos cestinhos, com fitinhas de cetim, num belo presente à família, quiçá com rebuçados da Régua para os mais traquinas.

Na outra margem, o comboio que para Oeste leva outros como eu, do mundo maravilhoso destas flores tão belas, como manto de noiva, obra-prima do Criador, para nós!

No regresso às curvas e contracurvas da marginal, paragem, que a tradição ordena, para momento pecaminoso no centro da vila, sucumbindo à tentação das cavacas de Resende, sob a forma de milhões de calorias, para luxúria dos palatos gulosos dos mortais.

No centro de pequena urbe, quase sem gente, percebe-se o pôr sol, por entre os pilares do coreto triste, sem música há muito, e o arrepio que nos impele a apertar o casaco, que o verão ainda vem longe.

Na descida, até à ponte da Ermida, devagarinho no carro, tempo para pasmar com o espelho de água que se refastela, pachorrento, a caminho da foz, na Invicta, onde o sol se vai deitar daqui a pouco e a Lua acordar para pratear o rio com raios subtis e sobre os rabelos à beira da Ribeira, numa tela a preto e branco, como vultos de cálices de Vinho do Porto.

Resende cerejeiras em flor resende 2011 (74) copia

06
Fev22

Num porta-joias flor-de-lis


Armindo Mendes

Que surpreendente e belo cantinho para contemplarmos cada nuance da natureza que o Homem quer preservar!

Que belo casamento entre a mãe-Natureza o pai-Homem, unidos num só, belo quadro que se espraia no espelho de água do Tâmega refletindo o céu borrifado de ouro e as mimosas, de pequenos botões, que apetecer tatear, cheirar, levar para casa e guardar, em segredo, num porta-joias aveludado, de azul-marinho, que reabriremos para vermos os tons perfumados da flor-de-lis com sotaque a Versailles deixado pelas invasões.

Amarante proporciona estes antros para nos arrepiar a alma, olharmos o horizonte e vermos os traços no éter quase boreal.

Caminhar ali é tão especial quanto o ar fresco que nos esfria o semblante, mas que nos impele para irmos além daquela curva e perceber o que se oculta lá.

FOTO: Armindo Mendes

Trilhos dos Castanheiros miradouro.jpg

 

 

 

09
Nov21

Gula querer tanto assim


Armindo Mendes

árvore luz.jpg

Será d`ouro o que olho?

Ponto luz atrás, é folhagem?

Que dá o brilho que escolho…

Sem querer, eu grato nessa bela imagem.

 

Abro os olhos fechados, abraço o espírito…

Para no peito afixar cada nuance, cada raio.

Inspiro, saboreio cada fitar, sou do brilho súbdito…

Para meu espírito clarejar, ao colo caio!

 

Ver ouro luz em mim

Segredar sem delongas, nem mordaças.

Porque é gula querer tanto assim…

É sentir, saborear, o quanto faças!

 

Armindo Mendes

 

06
Nov21

Nossa insignificância que ali saúdo


Armindo Mendes

céu no Mar.jpg

E olhar para poente, indo atrás do Sol que corre para o mar…

À espera da Lua! E na encosta, os tapetes de flores sem fim.

Os gados que rodeiam a capela, onde se quer ficar…

Onde existe um solitário banco de pedra para descanso em mim.

 

Tantos suspiros no sopro fresco de lá do Marão…

Como o verão que aquece, apetece abrir e enlaçar tudo!

É tatuagem cravada no colo para memória, naquele quinhão,

Algo encantador, imponente, na nossa insignificância que ali saúdo!

 

Com as estrelas, a hora de partir vai de chegar,

Até lá, não se pare de sonhar, desça-se o trilho da aldeia.

Para encontrar o avô e a avó de alguém e medronhos provar,

Guardiões de outras vivências da serra, sapiência que encandeia.

 

 

Sabedoria aquela dos avós dos nossos avós…

E o velho pastor que encaminha as cabras, como outrora.

Que traz de um passado, lá do baú, na colina do tempo,

Um mundo que ouso sonhar: é nosso pelo tempo fora!

 

Armindo Mendes

 

01
Out21

Línguas de amor eteno segredar


Armindo Mendes

Flor Blogue Armindo Mendes.jpg

Língua que se retrai no primeiro beijo.

Anichada na caverna, oculta por cortina de batom.

A língua espreita doce, miras em lampejo.

E, na boca do passo doble, já num baile em bom tom.

 

 

 

Língua de Romeu que ondula em tango um pedaço de ser.

Língua húmida de Julieta que flutua em devaneio.

Língua que acaricia outra gémea, por se ter.

Línguas em par são passos em bolero, ritmo sem freio…

 

 

Essas línguas enrolam-se, em dança, em ternura.

Essas línguas saboreiam sucos, receber e dar.

Essas línguas segredam o que perdura.

Essas línguas, aves de Danúbio Azul, de amor eteno segredar…

 

Armindo Mendes

 

 

15
Set21

Num presente de desassossego, o nosso, que desafia o futuro…


Armindo Mendes

Outono bosque na Plaina.jpg

Tons quentes do bosque da Plaina que são prenúncio dos frios, quase gelados, de outono, a antecâmera dos dias grisalhos de inverno, das castanhas que se aquecem ao lume do S. Martinho.

Quando as noites se sobrepõem aos dias e os ventos cruzados de norte assobiam nas praças das nossas aldeias, por entre o casario de granito nortenho, o tempo que acalora os pés à lareira, junto aos potes de barro negro que o caldo fazem, em serões dos nossos avós, do tempo em que o tempo andava à bolina das estações com tempo, hoje coisas do passado, num presente de desassossego, o nosso, que desafia o futuro, de escasso tempo, para os dias de um amanhã que soçobrará, ou não, por detrás daquela montanha - a incerteza e de uma história sem fim

07
Mar21

Sentir a brisa que refresca a alma


Armindo Mendes

O rio Douro, em Porto de Rei, Resende, num passeio

E há rios imensos de sonhos para contar, este ou outro qualquer, só há que abrir as asas e voar.

Sem medos, deixar a caneta voar, voar, voar!

É lindo olhar o mundo lá de cima, ficar tão leve e sentir a brisa que refresca a alma.

Que espicaça nas asas de um devaneio que se pode contar em estrofes de encantar.

E fazer cantigas de amigo ou cantigas de amor, sem contar, com ritmos e tons que as letras vão mostrando como notas musicais!

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