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Marca d'Água

Marca d'Água

08
Abr24

Marujos adivinhando o sol pondo-se à bolina de abril

Imaginamos, da costa, sob o cheiro a sardinha assada…


IMG_20210605_163337.jpg

Lá longe, o porta-contentores rasga a linha do mar do Matosinhos, nas águas cintilando, rumo à América talvez, com tantas coisas mundanas no convés…

Que imaginamos da costa, com cheiro a sardinha assada e arroz de tomate, sentados na marginal, num qualquer domingo de sol!

Mas, à proa do navio, haverá marujos de pele salgada, sotaques do Leste e mãos robustas a adivinhar o sol a pôr-se, à bolina de abril, em mais uma jornada que se vai, à espera da noite que se deseja!

02
Abr24

Brilho quente na menina dos olhos…

Que queremos abraçar e fazer nosso!


Ilha Graciosa Açores04.jpg

Quando, escondido atrás de um pedaço de nada, que contornamos sem querer, no aparece este pedaço de luz… com raios quase partindo, para se cobrirem pela noite estrelada…

Mas, que delícia, ainda temos tempo para vermos o brilho quente que nos cobre o rosto, que se reflete na nossa menina dos olhos…

Ilha Graciosa Açores05.jpg

Tudo isso, ante um ânimo, o nosso, cabelos ao vento, que quase verte lágrimas salgadas em deleite, num instante de sorte maior por estarmos ali… por dele sermos parte…

Assim, parados sobre o rochedo vulcânico, sentindo fantasia sobre o espelho de água dourado, atlântico, mas agora sereno, que queremos abraçar e fazer nosso, nem que seja sonhando!

08
Jan24

Quando o sol se ocultou, apressado, no fio de mar…

Céu com traços em tons de ouro, pinceladas de bronze e relevos de cobre


Que sonho este em que ocorre colorir o céu com traços em tons de ouro, pinceladas de bronze, relevos de cobre, sobre o escuro das rochas costeiras e o cintilar alaranjado das águas quase quietas, onde paira o barco rumo a norte, com tantas histórias a marinar…

pôr do Sol Leça da Palmeira.jpg

Devaneio meu que se tornou tela de luz com tons cálidos, espelho de domingo de janeiro, frio, mas com aquele sabor a Matosinhos, revisitado, a cada regresso!

Do areal, olhando para o astro que se oculta do lado de lá do mundo, apressado, no fio de mar, atiçando o despertar…

Aperto o agasalho, quase noite, mesmo!

pôr do Sol Leça da Palmeira02.jpg

É hora de um café quente, com torrada, na confeitaria da esquina, à meia-luz!

05
Jan24

Reverência à mãe-natureza

Ousadia de saborearmos tudo, que privilégio!


Ilha Graciosa baleia rochosa.jpg

Ofegante pela subida, no cimo do penhasco voltado ao mar, olhos postos no farol, aquele objeto mágico que fascina, que se destaca nesta vista quase lunar, de tons de argila, rochas descomunais e texturas movediças.

Farol da Ilha Graciosa3.jpg

Nesta atlântida, o ar que se respira é uma delícia, em cada travo, uma mescla marinha, fresca, com pedaços de solo vulcânico, morno, não longe de campos agrícolas onde pastam os gados das touradas à corda.

Olhando o mar lá no abismo, rosnando de encontro às rochas, sentimo-nos exíguos, guardamos reverência à magnificência da mãe-natureza…

É magia!

É tempo de descansar, caminhando pé ante pé no sobe e desce do cenário ondulante da arriba que nos surpreende em cada relance, com plantas de formas estranhas ou aquelas linhas desenhadas nas rochas, além, no mar, pelos caprichos da erosão sob a forma de uma baleia, um ex-libris da ilha, para ver de todos os ângulos, em admiração.

Farol da Ilha Graciosa2.jpg

No topo de farol, como na Ilha da Fantasia, lá do alto, com ventania, de onde aponta o foco de luz aos veleiros, a vertigem de ver tudo, como um alcatraz, de asas abertas, sobrevoando em círculos…

Uma volta de 180 graus, com tempo para os sentidos todos, em êxtase, absorverem cada porção cénica.

Do mar turquesa, ao interior da ilha ornamentado com belos moinhos e muros de pedra negra, tanta coisa para a nossa memória guardar, num manjar para os sentidos que quase nos empanturra.

Farol da Ilha Graciosa5.jpg

Sim, cheiramos o oceano infinito e o campo, imaginamos os mil focos de luz do farol apontados às noites de nevoeiro, os mosaicos de verde dos prados e os traços da costa, em rebuliço.

Saboreamos o sal no vento marinho, escorre no rosto a maresia e, sorrindo, levamos as mãos ao rosto para sentirmos que tudo é real!

Somos pequenos, pessoas, mas temos a ousadia de saborearmos tudo, que privilégio!

Somos do tamanho de gente, ante a grandeza da natureza, à procura do farol que nos ilumine e guie, na barca da vida…

14
Nov23

Caminhos assim!

Nosso planeta que brota vida, em rebentos de paz!


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O mar, a terra, o céu, as plantas, as rochas, o homem e tanto mais – o nosso planeta que brota vida, em rebentos de paz!

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Que belo é, tão perfeito, mas de tão frágil equilíbrio, como uma tela de Michelangelo, que não devemos tocar, apenas admirar! Contemplá-lo em todo o seu esplendor é um privilégio, uma dádiva divina, e preservá-lo um encargo que nos obriga a todos, sempre!

O mar, o chão, o céu, as plantas, as rochas, o Homem e tanto mais – o nosso Planeta Terra que brota vida, em rebentos de paz!

Contemplá-lo em todo o seu esplendor, como Charles Darwin ou Carl Sagan fizeram, é um privilégio, uma dádiva divina, e preservá-lo um encargo que nos obriga a todos, sempre alerta, neste farol de vigia!

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Sintamo-nos parte dele, porque nas águas do oceano e no azul do céu nos revemos, não perfeitos como aqueles poemas, mas o quão imperfeitos, outrossim, para deles, em redenção, sermos merecedores, geração após geração!

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15
Mai23

Recantos subtis da Graciosa

Da bela Ilha branca


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Na Graciosa, para onde apontarmos a vista, chamamos o mar que beija as rochas costeiras...

Ilha Graciosa Açores05.jpg

São tantas as cores, tantos os recortes, tantos os contrastes, da serra Branca até às ondas do mar, no sul da ilha, que a vista se faz curta para alcançar tanto prazer junto, num pedacinho de esmeralda tão graciosa, no meio deste oceano atrevido, que ora interpela, ora nos embala com doçura, à espera, por certo, de sermos felizes!

 

02
Mar23

Do areal dourado, voltar a navegar

Por mares turquesa, tantos, por conquistar!


Algarve praia da Falésia Vila Moura.jpg

A jornada é feita de avanços e recuos, derrotas e vitórias, como o vai e vem sem parar das ondas do mar!

Por vezes, o veleiro de casco afetado e velas esfarrapadas tem de procurar um porto, em praia segura, deixando nuvens cinzentas.

Depois, de convés refeito, do areal dourado, voltar a navegar, aos sete ventos, em tantas venturas, por mares turquesa, por conquistar!

 

12
Mar22

Cinco sentidos!

Esperança, brumas das Atlântidas


Açores Ilhas das Flores poer do sol.jpg

Tato, poder alma de outrem afagar; Tato, dedilhar-lhe o coração; Tato, olhos sem brilho enxugar; Tato, abraço de pai em rebento filho; Tato, percorrer pele sem destino, volúpia; Tato, cama sôfrega ou dar a mão!

 

Olfato, prados de aroma em Sol maior; Olfato, fragrâncias do corpo doce de amoras; Olfato, entender cada flor carmesim, Afrodite até ser dia; Olfato, abrir cacifos de música em cristal; Olfato, desnudar de papoila, em pátio de Córdova, peito cheio...

 

Paladar, como vida, ora doce, ora sem graça; Paladar, sabor a framboesa coberta de agridoce; Paladar, manjar de castanha, espírito Luso, o fado; Paladar, gelado de manga, em dança de bombons! Paladar, amêndoas recobertas de mel, após frutos do mar!

 

Audição, aquele flautim de palpitações da vida; Audição, queixumes, contrabaixo sem voz, só dor; Audição, em León, delírio de Kitaro que serena; Audição, sinos de Mafra que atiçam seres sem flama; Audição, liras de assombros ou violinos de amor!

 

Visão, Cosmos na penumbra da sorte; Visão, ver rimas de afetos na autora; Visão, esperança nas brumas das Atlântidas, cabelos à maresia no canal; Visão, nos feitiços da Lua os fragmentos d`alma;

Visão, palatos, partituras, odores de centeio, sermos maiores!

 

Armindo Mendes, 12 de março de 2022

nacer so sol Ilha das Flores.jpg

07
Out21

Num mar ao avesso?


mar salgado.jpg

Sentado numa rocha vejo a luz do meu mar

Estou ali, só, e vejo a minha pele descoberta

A água é sal que chega para a dor atiçar

A maresia de Norte com a alga partiu para parte incerta?

 

O Norte, como a estrela, diz-se, é o rumo ao polo certo

Mas como é o polo do Norte ou do Sul num mundo ao avesso?

O sol na linha do horizonte à espreita da Boa Esperança ou do deserto

A tempestade trará a bonança? É como eu, trovador, assim peço.

 

No meu mar vejo marujos e sereias envoltos em papoilas e malmequeres

No meu mar salgado vejo montanhas verdejantes pintadas de cerejeiras

No meu mar vejo rios, vejo os acasos serem fecundos para todos e quaisquer

No meu mar há corações sem sangrar para sorrirem nas floreiras.

 

Armindo Mendes

02
Set21

Mais um castelo na areia


praia.jpg

Recordando uma manhã que há pouco despertara e nela encontrara uma serenidade imensa.

Peito aberto, sentia a brisa que embalsamava a alma. Sentado numa espécie de lençol de areia dourada, olhava o mar, de azul atlântico, que sempre me embalava o olhar.

Papá, papá! – era o meu filho, que chamava para mais uma brincadeira. Sem querer, a criança pusera fim a um momento de deleite. Mas, não faz mal, a voz terna do menino e um sorriso arrebatador já impelira o progenitor para o prazer de brincar com o filho que tanto ama.

Nasceu então mais um castelo na areia...

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