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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

20
Jan23

Grandes músicas, eternas


Armindo Mendes

“Once Upon a Time in the West” é uma das grandes músicas da banda sonora do ‘Western’ com o mesmo nome, realizado em 1968, por Sergio Leone, com banda sonora do inesquecível Ennio Morricone.

Esta composição musical, que tem muitas versões, é uma das mais belas melodias alguma vez criadas por um ser humano, na minha humilde opinião.

Esta versão, interpretada por Benedetta Caretta, está entre as mais bem conseguidas, para ouvir muitas vezes e deixarmo-nos ir até onde a alma de um mortal quiser, quem sabe: Era uma vez no Oeste.

30
Dez22

Kitaro, no tapete voador

Começou aí uma paixão para a vida


Armindo Mendes

Capa de disco de Kitaro copiar.jpg

Nos últimos anos da década das cores garridas, os 80's do século passado, quando ‘teenager’ ainda, ensaiava as lides da rádio e idealizava ser “jornalista”, descobri algo que me tocou e que, ainda hoje, de certa forma, faz parte da minha pessoa: a música de Kitaro…

De passagem, apressado, da redação para o estúdio 1, para ler o noticiário do meio-dia, ouvi algo que me despertou: um som especial, doce, sereno, que saía do estúdio 2, então de porta entreaberta. Quedei-me, por segundos, deliciado, para depois seguir para a leitura das notícias do dia, “armado” em jornalista.

Minutos depois, de regresso, entrei no estúdio 2, onde ainda se ouvia aquela sonoridade. Um colega, de cabelos grisalhos, tocava um disco de vinil, enquanto, concentrado nos potenciómetros de uma mesa de mistura, gravava uma cassete num deck Technics.

Perguntei-lhe que música mágica era aquela. Logo retorquiu, questionando-me se eu gostava. Sorri e, prontamente, disse-lhe que não gostava nada, que adorava, tanto!

O Nelinho, assim se chamava o senhor, disse-me então, de peito feito e voz grave, que se tratava de Kitaro, um tal japonês que compunha música instrumental eletrónica.

Ali fiquei, em silêncio, mais uns minutos, deliciado, a ouvir uns excertos e admirando a capa do disco com carateres orientais.

Pedi-lhe, depois, com certo receio, que me emprestasse a cassete que acabara de gravar no estúdio a partir de um disco de vinil chamado “Silver Coud”, de 1984, para que eu pudesse levar para casa, na hora de almoço, e copiá-la para mim, o que acedeu, para minha surpresa.

Assim fiz.

Em casa, preparei uma cópia no meu Hi-Fi, escolhendo uma cassete TDK de crómio, de ótima qualidade, que, entretanto, comprara numa loja.

Ao final da tarde, regressado a casa, sentei-me no sofá da sala. Ansioso, liguei a aparelhagem, acionando o “play” da cassete que gravara na hora de almoço com a música “especial” do tal nipónico.

Com um volume generoso, devorei as músicas, deliciado com aquela sonoridade tão fresca, que mesclava, de maneira inédita, sintetizadores, instrumentos clássicos e até alguns sons da natureza, como o vento e o mar, em melodias suaves que me enchiam a alma até às entranhas. Eu não sabia, mas vivenciava, então, alguns dos momentos mais doces da minha existência, sob a forma de arrepios.

E, lá fora, a chuva batia na vidraça da janela, naquele dia cinzentão, para meu encantamento, olhando a automotora passar...

O terceiro tema daquele incrível álbum, intitulado “Dreams Like”, foi o que mais me apaixonou. Que beleza, que subtileza, que envolvência! Um festival para os meus sentidos exacerbados pela adolescência, uma viagem no éter, flutuando por entre nuvens e estrelas, como se via na capa do disco, em cartão, cheirando a novo, sonhando ser feliz um dia, numa estranha utopia, premonição aquela de um poeta sem jeito!

A noite chegara corrediça e, como fazia muitas vezes, deitado na alcatifa da sala, apagava as luzes e, envolvo numa manta fofinha e umas quantas almofadas, colocava os auscultadores, ouvindo a cassete vezes sem conta, soçobrado, olhando as luzes do Hi-Fi subindo e descendo, sem pressa, ao ritmo da harmonia, como o carrossel mágico do Franjinhas.

A minha mãe abria a porta da sala para ver se eu estava bem. Eu sorria, levantava a mão e ela sabia que eu estava no meu mundo, sozinho, como quase sempre, ouvindo aquelas músicas esquisitas.

Que prazer aquele, que hoje recordo aqui, ouvindo o vinil desta historieta, que fui buscar ao baú, enquanto escrevo estas letras sem graça, só para mim, à beira de mim, porque, egoísta, me apetece!

E foi esse vinil que procurei dias depois numa discoteca (loja que vendia discos) em Guimarães, onde eu costumava comprar os meus tesourrinhos. Peguei na cassete e, na loja, pedi ao senhor que a pusesse a tocar.

Quando ouviu, olhou-me e, orgulhoso, disse que conhecia, que era Kitaro, um "músico tipo Vangelis", disse, logo me levando a uma prateleira, onde lá estava o famoso disco, este que agora gira no meu cantinho, como há 34 anos!!! 

Fiquei extasiado. Comprei o LP (capa deste post) e logo perguntei se tinha mais algum disco de Kitaro.

Disse que não, mas que podia mandar vir, importados do estrangeiro, os que eu escolhesse num catálogo da “Polidor”, que me mostrou, para meu deleite.

Começou aí uma paixão para a vida, a minha, sim!

Desde então, comecei a minha coleção. Primeiro em LP, mais tarde em CD e também em DVD, o primeiro dos quais trazido de Macau, por um amigo radialista.

Hoje tenho dezenas, que guardo, com carinho, apesar de agora ouvir quase sempre em formato digital, no Spotify ligado ao meu sistema de áudio. Mas quando o faço em vinil é algo mágico, que só um tipo desinteressante e 'démodé', como eu, sabe degustar.

Na minha coleção, são muitas viagens pelas diferentes abordagens musicais de Kitaro, ao longo da sua longa carreira, com influências de várias culturas, orientais e ocidentais.

Mas são os seus primeiros discos os que mais gosto, apesar de ainda hoje compor melodias maravilhosas.

O álbum “Dream”, de 1992, é, para mim, o disco mais completo, de um Kitaro já maduro, dono de uma capacidade sobre-humana. A música “Lady of Dreams”, vocalmente interpretada por Jon Anderson, que também cantou para Vangelis, é um hino ao amor e à vida, uma obra de arte eterna, entre outras lindíssimas desta ode.

Muitos anos depois do primeiro contacto com Kitaro, já no final da década de 90, assisti a um concerto dele, em Leon, Espanha, intitulado “An enchanted evening”, naquela que foi, quiçá, uma das noites mais encantadas e intensas da minha vida! Que concerto espantoso num teatro muito bonito!

Por agora, já cinquentão, vou revisitando regularmente a obra daquele extraordinário compositor, que hoje tem milhões de fans em todo o mundo, apesar de nunca ter sido um artista de massas!

Só um “a-propósito”: Gosto de ouvir Kitaro de pijama e robe, no meu espaço predileto, como agora, onde tenho o meu equipamento de som e a carpete sempre prontos para momentos a solo, na melhor companhia – aquela para onde a imaginação iluminar o  espírito, no tapete voador, das mil e uma noites.

Armindo Mendes - 30-12-2022

 

 

 

31
Out22

Até onde a chama houver...

... numa ode ao deleite dos sentidos...


Armindo Mendes

... dos dedos agitados do guitarrista, da subtileza que afaga a harpa, da voz do tenor que se ergue para lá do comum-mortal, do requinte do xilofone ou do sopro de prata do trompetista transpiram ecos, como os gemidos do violino e os graves da bateria que calam o silêncio da superficialidade, como a pena do escritor que rabisca à luz da vela com palavras de narrativas uma folha branca, para a transformar num soneto de belas rimas ou numa ode ao deleite dos sentidos, da contemplação, da imaginação de contextos, de amores arrebatadores, que até as telas de cinema obsequiam em grandes produções que só a sétima das artes ousa fazer, num clímax de emoções, até onde a chama houver...

07
Ago22

Eu, menino, registei!

Abrandei, acabando por me quedar, sentado no empedrado junto à porta, abrigado da canícula, ouvindo


Armindo Mendes

Cravo de abril.jpg

Saí de casa, calção azul marinho vestido, sandálias nos pés, num outono, quente ainda.

Camisa meia-manga, amarelo torrado, de colarinhos abastados, banhinho dado, perfumado, penteadinho pela mamã, sacola da escola às costas, com livros e cadernos a cheirar a novos e lápis bem afiados. Ainda lembro aquele cheiro.

Sorriso nos dentes, um friozinho na barriga, menino petiz eu era, de partida para nova odisseia!

Era o primeiro dia da escola, onde iria finalmente apender a ler letras, o que tanto desejava.

Já não teria de pedir à mãe ou ao pai para me dizerem o que estava escrito nos letreiros das lojas.

Eu sabia que era um dia importante, porque disso falara antes com o meu pai, que, ao levantar da cama, lavando os dentes comigo, me encorajou com a sua voz serena para mim.

“Vai correr bem, Mindocas!”, disse, afagando-me o cabelo preto.

Já rua acima, caminhava feliz no empedrado da rua da Moura, onde habitualmente jogava à bola e outras brincadeiras, a caminho da escola da Ressa, olhando, ouvindo as folhas que pisava, cheirando, sentindo tudo à minha volta, sem saber, prelúdio de comportamento para uma vida vindoura.

Lembro o casario da aldeia, de paredes de granito, os carros que passavam, as motorizadas que largavam fumo e as mulheres que, apressadas, varriam a soleira das casas, de portas abertas, como era costume, para depois irem para a fábrica, em grupos.

À passagem, algumas sorriam para mim e acenavam, pedindo para eu ter cuidado com os carros!

Sabiam que eu ia para a escola, pois eu exibia, orgulhoso, a sacola com a imagem do Sandokan – o herói do momento - que o meu pai me ofertara, na véspera, numa ida a Guimarães.

Tudo me parecia intenso, as ramadas com uvas pintadas, as árvores de tons quentes, as fábricas no horizonte com suas altas chaminés de tijolos, os portões grandes da casa da Pena Amarela, o gado pastando no campo do Barreiro, antes de chegar ao Penedo, lugar de muitas casas baixinhas, de poucas assoalhadas, onde vivam as famílias de operariado do Vale do Ave, gente humilde, trabalhadora, de muitos filhos, como eu e tantos meninos, dos idos 70`s.

Em certas casas, as janelas tinham malgas com marmelada e as portas de madeira estavam franqueadas devido ao calor. Muitos viam televisão, a Escrava Isaura, telenovela brasileira que dava nos ecrãs a preto e branco àquelas horas no segundo canal, outros ouviam rádio, a Renascença, talvez.

Os sons atraíam a minha atenção e, caminhando, ia espreitando para dentro das casas, à procura de algo.

No bolso levava uns rebuçados de café, que ia chupando.

E, à direita, no caminho, no início da rua da escola, houve uma casa de onde saía uma melodia que eu gostava muito, porque, às vezes, tocava no rádio do carro do pai.

Abrandei, acabando por me quedar, sentado no empedrado junto à porta, abrigado da canícula, ouvindo “Depois do adeus”, interpretada por Paulo de Carvalho, num volume generoso.

Brincando com as pedrinhas da calçada com um pau que encontrara, enquanto magotes de garotos passavam, degustava cada acorde, procurava entender cada palavra da letra, que me soava difícil!

“Quis saber quem sou, o que faço aqui…”, soava a canção, que me interpelava.

Fiquei por ali uns minutos, até acabar a música, que era épica, sem eu saber!

Sem vontade, levantei-me e retomei a caminhada, cantarolando a melodia, o que me embalou até à escola, onde fui chamado por uma senhora para me dirigir a uma sala e vestir uma bata branca, com o meu nome bordado, que trazia na sacola.

Oficialmente, começara o meu primeiro dia de escola, sentado numa carteira de madeira gasta pelo tempo, olhando a minha primeira professora, a dona Virgínia, uma jovem sentada numa secretária onde se podia ver um jarro com flores cheirosas.

A professora era meiga e sorriu para mim, mas aquela música ressoava ainda no meu consciente…

Ao fim da tarde, no regresso, passando de novo pela casa, a porta estava fechada e não se ouvia nada, o que me deixou tristonho. Nos dias seguintes, a música não tocou!

 

Anos depois, já adolescente, entendi a música e um dos seus significados.

Fora, como se sabe, o sinal usado, no Rádio Clube Português, para, a partir dos quartéis, o início de rebelião dos capitães de abril de 1974, na Revolução dos Cravos, que ditou a liberdade, com a qual me fiz homem!

 

Hoje, sempre que ouço “E depois do Adeus”, vêm-me à memória aquelas sensações, daquele início de tarde de outono, poucos anos depois da revolução, quando ouvi a canção de abril, com tanta emoção, embora, menino ainda, desconhecendo sua importância histórica.

Mas aconteceu na minha terra natal e eu, menino, inscrevi na minha memória, para todo o sempre!

21
Mai22

Vangelis - partiu um dos meus heróis

Vangelis era um visionário!


Armindo Mendes

Vangelis capa.jpg

Na quinta-feira, 19 de maio de 2022, morreu Vangelis, com 79 anos.

Foi um choque para mim, porque era um dos meus heróis!!!

Por isso, só hoje, sábado, consigo escrever estas letras, de coração apertado!

“Hymn”, do álbum “L'opéra sauvage”, de 1979, que foi genérico de um programa televisivo com o mesmo nome, foi e é o meu tema preferido do autor: um hino à vida, um espelho para mim!

Vangelis era um visionário! A sua música acompanhou-me, praticamente, toda a vida.

Desde criança que me habituei à sua sonoridade, à sua melodia, à sua espiritualidade, ao seu caráter visionário no panorama artístico.

Tantos e tão belos momentos proporcionados pela música maravilhosa do enorme e incomparável Vangelis.

Muito pequeno ainda, eu já era um apaixonado pela música eletrónica, um estilo repleto de sintetizadores, que teve nos anos 70 do século passado uma enorme importância para aquilo que é a música hoje, com Vangelis como uma das suas estrelas maiores.

Comecei muito cedo a adquirir os seus discos, primeiro em vinil, mais tarde em CD e DVD. Tenho dezenas deles na minha coleção!

Usei-os na rádio, quando fui autor de programas radiofónicos. Algumas das músicas do compositor grego até foram genéricos de rubricas, cujos textos e por vezes locução foram assinados por mim nos tempos da rádio.

Chariots of Fire, de 1981, Blade Runner, de 1982, Conquest of Paradise, de 1992, e Alexander, de 2004, foram algumas das suas obras-primas para cinema. Outros discos foram espetaculares, nomeadamente os realizados com o vocalista Jon Adernson, com destaque para Friends of Mr. Cairo, uma obra-prima!

A premiada série “Cosmos”, de Carl Sagan, que eu adorava em criança, tinha como genérico um tema de Vangelis e o famoso programa radiofónico Oceano Pacífico também abria com uma composição do compositor helénico.

Costumo dizer que pessoas como Vangelis e outros talentosos criadores nunca morrem, porque, quando partem, deixam as suas obras para perpetuar em todos nós a sua mestria, que me inspirou em tantos momentos criativos, à frente de uma máquina de escrever!

Vangelis e a sua portentosa obra, com tantas nuances e estilos, deixam um vazio enorme, mas ficarão no meu coração.

A melhor forma de sublinharmos o seu legado é continuarmos a ouvir as suas extraordinárias composições, como faço quando escrevo estas linhas!

Obrigado, Vangelis!!! Descansa em paz!

 

 

16
Mar22

Na música das artes...


Armindo Mendes

... A música é uma das seis artes clássicas e o que de mais belo convoca um dos cinco sentidos humanos: a audição - um carreiro para a nossa alma.

A clave de sol abre alas para a pauta das notas em partituras de sopro, voz, cordas, percussão e eletrónica que a batuta do maestro cadencia.

Há séculos idos, a criatividade humana criou a magia da música.

Como o pintor renascentista na tela, o ator de, toga, no coliseu de Roma ou Mérida, declamando Omero, ou o escultor de Creta no mármore dando forma a Ulisses, o compositor imagina e pinta ressonâncias, dá linhas de melodias a uma amálgama de notas musicais, dó, ré, mi, tão sabiamente encadeadas que resulta em fá, sol, lá, quais obras-primas, como as valsas, as sinfonias, os fados ou as óperas dos autores clássicos, e até no pop-rock dos nossos tempos, numa linguagem universal, de Behtovan a  Pink Floyd, que escusa legendas e une os povos à volta de uma canção de amor, de uma trova que exalta valores, um hino trauteado em todas as latitudes geográficas e de peitos de aquém e além mar, não importa a cor da pele ou o credo.

Dos dedos agitados do guitarrista, da subtileza que afaga a harpa, da voz do tenor que se ergue para lá do comum-mortal, do requinte do xilofone ou do sopro de prata do trompetista transpiram ecos, como os gemidos do violino e os graves da bateria que calam o silêncio da superficialidade, como a pena do escritor que rabisca à luz da vela com palavras de narrativas uma folha branca, para a transformar num soneto de belas rimas ou numa ode ao deleite dos sentidos, da contemplação, da imaginação de contextos, de amores arrebatadores, que até as telas de cinema obsequiam em grandes produções que só a sétima das artes ousa fazer, num clímax de emoções, até onde a chama houver.

É a dança das artes que no palco dos vivos e dos nossos maiores já partidos, com alma, rasga a banalidade, que faz de nós seres com pracetas de estilos vários, que, nas calçadas da nossa quietude, à lareira ou na margem do riacho, clamam por ritmos, cores, declamações a partir do Restelo, ou poemas, sermões aos peixes e outras linguagens para os sentidos, esses, os nossos pelo coração ligados, que dão sentido à vida, que nos tocam o âmago, como uma música, a da nossa vida, que nos tatua a alma, como um campo de malmequeres que ondulam ao vento, por entre a neblina fresca da alvorada ou páginas de um livro aberto ou uma tela de Van Gogh, em tons ora pastel ora arco-íris.

A música é contemplação e o janelo para olharmos com os ouvidos, de peito feito, para o milagre de sentirmos, de existirmos...

12
Fev22

Há músicas assim, que nos conquistam!


Armindo Mendes

Como as caravanas da Rota da Seda que, na idade média, das trevas e das pesters, carregavam o tecido que encantava as belas mulheres de senhores da guerra abastados, a música de Kitaro é sinónimo de encanto, prazer, volúpia, calor - convite à contemplação, à paz, sem nunca mais acabar, haja tempo para o tempo da atenção que precisamos, sabendo que o tempo do afeto não tem o tempo que as páginas do tempoexigiam!

29
Dez21

Músicas que marcam uma geração


Armindo Mendes

Há músicas intemporais, que nos acompanham ao longo dos anos, umas vezes porque as associamos a momentos especiais das nossas vidas que queremos de alguma maneira perpetuar na nossa memória, outras, simplesmente, por serem tão bonitas, que nos proporcionam um prazer imenso ouvi-las, como esta de Joan Baez – “Diamonds and Rust”, que me remete para os tempos de menino, nos 70`s, quando ouvia no rádio do carro com os meus pais.

20
Dez21

BJH - The butterfly band


Armindo Mendes

Que belas músicas e letras compuseram e interpretaram os Barclay James Harvest (BJH) ao longo da sua longa carreira, uma banda que sempre usou o singelo inseto borboleta como seu símbolo, traduzindo a sensibilidade que os seus membros sempre manifestaram com temas que encheram a alma de tantos apreciadores.

Nas capas dos seus discos o nos cenários dos seus concertos não podia faltar a borboleta!

Ouvi-los, nas suas diferentes fases e abordagens estilísticas, proporciona-me um prazer imenso e sempre renovado há tanto tempo, que já nem me lembro!!!

Letras profundas e melodias deliciosas, sobretudo nas suas baladas, são o denominador comum de 30 anos de canções que guardo em dezenas de CDs, DVDs e vinis, uma coleção iniciada na minha adolescência e tão especial quanto a admiração que tenho pela obra da banda.

Borboleta foto.jpg

FOTO: Armindo Mendes

“Child Of The Universe” é uma das composições mais conhecidas dos BJH e uma das mais apreciadas nas suas atuações ao vivo, como esta em Berlim no início da década de 80, "A Concert For The People", um dos período áureos da banda.

 

 

 

12
Dez21

Solidão, com tanta gente


Armindo Mendes

Algumas músicas, tocam para o mundo, outras tocam só para nós, não sabemos bem porquê, marcam o percurso de um alento, convidam-nos, esta noite, a revisitar os nossos heróis do passado mais profundo, abrindo os cortinados da alma ou as chuvas que já caíram, os rios que já se debruçaram no oceano.

Os castelos romanos já caídos, as citânias que são guardiãs do pretérito, onde ainda cheiramos suores celtas do noroeste peninsular – nós!

Os ritmos das baladas são tão como nós, que nos confundimos com eles, em encruzilhadas de sopros e cordas que tocam para o mundo, que nos bafejam o rosto, como acordes que balanceiam as folhagens do grande carvalho da aldeia que afaga o moinho dos murmúrios e que deixa por onde passamos um tapete de tons de outono que pisamos ontem, hoje e amanhã, num caminhar lento que sucumbe à vontade de, simplesmente, nos deixarmos planar sobre a cascata.

Para podermos inspirar o ar do bosque e olharmos em redor, como esvoaçando, saboreando o prazer sem graça de estarmos a olhar, com argúcia de felino, para lá do que vemos, num exercício turvo de solidão, com tanta gente.

 

15
Nov21

Há muito que não ouvia esta música tão bonita


Armindo Mendes

Há dias, quando conduzia ouvi este tema no carro, numa rádio local. Foi fantástico recordar de novo! Subi o volume e ouvi cada segundo com prazer imenso, algures entre Penafiel e Amarante. É um tema fantástico dos Alcoolémia, de 1999, com arranjos lidíssimos e uma letra muito especial, para ouvir muitas vezes seguidas, como eu faço!

Permite recuar no tempo, lembrando quando tudo era analógico, do mundo em que cresci!

Aqui para ouvir no Spotify, com excelente qualidade de som: 

Alcoolémia "Até onde posso ir"

30
Set21

Na atmosfera das emoções dos Barclay James Harvest


Armindo Mendes

Les Holroyd.jpg

'Missing You' é um dos temas escritos, a solo, por Les Holroyd, um dos dois compositores dos Barclay James Harvest (BJH), a banda britânica que surgiu no final da década de 60 do século passado e teve mais de 30 anos de carreira, com dezenas de discos gravados, terminando em meados dos anos 90, com o álbum "River of Dreams".

Les Holroyd, que era o baixista e um dos vocalistas, continuou, felizmente, a atuar ao vivo com um grupo de músicos e, sobretudo, a compor músicas belíssimas, como esta que ouço tantas vezes, com uma sonoridade e uma letra que nos colocam, sem esforço, na atmosfera das emoções dos Barclay James Harvest, a banda da minha vida, que ouço, sem cansar, desde os tempos da minha adolescência.

 

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  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D