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Marca d'Água

Marca d'Água

01
Jan26

“Pan-traim”, do passado, sonhando por décadas...


 

Sigo Edward Simoni, músico de origem polca que interpreta este “Pan-traim”, desde a minha juventude.

Esta melodia, aos meus sentidos, cheira a mar, aos frescos nevoeiros matinais dos setembros e espelha as cores das areias da Póvoa de Varzim dos anos oitenta, quando a pele bronzeava degustando uma “língua da sogra! “Chora, chora, chora, que a mãezinha dá”, gritava o vendedor de cabelo grisalhos, todo vestido de branco, que passava entre os corredores das barracas coloridas…provocando risos nos veraneantes que o saudavam todas as manhãs…

São tantos e belos os temas de Edward Simoni que me fazem arrepiar. Poderia aqui referir vários, todos lindíssimos!

Edward Simoni é autor de inúmeros discos, mas este tema será, porventura, o que mais me faz sonhar, porque o ouvi pela primeira vez, quando estava de férias, na Póvoa de Varzim, remetendo para momentos da minha adolescência, no Passeio Alegre… onde todos caminhávamos felizes!

Havia comprado esse disco numa loja (foi amor à primeira vista quando o ouvi lá), na rua da Junqueira, a mais “especial” da urbe poveira para os da minha geração, onde havia quiosques que vendiam gelados, pastelarias com saborosos mil-folhas e muito comércio para gáudio das senhoras, co o a minha mãe Camila, mas também uma pequena uma loja que vendia miniaturas de automóveis.

Anos antes, quando criança, do lado e fora dessa montra, parara tantas vezes olhando um “carrinho” muito especial, que me encantava, que o meu pai Joaquim acabou por me oferecer quando percebeu o meu fascínio…

Sobre o disco de Edward Simoni, que tocou, tocou, tocou, recordo de o ouvir deitado no sofá, dormitando às vezes, só despertando quando terminava uma das partes e tinha de me levantar para o virar para o lado B. Coisas do passado! Depois voltava e partia de novo, deixando-me levar pela suavidade das melodias…

Ou no meu quarto, tocando numa K7 que tinha gravado a partir do disco para ouvir num pequeno rádio que tinha na mesinha de cabeceira…

Esse disco ainda cá “mora” em casa, guardado com muito carinho na minha coleção “retro” de vinil. Mais tarde, adquiri a versão em CD, com um som mais refinado, mas talvez sem a chama e fantasia do já quarentão de vinil…

Que bom recordar! É docinho, sabe a morangos com chantilly…

 

 

 

01
Mai25

As músicas da “playlist” da vida, a minha!

Ouvindo Tó Neto ... Recordando quimeras, nas cores garridas dos 80`s, que nos faziam felizes...


Eis uma música “maior” que me marcou, na transição da infância para a adolescência, no longínquo e marcante ano de 1983, quando ainda havia o comboio que passava em Fafe e me acordava todas as manhãs quando apitava!

Nesse ano mudara-me, com a família, de Guimarães, minha querida terra natal, para a então vila de Fafe, que me recebeu de braços abertos e onde fui tão feliz!

 

 

Esta extraordinária composição harmónica do português Tó Neto, já falecido, reflete uma tendência daquela época, quando a música eletrónica brilhava, para gáudio dos apreciadores, como eu, que se deleitavam com as séries e filmes de ficção científica a preto e branco, como a Guerra das Estrelas, o Espaço 1999 e, mais tarde, já a cores, a saudosa epopeia da Galáctica, que nos reunia a quase todos da nossa geração, cada sábado à tarde, à frente da caixa mágica. Era tão bom!!!

 

Porque recordar é viver, revisito de vez em quando esta bela melodia, do tempo do analógico LP e das cassetes, ouvindo-a vezes seguidas, de olhos voltados para dentro, em crescendo, para maximizar os sentidos da alma, que se embevece num banquete de arrepios, sorrisos e até lágrimas de saudades dos idos, como o meu querido pai Joaquim e a minha querida mãe Camila, que nos molham o rosto… e cujo sal saboreamos, num estranho exercício de masoquismo... ao qual não resistimos...

 

Nesses instantes em que estamos calados, ouvindo cada acorde, posso sem dificuldade, em imagens em alta-definição impregnadas numa memória de décadas passadas, regressar a um tempo em que fui feliz, na ignorância… da inocência...

 

E por lá ficar algum tempo, na varanda da casa dos meus pais, de tronco nu, cabelos longos ao vento, numa tarde de verão, quando, ao lado meu saudoso cãozinho, o Fiel, que afagava, lia bandas desenhadas do Major Alvega e livros das Aventuras do Cinco, enquanto contava os dias para, em setembro, ir para a Póvoa de Varzim, de férias… e ali tomar banhos de sol lendo o Autosport ou o Comércio do Porto, onde mais tarde acabei por trabalhar.

Era uma vida simples, sem luxos, mas repleta de sonhos singelos, de menino que ainda era, quando íamos ao cinema ao domingo à tarde com os amigos, comíamos uma broa de mel no bar do liceu, uma bola de Berlim acabadinha de fazer na padaria do sítio e bebíamos um Sumol fresquinho na esplanada da Arcada, vendo as miúdas passar, para lançar uns piropos sem maldade... rindo sem parar a cada anedota que um amigo contava...

 

E essas quimeras, nas cores garridas dos 80`s, que nos faziam felizes, foram partindo, corroídas pelo tempo, numa sociedade apressada que foi ganhando espaço nas décadas vindouras, arbitrária, de aparências, sem pachorra para as lamechices dos que, como eu, ousam ser assim… mais vagarosos…

 

Resta o privilégio de poder, sempre que houver tempo, com o volume que nos aprouver, saborear estas e outras músicas da “playlist” da vida, a minha, de cada um... 

20
Nov23

Das Crianças da Ressa que fomos e somos… Crianças para sempre!

No cimo do pequeno monte, onde quase não havia casas…


Era uma vez, quando o país respirava as convulsões políticas no período pós 25 de abril de 1974, quando as televisões eram a preto e branco, quando as calças eram do tipo "boca de sino", quando os rádios emitiam em onda média, quando o Marco Paulo tinha dois amores e quando toda a gente se acotovelava nos cafés para ver a telenovela Gabriela ou o festival da canção da RTP, com o “Sobe, sobe, balão sobe”… 

grupo escola da Ressa.jpg

Terminaram as férias grandes, ainda faz algum calor, mas é quase outono, lá na escola da Ressa… no cimo do pequeno monte, onde quase não havia casas…

Quase cheira a castanhas assadas, dos magustos ou a broa de milho acabada de cozer no forno da casa do lavrador, ao lado da escola.

Meninas e meninos, elas de vestidinhos coloridos, eles de sandálias quase rotas… alguns de mãos dadas, em grande algazarra e correrias, naquele estradão de terra, vindos do Penedo, da Barroca, do Barreiro, da Pena Amarela, de Mouril ou da Moura e de outros recantos de Pevidém…

 

… Com aquele cheiro a eucalipto, das árvores atrás da escola, que bom chegar, de sacolas às costas, com os livros, as sebentas e os lápis… Alguns de bata branca, outros até um pouco nervosos, no primeiro e inesquecível dia de aulas!

Lá dentro das salas austeras da escola, os quadros negros, o giz branco, as tabuadas, os ditados, as redações, os temidos problemas de matemática, os rios e as serras de Portugal para decorar, mas também as nossas professoras, as nossas segundas mães, com as quais aprendemos a contar, a escrever, a fazer contas de somar e de multiplicar e a sermos, acima de tudo, boas pessoas…

 

A escola da Ressa era fria e pobre!

 

No Inverno, o vento agitava, zangado, o arvoredo em redor.

Tínhamos medo, às vezes!!!

Sim, as casas de banho eram retretes e as carteiras eram de madeira tosca e polida pelo tempo de Salazar. Mas nas janelas havia vasinhos floridos e nas paredes os mapas de Portugal, um crucifixo e o “a e i o u” com os quais aprendemos a ler…

 

Por lá, resplandecia o calor e a alegria dos corações das carinhas de crianças que éramos, dos meninos e das meninas, com tantos sonhos, que as fotografias de então, tiradas pelo meu saudoso pai, registaram para a posterioridade…

 

No recreio, jogávamos à bola, ao peão, à macaca ou líamos histórias aos quadradinhos do Pateta e do Patinhas ou as “Aventuras dos “Cinco” ...

E também se lanchava pão com marmelada, para os privilegiados…

E duas mãos cheias de quase nada, a barriga vazia talvez, para os desafortunados, que eram muitos, em tempos de um Portugal de bolsos rotos e muitas desigualdades…

 

Aquilo, em frente à escola, era um estradão, onde se brincava, às vezes enlameado, onde até passavam os carros, mas não havia medo!

O Volkswagen Carocha azul, da polícia, parava para os meninos poderem marcar o golo do Vitória!

Havia lá uma caldeira enferrujada, para a qual subíamos, para sermos índios, cowboys, tarzans, panteras cor-de-rosa, popeyes ou heidis, nas montanhas, de cabelos ao vento, como víamos, ao sábado à tarde, na série “Uma casa na Pradaria”.

 

Às vezes, ousados, subia-se ao Penedo da Lapa, ao estilo aventureiro da série “Os Pequenos Vagabundos”, onde até fizemos uma cabana com ramos de árvores e alguns farrapos, para, lá dentro, acender uma vela e o mais atrevido contar uma história de terror que fazia tremer de medo.

 

Que aventura, aquela!

 

Não havia telemóveis, tablets, email, nem redes sociais, mas havia uma vontade imensa de brincar, uma imaginação colorida para fazer aviões de papel com folhas das sebentas, andar de carrinhos de rolamentos, vestir as bonequinhas de cabelos dourados ou brincar aos doutores, meninos e meninas, em descobertas tão inocentes…

 

Aqueles meninos éramos nós, tão felizes… E não sabíamos…

 

Mas também havia aqueles dias maus, como quando as professoras davam reguadas e outros castigos, por erros nos ditados ou nas contas de dividir…

Foram circunstâncias dos costumes de então que nos fizeram crescer, sermos mais fortes, sem ressentimentos, para com esse passado e com as educadoras, às quais agradecemos, hoje, do fundo do coração, por tudo o que fizeram por nós!

 

Depois, quando acabavam as aulas, fizesse chuva ou fizesse sol, saía-se correndo, a maioria para o Penedo e para o Barreiro e para outros destinos.

À porta da escola, não estavam os carros dos papás, como agora, mas havia forças para regressar a casa, em convívio, sem cansaço, uns com os outros.

Sim, havia os deveres para fazer – hoje chamam-se trabalhos de casa – mas nada que nos fizesse perder os desenhos animados ou o “Carrossel Mágico” que dava às seis e meia da tarde, nas televisões a preto e branco.

 

O dia passava devagar naquele tempo…

 

Lá em casa, em família, havia meninas e meninos pouco abastados, mas felizes, para depois adormecerem e acordarem no dia seguinte, voltando alegres à querida escolinha da Ressa, para mais uma jornada de aprendizagem e tantas brincadeiras que se pintavam com os marcadores coloridos numa folha branca perfumada…

 

Ficaram, assim, as saudades, neste exercício de memórias que fui buscar ao meu baú grisalho, de recordações de tempos que já lá vão…

 

O tempo que passou não volta mais, mas recordar, ao estilo “Era uma Vez”, também é viver, como escreveu o poeta…

 

Meninos e Meninas fomos, hoje pais e avós somos, mas, para sempre, Crianças seremos!!!

 

Guimarães, 18 de novembro de 2023

 

19
Dez21

Numa lenda NeverEnding Story


Flores AÇORES 40 (2021_12_14 23_02_40 UTC).jpg

As palavras, como as flores e os sonhos, têm a idade, o tamanho, o tom, o cheiro, a textura, o caminho, o tempo, o idioma e as formas que queiramos!

 

São peças de Legos universais que, sentados no quarto, de meninos de calções e sandálias em tarde de veraneio vamos montando, de olhos grandes de felicidade, para criarmos carreiros imaginários e castelos encantados, com torres altaneiras e túneis secretos que percorremos em segredo, como nos Pequenos Vagabundos.

 

E quando a alma não é pequena, os castelos trajam-se com vestes de gala, bordados com linhas de ouro, botões de rosas, punhos de rendas e botins de cristal.

 

Alaúdes, tambores e flautas tocam em apoteose, abrindo alas… E lá vai o cortejo real, no casario da Rua de Santa Maria, com estandartes, cavaleiros templários de armaduras reluzentes, pajens, trovadores, alquimistas e almocreves para, com cantigas de amigo, dar cor sépia ao mundo de maravilhas que sonhamos fazer parte, num cavalo branco, o Pégaso do Olimpo, com asas de plumas, galopando entre as nuvens, até ao arco-íris do tesouro, onde já lá está o Noddy, de Enid Blyton.

 

Pelo caminho vemos Vicky, o Viking, navegando com o marinheiro Popeye, nas mil e uma aventuras de Tintim, à procura das cabanas de Tom Sawyer, das traquinices de Scooby-Doo ou atos heroicos de Flash Gordon e Robin Hood, da floresta encantada da Branca de Neve o os Sete Anões, ou dos Estrunfes que a minha memória guarda a sete chaves.

 

É tudo tão bonito e doce como as manhãs de sábado com o Verão Azul ou intenso como as tardes de Galáctica e Sandokan, e as noites de medo das metamorfoses de Maya, de Espaço 1999.

 

Férias Açores 2018 São Miguel_Santa Maria_ (335

E o cavalo branco e o seu cavaleiro, qual Zorro, Braveheart ou Lin Chung, galopam entre os nenúfares sobre o atlântico, passando pelo Barco do Amor e Moby Dick, para Oeste, até chegar às Sete Cidades, da Ilha Esmeralda, e ali, escondidos sob dos vulcões, ver os namorados que há tanto tempo choram lágrimas verdes e azuis entre a bruma, formando as duas lagoas infelizes, numa lenda 'NeverEnding Story, existir'!

 

 

 

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