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Marca d'Água

Marca d'Água

10
Abr24

(in) Certos por linhas tortas

Destino de acasos, ante o acontecer


Viagem à Terceira copiar.jpg

Longe ou perto, por milhas amiúde, os caminhos cruzados da vida que somos vão correndo (in)certos, por linhas tortas, ou nem por isso, até onde o destino de acasos, de sortilégios, nos conduzir, ante tanto mundo, de Nascente a Poente, como o Sol, de norte a sul, como a estrela dos navegantes!

Outrossim, tantos lugares-comuns, tantos ditames, olhares em redor, caíres, reergueres, interpelações do eu, tu, nós, vós, em fila, até ao último suspiro, de todos, ao janelo!

16
Dez23

Que coisa esta, alguém à cata de alento

Caem da alma, prostradas, sem animação!


Serra da Estrela riacho.jpg

Há serões assim, devaneios soçobrados ao relento

Quando falta inspiração, sobra frustração

Querer páginas para rasgar, só falta talento

Inverno! Faz frio lá fora, cá dentro, talvez ilusão

Dedos na pena, sem tinta, só descontento...

Palavas caem da alma, prostradas, sem animação!

 

As folhas brancas vão-se borrando, de cinzento

De falas mudas, sem chama, sem ópio, só desilusão

Que coisa esta, alguém à cata de alento

Fechar o dia, à noite, busca daquela canção

Ousar sons que exorcizem inquietações, como poção!

 

Estas rimas, exaustas, naufragam, aquém, nesta vaga de vento

À espera da bonança, quando o sol raiar, além, na monção!  

 

20
Nov23

Caminhos assim!

Douro: tanta água que brilha aos fios de sol


O rio Douro é uma torrente de emoções quando o olhamos com vistas de ver, do cimo da serra, entre nuvens graciosas que o saúdam, como dedos que tateiam num veludo azul-celeste, com bordos de ouro.

Paisagem Rio Douro Baião Aregos.jpg

O que vemos então? Vemos tanta água que brilha aos fios de sol, perpassando montes e vales, num leito curvilíneo, majestoso, como o rabelo, que segue até "Portus Cale".

Paisagem Rio Douro Baião Aregos02.jpg

Sob pontes do comboio, deixando para trás tantos socalcos de beleza, de miradouros com pedra de xisto, de cerejais sem fim, de ermidas e mosteiros românicos, de romances de Eça, de devaneios de Torga, ou dos néctares de Baco, sob a forma de cálices de Porto.

 

 

26
Out23

À espera do rubro fruto!

O peito maior, sabe disso


O coração dita coisas lindas...

Num mundo trajado de flores de cerejeira...

E ele, o peito maior, sabe disso...

cerejeiras em Flor fundão 042023.jpg

Só há que o abrir, palpitações, arrepios...

Sentir o travo nas entranhas!

Depois, as abelhas da Gardunha vão encimar a alma até uma colmeia de favos belos e doces...

O mel acaricia-nos, à espera do rubro fruto!

 

 

 

23
Set23

Na alma, a eito. 


Que é o teu vulto, tão sereno!  

 

O que vale uma flor?  

Vale a beleza, a singeleza...

O que vale uma pétala? 

Vale na mão, o toque, a delicadeza. 

 

Um botão de rosa é sublime, belo... 

Balsama a alma, tão bom, tê-lo!  

Fulge ao sol, amacia a pele...

No cabelo, ao vento, lindo vê-lo! 

 

Seguro nas minhas mãos, a rosa! 

Que é um vulto, tão sereno! 

Acaricio-a, peteio-a nesta prosa...

A flor ri para mim, de olhar eterno...

 

Sou sonhador nestas derivas…  

Trémulo, tomo a rosa, hoje, no meu peito. 

No bolso da minha camisa, bem ficas, 

É emoção cristalina, na minha alma, a eito. 

 

 

23
Abr22

Não são poemas, porque o sol mal espreita

Gotas de chuva, como diamantes desfocados


Tulipa preo de branco.jpg

Dedos começaram, trémulos, a rabiscar rascunho de palavras que se vão acomodando para formarem estrofes de sentimentos e devaneios cruzados, como bafejo de primavera, ora sol, ora chuva, por entre nuvens matizadas, de cinzentos em degradê.

 

Nesta folha branca, do acaso, deixo-me flutuar, com braços que me enlaçam o peito, para sentir o meu palpitar, de olhos semifechados, à meia-luz, que quase me oculta o rosto.

Não são poemas, porque o sol mal espreita e faz frio!

São prosas, afinal, estes dias sem pedigree, jornadas de espera, paciência ansiosa, no desejo que o ímpeto tempere de novo a saga de ser, que percorre cada artéria da vontade de um simples mortal.

As folhas da palmeira vão-se agitando se graça do lado de fora da janela, com a vidraça de gotas de chuva, como diamantes desfocados, e luz de inverno, como espelho do momento, um intervalo, como aguaceiro feroz, rua abaixo, na aldeia, que vai passar, para logo a tarde se trajar de amarelo torrado.

Nesta alameda da vida, desconfiado, aperto o casaco, cubro a cabeça com capuz, para me proteger de não sei o quê, como fazemos quando sonhamos a preto e branco, olhando em redor, procurando o sentido real das coisas e, em sobressalto, acordamos cansados, exaustos da correria, mas aliviados por ter acabado a sofreguidão.

23 de abril

17
Mar22

Quando a alma dos servos indaga o alento dos de além

Em barca com insígnias de paz!


Em existências como esta, com velas latinas que se obliteram sob os engulhos do destino, é quando a alma dos servos indaga o alento celeste dos de além, dos ancestrais, na prece do coração, o nosso, por clarões de esperança, por um arco-íris até ao mar da tranquilidade, azul-turquesa.

Igreja de Cortegaça.jpgFOTO: Armindo Mendes (Direitos Reservados)

Numa barca com insígnias de paz que baila aos ventos alísios, uma barca de opala com convés acolchoado com penas brancas, suprido de sustentos para os corpos e para as almas, até avistarmos, no firmamento, a constelação “Apuse”, a ave do paraíso, a apontar para a praia de areias brancas, onde espera Ariel, o arcanjo da natureza e dos animais, com açafates de salmão, pão de Deus, cocos refrescantes, uvas moscatel e papos de anjo, para sermos todos irmãos que se abraçam em gesto perpétuo, maior que tudo e que todos!

17 de março de 2022

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