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Marca d'Água

Marca d'Água

15
Nov21

Quase verdade!


Bosque à noite.jpg

Quase noite neste bosque agridoce

Troncos de árvores são formas escuras.

A lua já se ergueu, no seu despertar precoce…

O sol levou do dia curto, as agruras.

 

 

Carvalhos assustadores, nada sublimes…

Formas fantasmagóricas nas folhagens.

Aves noturnas com sonidos, como nos filmes…

De dia tão belo, agora sem fulgência, as imagens!

 

 

Meus passos repisam outono, nas folhas

Aperto o casaco, faz aqui frio!

Olhos escuros, nesta escuridão de escolhas

Quando das copas cai forma de arrepio.

 

Avança-se no trilho sombrio!

Ouve-se a levada, conheço-a, ela vai.

O moinho também, além, que a noite já cobriu

Olhar à volta, medo, a coragem que se esvai.

 

O manto de penumbra cobriu o meu cabelo.

Mãos nos bolsos, busco o foco salvador…

Vais ajudar-me no caminho, quero vê-lo…

A luz corta a noite, mas não certo ardor.

 

No estradão, ao pé da aldeia, volta a luz fria.

De costas ao bosque, é sem glória esta claridade!

Olho o resto de sol que se perde na serra que cobria…

Regresso ao mundo seguro, quase verdade!

 

28
Set21

O moinho aconchega a sorte


velho moinho.jpg

O moinho está sempre ali, no bosque vendo as águas que passam.

Por entre as mós que rodam há tempos imemoriais, escuta as queixas

Esmaga o trigo, sim, e ouve as torrentes de angústias que no peito de outrem falam

E ele é paciente, sabe que deve ouvir os corações que batem nas deixas…

 

Dos queixumes de um confidente do que vai passando sob si

Nas entranhas que escondem a água, à sombra de roda, o escuro convida a testemunhos

E os que seguem sussurram sobre mim, sobre os outros e sobre ti

Das vidas cruzadas, dos desencontros, da vida sonhada feita em gatafunhos

 

O moinho ouvidor por agora veste-se de plantas húmidas que lhe cobrem a pele

São como carapaças com gotículas de sapiência que o fazem mais forte

E assim acredita ser audaz bastante para acomodar quem os outros repele

Esses revelam tudo e esperam um aconchego, que o futuro lhes traga sorte

 

É assim há tanto tempo que até o tempo do trigo já não tem sustento

As heras sobre as paredes do velho casebre são como os livros das mercearias

Registam o passado em cada folha e nele esperam o futuro a contento

Nas almas de remedeio que chegaram são a negação do que para ser feliz farias

Armindo Mendes

 

18
Set21

No calendário dos desassossegos, na alquimia do tempo


Levadfa da minha aldeia.jpg

Na levada do meu bosque, na minha pequena aldeia, aquele sítio mágico onde nos quedamos, de quando em vez, sentados na pedra coberta de musgo, como neste dia de quase outono, de sol apressado, entre a folhagem bronzeada.

Flor na minha aldeia.jpg

Para, sem pressas, fecharmos os olhos e vermos sem olhar o passado, sentirmos o presente e, iris fitadas nas águas que correm para o rio, que vamos penteando com os dedos, instarmos o futuro e revelar-nos se amanhã vai ser como hoje ou se ontem, na alquimia do tempo, já foi e vai passar logo, no ocaso deste dia, ou de outro qualquer do calendário dos desassossegos que as flores de outono ressoam.

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