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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

12
Abr22

Nuvens escuras e pedaços de calor

Sapatos de verniz para receber o Senhor!


Armindo Mendes

Hoje faz chuva e faz sol, como as lágrimas e os sorrisos da vida...
Hoje olha-se o céu e veem-se nuvens escuras e pedaços de calor!
Hoje a Casa da Calçada está pálida, mas seu pátio desafia à subida...
Hoje o Tâmega vai delgado sob a ponte, mas chuvas da madrugada deram-lhe vigor!


Hoje na 5 de outubro turistas mirando as conchas de Santiago...
Hoje os sinos de S. Gonçalo e S. Pedro com badaladas quase canção!
Hoje o mosteiro está de portas abertas para receber as preces e cada afago...
Hoje, na última casa do beato Gonçalo, cravos são tantos como a devoção!

IMG_20220412_121035.jpg

Hoje os conventuais na gula de forasteiros e até certos caseiros...
Hoje nas confeitarias cheira a Páscoa de amêndoas, tanto sabor!
Hoje donas de casa pensam no cabrito para assados domingueiros...
Hoje meninos e meninas compram sapatos de verniz para receber o Senhor!

 

No domingo o Compasso Pascal vai sair à rua, à praça...
Que belo cortejo da Ressurreição do nosso Salvador!
Haverá campainhas a anunciar a chegada de divina graça...
Colchas de linho nas sacadas dos fieis, gesto de amor!

 

A Banda de Amarante virá à frente em grande tradição!
O pároco, sorridente, trará o belo crucifixo, que a Terra conquistou!
Para todos, em casa, beijarmos Cristo, com fé e comoção...
Água benta, um cálice de Porto, aleluia, aleluia, Cristo ressuscitou!

 

Armindo Mendes, 12 de abril de 2022

 

23
Mar22

Quando a noite cai

À sombra, como guiga à bolina


Armindo Mendes

azenhas Amarante.jpg

Palavras, forma de esboços de nós

Letras, formas de fios de água do peito

Rascunhos, formas de rabiscos a sós

Folhas brancas, formas de desabafo a eito.

 

Quando a noite cai, a luz esvai-se

Quando a noite cai, o semblante esmorece

Quando a noite cai, a vontade contrai-se

Quando a noite cai, o coração amolece.

 

Luz apagada, olhamos para dentro

Luz apagada, as nossas entranhas

Luz apagada, âmago em nós, ao centro

Luz apagada, rodopios em nós, suplicamos manhãs.

 

Sol raiou, acordar sobressaltado

Sol raiou, noite, ao postigo desassossego passou?

Sol raiou, vulto ao espelho, lavado

Sol raiou, não sei para onde vou.

 

Na rua, olho tudo, vejo pouco

Na rua, dou passos, sem em andar a pé

Na rua, o jornal do mundo louco

Na rua, como Pascoaes, tomo café.

 

Sigo a alameda, à beira rio, para a neblina

Sigo, costas ao sol, para o açude

Sigo à sombra, como guiga à bolina

Sigo inquieto, como poeta, do que não pude.

 

Sento no muro, Tâmega, confidente

Sento, procuro papel e caneta

Sento para escrever, sem jeito fluente

Sento, traço espírito meu em silhueta.

Amarante cidade rio Tâmega copiar.jpg

O Covelo, nas águas, espelho de nós

O Covelo dos gansos idos para algures

O Covelo das inundações sonhos levar

O Covelo dos arcos da ponte para nenhures.

 

Escrita de coisas em dia sem graça

Escrita sem nexos, após noite sem parar

Escrita de estados que alma perpassa

Escrita que o tempo vai esbater, sem obliterar…

 

Armindo Mendes, 23 de março de 2022

 

 

 

07
Fev22

Prenúncio da Primavera


Armindo Mendes

Chamaram-lhe “Trilho dos Castanheiros”, em Amarante, na margem esquerda do Tâmega – vários quilómetros de deleite para os sentidos (paisagens lindas, para os olhos, o tagarelar polifónico da passarada e o borbulhar nos açudes, para os ouvidos, e mil e uma fragâncias dos bosques das redondezas, – mas, por estes dias, quem mais ordena, são as mimosas, com o seu tom amarelo exuberante ao pôr do sol e aquele cheirinho, prenúncio da Primavera, que convida o nosso ser a contemplar, com volúpia, num banco de madeira à beira rio, cada fim de tarde deste fevereiro chorão e solarengo, mas frio, com vontade de tornar a saborear as vistas da Princesa do Tâmega, que se aconchega num peito de alma grande!

FOTO: Armindo Mendes

Trilhos dos Castanheiros com mimosas.jpg

06
Fev22

Num porta-joias flor-de-lis


Armindo Mendes

Que surpreendente e belo cantinho para contemplarmos cada nuance da natureza que o Homem quer preservar!

Que belo casamento entre a mãe-Natureza o pai-Homem, unidos num só, belo quadro que se espraia no espelho de água do Tâmega refletindo o céu borrifado de ouro e as mimosas, de pequenos botões, que apetecer tatear, cheirar, levar para casa e guardar, em segredo, num porta-joias aveludado, de azul-marinho, que reabriremos para vermos os tons perfumados da flor-de-lis com sotaque a Versailles deixado pelas invasões.

Amarante proporciona estes antros para nos arrepiar a alma, olharmos o horizonte e vermos os traços no éter quase boreal.

Caminhar ali é tão especial quanto o ar fresco que nos esfria o semblante, mas que nos impele para irmos além daquela curva e perceber o que se oculta lá.

FOTO: Armindo Mendes

Trilhos dos Castanheiros miradouro.jpg

 

 

 

19
Nov21

Ponte de Arame, Amarante


Armindo Mendes

Ponte de Arame, Amarante.jpg

Ponte de Arame, sobre o rio Tâmega, ligando os concelhos de Amarante (Rebordelo) a Mondim de Basto. Por outras palavras, ligando os distritos do Porto (margem direita) e Vila Real, ou as antigas províncias do Douro Litoral e Trás-os-Montes.

Trata-se de uma travessia pedonal, recentemente recuperada, muito apreciada nas belas caminhadas que se fazem por uma zona encantadora, na Serra de Meia Via.

13
Nov21

Altos e baixos, pendores de vida


Armindo Mendes

Baloiço do Tâmega.jpg

Neste baloiço vejo o Tâmega belo, com vida!

Neste baloiço olho as curvas do meu rio.

Neste baloiço de altos e baixos, pendores de vida.

Neste baloiço inalo paz, sem angústias a fio!

 

Neste baloiço o brilho é quente.

Neste baloiço sinto aroma silvestre.

Neste baloiço contemplo a aldeia de gente.

Neste baloiço admiro o silêncio agreste.

 

Neste baloiço não quero pensar!

Neste baloiço com brisas frescas tamanhas.

Neste baloiço ouso salitrar, voar!

Neste baloiço abraço tantas montanhas!

 

Armindo Mendes

04
Nov21

Que observa dos céus


Armindo Mendes

Foto Serra do Marão | Armindo Mendes

No pico da montanha dos sonhos, inspirando fundo!

Olha-se o horizonte, vêem-se as serranias em redor e, acreditar, o rio solitário no sopé.

E o silêncio só perturbado pelo fresco entardecer ou pela real águia que observa dos céus do mundo.

Eis o Marão de pintores, poetas e corações cravados em amarantinas violas, belo que é!

 

Armindo Mendes

19
Out21

Para o coração de Amarante, fitá-lo!


Armindo Mendes

Rio Tâmega Amarante04.jpg

Abro os braços meus para abraçar cada bocadinho

Abro o peito meu para sentir cada pedaço

Abro o coração meu para palpitar o carinho

Abro a alma minha para saborear o teu regaço.

 

 

Caminho ali entre carvalhos, becos e guigas

Caminho de mão dada com o rio dos altos poetas

Caminho na passerelle de belas raparigas

Caminho em solos de pintores a óleo e quiçá profetas.

 

 

Abro os olhos meus e vejo o manto da princesa

Abro os olhos meus e vejo os sabores dos conventos

Abro os olhos meus para as preces ao beato, a promessa

Abro os olhos meus tacteio as rosas dos ventos.

 

 

És bela, ò terra de gentes grandes das artes

És belo, ò Marão hirto nos cumes de orgulho imenso

És belo, ò Tâmega quando chegas ou quando partes

Sois belos, Amadeo ou Pascoaes, de esplendor intenso.

 

 

Afago os jardins das resistências heroicas ao franco canhão

Afago as praças das cheias que sangram as nossas memórias

Afago as pontes, açudes e azenhas de tempos que já lá vão

Afago violas com corações e rabecas das amarantinas histórias.

 

 

Subo a São Pedro, subo a São Domingos e a Santa Clara, em encanto

Subo as calçadas dos já partidos e miro a varanda dos reis, de São Gonçalo

Subo à Madalena, São Veríssimo, Santa Luzia e ao Covelo, que olho com espanto

Subo ao Conselheiro ou Solar dos Magalhães para o coração de Amarante, fitá-lo!

 

Armindo Mendes

18
Out21

A brisa que refresca a alma...


Armindo Mendes

E há rios imensos de sonhos para contar, só há que abrir as asas e voar.

Sem medos, deixar a caneta voar, voar, voar!

rio Tâmega Amarante.JPEG

É lindo olhar o mundo lá de cima, ficar tão leve e sentir a brisa que refresca a alma.

Que espicaça nas asas de um devaneio que se pode contar em estrofes de encantar.

E fazer cantigas de amigo ou cantigas de amor, sem contar, com ritmos e tons que as letras vão mostrando como notas musicais!

28
Out13

Novo autarca quer que comboios suburbanos do Porto cheguem a Amarante


Armindo Mendes


Amarante, 28 out (Lusa) - O novo presidente da Câmara de Amarante quer que os comboios suburbanos do Porto cheguem àquela cidade do interior do distrito, no âmbito de um projeto der remodelação e eletrificação da Linha do Tâmega.

Em declarações à Lusa, José Luís Gaspar (PSD) revelou que já tem indicação positiva da Secretaria de Estado dos Transportes para se avançar com um estudo de viabilidade, acompanhado por técnicos da Refer, da CP e de outros especialistas.

“Esse projeto permitiria uma ligação direta de Amarante ao Porto. Julgo que isso é estruturante para o futuro de Amarante”, explicou.

O edil defendeu as vantagens económicas para a região de se avançar com a reativação do troço da linha, entre a Livração (Linha do Douro) e a cidade de Amarante, suspensa há alguns anos, dotando-a de condições para o transporte de passageiros em composições elétricas.

Para José Luís Gaspar, “tem sentido” eletrificar a infraestrutura, com cerca de 12 quilómetros de extensão, e dotá-la de via larga, articulando a intervenção que está prevista para a Linha do Douro, no troço entre Caíde de Rei e o Marco de Canaveses.

01
Mai13

Imagens de uma “gostosa” caminhada nas serranias de Amarante


Armindo Mendes

Caminhar é bom, mas fazê-lo contemplando paisagens maravilhosas é muito mais enriquecedor, sob todos os pontos de vista.

Partindo da aldeia de Canadelo, caminhei hoje pelas serranias agrestes, mas belas, de Amarante, contemplando os altos e baixos das serras da Meia Via, Marão e Alvão, cada uma com as suas especificidades, mas com um denominador comum: serem tão majestosas perante os nossos sentidos, sobretudo em tempo de primavera!

 

Foram 12 quilómetros exigentes sob ponto de vista físico, mas compensados por sensações intensas que preencheram as subidas íngremes, por entre pedras de xisto soltas, as descidas agudas ajudadas por flores de montanha, os bosques onde despontavam pequenas cascatas e chilreava a passarada e terminando na bonita levada que nos acompanhou no regresso à aldeia de Canadelo.

Estas imagens tentam, sem sucesso, mostrar o que os meus olhos puderam degustar.

 

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