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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

19.10.21

Para o coração de Amarante, fitá-lo!

Armindo Mendes

Rio Tâmega Amarante04.jpg

Abro os braços meus para abraçar cada bocadinho

Abro o peito meu para sentir cada pedaço

Abro o coração meu para palpitar o carinho

Abro a alma minha para saborear o teu regaço.

 

 

Caminho ali entre carvalhos, becos e guigas

Caminho de mão dada com o rio dos altos poetas

Caminho na passerelle de belas raparigas

Caminho em solos de pintores a óleo e quiçá profetas.

 

 

Abro os olhos meus e vejo o manto da princesa

Abro os olhos meus e vejo os sabores dos conventos

Abro os olhos meus para as preces ao beato, a promessa

Abro os olhos meus tacteio as rosas dos ventos.

 

 

És bela, ò terra de gentes grandes das artes

És belo, ò Marão hirto nos cumes de orgulho imenso

És belo, ò Tâmega quando chegas ou quando partes

Sois belos, Amadeo ou Pascoaes, de esplendor intenso.

 

 

Afago os jardins das resistências heroicas ao franco canhão

Afago as praças das cheias que sangram as nossas memórias

Afago as pontes, açudes e azenhas de tempos que já lá vão

Afago violas com corações e rabecas das amarantinas histórias.

 

 

Subo a São Pedro, subo a São Domingos e a Santa Clara, em encanto

Subo as calçadas dos já partidos e miro a varanda dos reis, de São Gonçalo

Subo à Madalena, São Veríssimo, Santa Luzia e ao Covelo, que olho com espanto

Subo ao Conselheiro ou Solar dos Magalhães para o coração de Amarante, fitá-lo!

 

Armindo Mendes