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Marca d'Água

Marca d'Água

20
Fev12

Santo Tirso: cidade romântica


 

 

 

 

 

 

 

Santo Tirso é uma das pequenas cidades do Entre Douro e Minho que mais aprecio. Desde logo por ter um certo ar romântico, no centro histórico, parecido com outra cidade da qual gosto: Fafe.

 

De comum entre as duas localidades, os jardins do final do século XIX e princípio do século XX, com os seus bancos e o arvoredo de várias espécies. Destaco também os solares brasileiros, no centro da cidade, com os seus azulejos coloridos, as varandas de ferro e a múltiplas claraboias, denotando que esta foi terra de gente migrante com posses.

 

Além destes pontos comuns, há outro que me encanta, a arcada, em cuja base, como na congénere de Fafe, se destaca um fontanário, com azulejos vastamente decorados. Aos domingos, no século passado, aqui se reuniam as famílias abastadas.

 

Estes aspetos comuns conferem aos centros históricos das duas pequenas cidades aquele ar romântico que apetece desfrutar num passeio a pé, acompanhado pelo meu filho lindo, o qual, criança ainda, também começa a aprender a gostar destas coisas.

 

Ao contrário da maioria das novas cidades do país, outrora vilas, Santo Tirso tem um casco urbano de traça tradicional consolidado, que cresceu a partir do mosteiro de S. Bento, cujos claustros, por estarem tão bem conservados, são dos mais encantadores que já visitei.

 

Santo Tirso é uma cidade abençoada pelo rio Ave, que também atravessa o concelho vizinho que um dia me viu nascer: Guimarães.

 

Ontem este rio era conhecido como o mais poluído da Europa, por atravessar uma das zonas mais industrializadas do país, ali predominado o têxtil.

Hoje, fruto dos melhoramentos no tratamento dos afluentes urbanos e industriais, o rio Ave já não tem aquele aspeto pestilento do século passado. Ainda não está perfeito, mas vai recuperando aquele ar de rio em cujas águas se banhavam os nossos avós, então putos, como contava o meu pai quando comigo, criança, mergulha no Ave, nas Taipas.

 

O parque urbano recentemente construído na margem direita do rio, defronte para a cidade, é muito agradável, devolvendo o Ave aos Tirsenses, que dele desfrutam, caminhando num belo passadiço, após a degustação de um delicioso Jesuíta – uma iguaria da terra, a não perder para os mais gulosos, como eu!

 

Ultrapassado o alvoroço do crescimento industrial anárquico, que tanta coisa destruiu, o Vale do Ave, em terras como Guimarães, Vizela ou Santo Tirso, vai assim revalorizando o que tão belo ainda preserva, partindo nesta caminhada dignificadora a partir do rio que batizou esta região nortenha.  

 

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