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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

15
Out11

Tempos que nos obrigam a apertar o cinto


Armindo Mendes

Por estes dias a maioria dos portugueses só tem razões para estar apreensiva.

O Orçamento do Estado para 2012 traz mais austeridade, porventura num registo duro que poucos esperavam.

As medidas penalizadoras são transversais a quase todos os setores da nossa sociedade.

Se é certo que os funcionários públicos e equiparados são desta vez atingidos por medidas duras, não menos certo é que, porque a crise não começou com o Orçamento do Estado de 2012, milhões de outros portugueses, incluindo pequenos empresários e trabalhadores por conta de outrem, enfrentam há alguns anos uma insegurança e uma precariedade que a maioria dos trabalhadores do Estado desconhece.

Não obstante, causa alguma revolta que muitos de nós, que não temos culpa nenhuma pela situação do país, incluindo funcionários públicos, sejamos chamados a pagar os erros de decisores políticos e de uma sociedade capitalista exacerbada, quase sem regras nas últimas décadas, que nos conduziram a este buraco.

Estamos, muitos de nós, revoltados, o que é compreensível.

Ninguém gosta de cortes e do agravamento fiscal anunciados pelo Governo, que nos vão obrigar a apertar ainda mais o cinto, mas estou convicto de que, infelizmente para todos nós, face à urgência do que se está a passar, não haveria grande alternativa, porquanto o Estado português,  há muito vivia claramente acima das suas possibilidades, assentando grande parte da sua ação no crónico recurso ao financiamento externo, cujo saco agora se esboroou sem apelo nem agravo.

Como em qualquer empresa ou família, há agora que “pôr a casa em ordem”, reestruturando, e redimensionado a máquina do Estado, conquistando a confiança de quem no estrangeiro nos empresta o dinheiro, sem o qual, note-se, o Portugal, tal como o conhecemos atualmente, não era capaz de sobreviver.

Só depois de alcançado esse desiderato, por caminhos de tremenda dificuldade, o país deve pensar numa ótica de crescimento sustentado e saudável, baseado na competitividade da economia, geradora de riqueza e emprego sustentável, capaz de gerar impostos que o Estado precisa.

Até lá, um longo e doloroso caminho espera quase todos os portugueses.

Só assim o Estado será capaz de suportar um Estado social justo, que proporcione a quem mais precisa os serviços essenciais em domínios como a saúde, a justiça e a educação, porque é assim que compreendo as funções de um país civilizado e justo.

Impõe-se agora a quem manda que seja justo para todos os portugueses, optando por medidas equilibradas, respeitadoras dos direitos à dignidade, sobretudo dos mais frágeis. Que sintamos todos que os sacrifícios que nos são imposto vão valer a pena.

E que, sem tibiezas e paliativos, avancem as medidas há muito sinalizadas que ponham a nossa justiça a ser efetivamente justa digna de um Estado de direito, e que se acabe com situações de privilégio de pessoas e grupos económicos que usufruem de regalias insultuosas para a maioria dos portugueses.

Só assim vamos ter força para acreditar que vale a pena.

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