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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

02.12.10

Falta um desígnio estratégico a Felgueiras?

Armindo Mendes

Não obstante a crise que condiciona quase tudo, percebe-se em muitos municípios do Tâmega e Sousa que se trabalha no sentido de dar a volta ao pessimismo, procurando, com criatividade e perseverança, prosseguir projectos autárquicos de valia reconhecida e com retorno para os munícipes, traduzido em obras e realizações concretas que concorrem para o bem-estar da população.

Ao invés, observo, surpreso, uma apatia cada vez mais ilógica do nóvel poder que governa Felgueiras, sobretudo porque aquele, por ser o mais recente na região, devia evidenciar maior dinâmica, capitalizar maior capacidade de promover realizações que marcassem uma viragem face ao passado, que tão criticado era por quem hoje tem a mão na massa.

Recordo que houve no passado outras viragens políticas na região como a que ocorreu o ano passado em Felgueiras.

Quando as coisas viraram em Penafiel (PSD), Baião (PS), Marco (PSD) ou Paredes (PSD), por exemplo, foi uma autêntica avalancha de mudanças em vários domínios, com inegáveis ganhos.

Em Felgueiras, mais de um ano depois da viragem eleitoral que ditou um novo ciclo político no concelho, nada de verdadeiramente substantivo aconteceu, estando praticamente tudo na mesma, em baixo perfil dinâmico, se exceptuarmos a dança de cadeiras.

Onde estão as soluções para os problemas estruturais de um concelho como o nosso que, paradoxalmente, apesar de ser o que mais exporta, continua em termos mediáticos fechado numa redoma, alheio às dinâmicas da região, essas bem mais acutilantes em concelhos como Penafiel, Paços de Ferreira ou Paredes, que deviam constituir para os autarcas um referencial de capacidade?

Porque é que Felgueiras não entrou ainda na competição saudável que aqueles municípios, que até são do mesmo partido, trilham há vários anos? Lá, olhando os discursos, mas, sobretudo, os projectos concretos em diferentes domínios, percebe-se onde é que os autarcas querem chegar, guindando os respectivos concelhos para patamares maiores de desenvolvimento e os caminhos que pretendem trilhar para o conseguir. Fala-se em cidades tecnológicas, em áreas de acolhimento empresarial de última geração articuladas com as universidades, de planos de regeneração das zonas ribeirinhas, de incentivos à actividade económica com projectos inovadores, de visitas de membros do governo que anunciam obras...

E por cá? Pouco ou nada se passa e o que se vai anunciando com uma timidez confrangedora são coisas cuja escala estou habituado a ver ser realizado por juntas de freguesia de concelhos vizinhos, como aquelas de mudar umas quantas lâmpadas da iliminação pública ou oferecer mobiliário a instituições.  

No fundo, por cá, por muito que custe a muitos que, como eu, de alguma maneira contribuíram activamente para a mudança, continua a faltar uma ideia global do que se pretende para uma Felgueiras mais cosmopolita, mais afirmativa na região, mais amiga de uma dinâmica cultural e social que tão atrofiada se mantém.

Ainda não se conhece uma ideia uma meta clara, um projecto âncora, um desígnio estratégico, do que se pretende nos próximos anos.

O que se percebe, ouvindo os discursos dos actuais autarcas, é uma manifesta falta de visão de conjunto, mais preocupada com uma gestão de "linha curta" ou de "navegação à vista".

Na era da globalização, o tempo passa demasiado depressa e não se compadece com inseguranças, sobrancerias provincianas e avanços e recuos, que em última instância penalizam a planificação que se exige para a consolidação de mais e melhor futuro.

Mas estão muito enganados os senhores do poder que pensam que este sentimento não é digerido entre muitos felgueirenses, nomeadamente alguns que até ostentam o cartão laranja.

Mas deixemos esta nota para uma futura oportunidade.

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