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Marca d'Água

Marca d'Água

27
Fev10

>> Almeida Santos: um exemplo de vivacidade, apesar dos seus 84 anos!


 

Ontem, sexta-feira, estive em Baião, onde Almeida Santos, presidente do PS, inaugurou um ciclo de conferências.

Independentemente das ideias políticas que cada um tem, admito que não sou um admirador do percurso daquele político, nem sequer de algumas ideias de fundo que tem defendido sobre a sociedade. No PS há outras personalidades cuja visão do mundo merece mais a minha atenção. 

No entanto - e esta é a verdadeira razão deste post - fiquei impressionado pela forma lúcida e muita viva como um homem com 84 anos comunicou com a plateia durante cerca de duas horas.

Goste-se ou não, Almeida Santos é um grande comunicador, que faz jus a uma geração de políticos com alguns defeitos, é certo, mas com grandes qualidades que se vão perdendo entre os da nova geração.

O sentido humanista, porventura algo utópico, e uma visão muito lúcida da sociedade em mutação é uma nota em cada palavra, em cada gesto, o que contrasta com a tecnocracia política, eivada de demagogia a raiar quase a inverdade que hoje está tanto na moda entre parte dos políticos portugueses, sempre tão politicamente correctos, o que para mim significa muito "plásticos".

Aqui fica, assim, a minha homenagem a um ancião da nossa política, que era, aliás, muito apreciado por outro velho socialista, este muito mais humilde, mas não menos solidário: o meu saudoso pai. Como Almeida Santos, também o meu "velho", nas lutas pós Revolução de Abril, acreditava sempre que era possível mudarmos para um mundo melhor!

Também José Luís Carneiro, o jovem presidente da CM de Baião que ontem ladeou Almeida Santos, apesar da idade, apresenta no seu discurso, mas também na sua actuação como autarca, um certo ideal humanista, uma visão solidária da sociedade que o aproxima do pensamento dos velhos e grandes socialistas que fizeram escola em tempos idos da nossa democracia.

José Luís Carneiro significa assim, na minha óptica, uma lufada de ar fresco na classe política actual e, por isso, um sinal de coerência num mar de tantas incongruências da política lusitana. 

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