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Marca d'Água

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18
Ago06

> A ANGÚSTIA DOS FOGOS


A angústia. O ministro da Administração Interna, António Costa, reconheceu no domingo as dificuldades do esquema de prevenção dos incêndios.
Estas declarações do governante, proferidas horas depois de terem sido anunciados os números negros dos incêndios do passado fim-de-semana, acabam por surpreender, sobretudo porque vieram de alguém que tem procurado transmitir para a opinião pública uma imagem de dinamismo e eficácia.
Não se interprete esta minha introdução como uma crítica à actuação do ministro na questão dos incêndios, a qual continuo a achar ser bem mais eficiente do que a de outros governantes no passado recente. António Costa é um ministro competente. É um homem rigoroso e exigente. Acontece, porém, que a questão dos incêndios não se resolve num ano, como se tem comprovado, apesar dos enormes progressos conseguidos recentemente, sobretudo ao nível do combate e da primeira intervenção. Pelo que me têm dito pessoas conhecedoras na área do combate aos fogos, os meios este ano estão mais coordenados e isso traduz-se numa mais rápida e eficaz intervenção, evitando que os fogos atinjam maiores proporções. Em Amarante essa tendência tem-se confirmado, como se observou no passado fim-de-semana, com centenas de bombeiros mobilizados no terreno.
Mas este esforço não é suficiente. Aqui como no resto do país, falta melhorar a componente da prevenção, justamente aquela que mais eficaz se pode tornar para obviar ao risco de incêndio sempre subjacente às cada vez mais altas temperaturas que se fazem sentir à passagem de cada Verão.
O ministro alertou, em bem, para o longo caminho a percorrer na limpeza das nossas florestas e para a falta de ordenamento florestal, que tantas vezes propicia a construção de habitações no meio das matas.
Mas António Costa também sabe que o problema é mais complexo. Não é preciso ser-se sociólogo ou economista para se perceber porque ardem hoje mais floresta do que no passado. O problema tem a ver com o modelo de desenvolvimento que o país adoptou há algumas décadas, que conduziu à desertificação do interior, onde ardem as maiores áreas de floresta. Não havendo ali gente a morar, não há quem cuide da manutenção das matas. Antigamente havia gente nas aldeias. Essas pessoas zelavam pela limpeza dos montes, porque dali tiravam o seu sustento. Dali tiravam a lenha para as suas lareiras e dali também tiravam os matos para melhor aconchegarem o seu gado, que dormia nas lojas das suas casas.
As pessoas habitavam no interior e eram elas, tantas vezes, as primeiras a mobilizar-se numa primeira intervenção. Hoje, no interior não mora quase ninguém. Ali ficaram apenas os velhos, que vêem agora as suas casas a serem engolidas pelas chamas.
As sucessivas medidas para esvaziar o interior de serviços públicos só estão a contribuir para acentuar a desertificação. As pessoas não querem morar onde não haja serviços de saúde qualidade com o mínimo de qualidade. Não querem morar onde os seus filhos têm de percorrer dezenas de quilómetros para frequentar a escola.
O combate aos fogos também se faz através do combate à desertificação. E aí, as políticas globais deste e de outros governos não estão isentos de responsabilidades.
Pouco significado terão um super ministro, de reconhecidas qualidades, e os muitos milhões de euros que todos os anos se gasta no combate musculado aos fogos.
A defesa da nossa floresta também se faz aumentando a fiscalização, colocando as forças policiais e os militares a patrulhar as zonas de maior risco. Mas também se impõe a punição exemplar dos que deitam fogo às nossas matas e o reforço do investimento em equipas de vigilância e de primeira intervenção.
O diagnóstico está feito há muito. As soluções também são consensualmente aceites e algumas já estarão em marcha. Tardam os resultados.

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