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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

30.11.21

Neste casulo de fugida!

Armindo Mendes

Lareirra.jpg

Está frio lá fora, fecho a janela!

Acendo o lume para me aquecer!

Aconchego-me no sofá, com manta de flanela…

Ligo o Hi-Fi para meu consolo poder ter.

 

De pijama e pantufas, olho em frente.

Levanto o volume da balada que escolhi!

Fecho os olhos, arrepiado, o som é quente.

Vibro dentro de mim, viajo por aí!

 

Na vidraça beija a chuva em pedaços…

Que goteja lenta, vê-me aqui.

Ela e o vento são riscos, são laços…

Do que sinto, mas não pedi.

 

Está quentinho, é bom!

Neste casulo de fugida, protegido!

Deixo a melodia fluir, saboreio o som…

Desligo, deixo-me adormecer, sentido!

 

Armindo Mendes

25.11.21

Não queria ser, eu sei!

Armindo Mendes

Ribeiros paisagem.jpg

Não sei o que sou!

Espelho meu, velho ribeiro, estás fosco.

Vejo-te, olho-me, aqui de novo estou!

Quero desenhar-me, mas sabes, sou tosco!

 

Falta de jeito, há tanto, o meu!

Fito que o tempo me foge do punho.

Grisalho, rugas tantas, sou eu!

Sem brilho, traço este rascunho.

 

Neste pergaminho vincado…

Outrora sarrabiscos de sonhos.

Hoje cicatrizes do passado…

Até de pensamentos medonhos!

 

Isso, diz o que sou, que sei que sou.

Que sou o que não queria ser, eu sei!

Sou um não sei o quê, sem estar, aqui estou.

Sem estar, quando fico, não ser o que ousei!

 

Espelho sem certezas, de acabado gosto...

Vês como estou, sim, no que me tornei!

Baixo a cabeça, pontas dos dedos no rosto…

Saboreio o sal que nesta trama, de novo, escrevinhei!

 

 

19.11.21

Ponte de Arame, Amarante

Armindo Mendes

Ponte de Arame, Amarante.jpg

Ponte de Arame, sobre o rio Tâmega, ligando os concelhos de Amarante (Rebordelo) a Mondim de Basto. Por outras palavras, ligando os distritos do Porto (margem direita) e Vila Real, ou as antigas províncias do Douro Litoral e Trás-os-Montes.

Trata-se de uma travessia pedonal, recentemente recuperada, muito apreciada nas belas caminhadas que se fazem por uma zona encantadora, na Serra de Meia Via.

19.11.21

Diva de quimeras

Deusa da noite és

Armindo Mendes

Lua.jpg

 

Lua minha, voltaste!

Bela és, neste céu escuro.

És ponto de luz, que procuro!

Auréola celeste em mim realizaste.

 

Lua, deusa da noite és!

Presença maior no Cosmos de tantos.

Dos contentamentos ou de prantos

Estrelas confessam aos teus pés.

 

Uma noite mais com o teu perfume!

Servo sou ao teu encantamento.

Detenho-me, olhando-te no firmamento!

Até ao amanhecer, tanto queixume.

 

Diva de quimeras, de trovadores!

Alumias caminhos do labirinto.

Porém teu brilho hoje sinto!

Audaz para os sonhadores.

 

Pela madrugada, esperar.

Sei que partirás, mas voltarás!

Nos sonhos de pérolas estarás.

Olhos abrem, acordar, acreditar!

 

Armindo Mendes

 

15.11.21

Há muito que não ouvia esta música tão bonita

Armindo Mendes

Há dias, quando conduzia ouvi este tema no carro, numa rádio local. Foi fantástico recordar de novo! Subi o volume e ouvi cada segundo com prazer imenso, algures entre Penafiel e Amarante. É um tema fantástico dos Alcoolémia, de 1999, com arranjos lidíssimos e uma letra muito especial, para ouvir muitas vezes seguidas, como eu faço!

Permite recuar no tempo, lembrando quando tudo era analógico, do mundo em que cresci!

Aqui para ouvir no Spotify, com excelente qualidade de som: 

Alcoolémia "Até onde posso ir"

15.11.21

Quase verdade!

Armindo Mendes

Bosque à noite.jpg

Quase noite neste bosque agridoce

Troncos de árvores são formas escuras.

A lua já se ergueu, no seu despertar precoce…

O sol levou do dia curto, as agruras.

 

 

Carvalhos assustadores, nada sublimes…

Formas fantasmagóricas nas folhagens.

Aves noturnas com sonidos, como nos filmes…

De dia tão belo, agora sem fulgência, as imagens!

 

 

Meus passos repisam outono, nas folhas

Aperto o casaco, faz aqui frio!

Olhos escuros, nesta escuridão de escolhas

Quando das copas cai forma de arrepio.

 

Avança-se no trilho sombrio!

Ouve-se a levada, conheço-a, ela vai.

O moinho também, além, que a noite já cobriu

Olhar à volta, medo, a coragem que se esvai.

 

O manto de penumbra cobriu o meu cabelo.

Mãos nos bolsos, busco o foco salvador…

Vais ajudar-me no caminho, quero vê-lo…

A luz corta a noite, mas não certo ardor.

 

No estradão, ao pé da aldeia, volta a luz fria.

De costas ao bosque, é sem glória esta claridade!

Olho o resto de sol que se perde na serra que cobria…

Regresso ao mundo seguro, quase verdade!

 

14.11.21

Pearl Harbor - Filme marcante!

Armindo Mendes

O filme Pearl Harbor, de 2001, realizado por Michael Bay, com música de Hans Zimmer, é um dos filmes da minha vida, por várias razões, sobretudo por ser uma película de época, que retrata um acontecimento histórico marcante da segunda guerra mundial (1941).

O enredo é lindíssimo, cruzando os factos históricos com uma história de amor a três (dois pilotos e uma enfermeira da Marinha) que contagia os espetadores, mas com um fim que corta o coração!

O filme tem uma fotografia extraordinária, contando com uma banda sonora lindíssima, do incrível Hans Zimmer, que me encanta desde o dia em que vi e ouvi numa sala de cinema.

Adquiri, pouco tempo depois, o DVD do filme, que ainda preservo na minha coleção.

Em determinados momentos, revisito o filme e é quase sempre como se fosse a primeira vez!

Tão bonito!

Aqui fica o tema maior: "Tennessee", na sua versão original.

E também nesta versão, mais recente, muito bem conseguida, do violoncelista Hauser.

 

13.11.21

Altos e baixos, pendores de vida

Armindo Mendes

Baloiço do Tâmega.jpg

Neste baloiço vejo o Tâmega belo, com vida!

Neste baloiço olho as curvas do meu rio.

Neste baloiço de altos e baixos, pendores de vida.

Neste baloiço inalo paz, sem angústias a fio!

 

Neste baloiço o brilho é quente.

Neste baloiço sinto aroma silvestre.

Neste baloiço contemplo a aldeia de gente.

Neste baloiço admiro o silêncio agreste.

 

Neste baloiço não quero pensar!

Neste baloiço com brisas frescas tamanhas.

Neste baloiço ouso salitrar, voar!

Neste baloiço abraço tantas montanhas!

 

Armindo Mendes

13.11.21

Prantos sem voz

Armindo Mendes

Folha de luz.jpg

Chorar ao ver folha que desce.

Chorar quando apetece.

Chorar repisando passados.

Chorar memórias aos bocados.

 

Chorar na alma a chover…

Chorar no coração a verter!

Chorar no olhar dentro, fora

Chorar no existir, agora!

 

Chorar no andar nas memórias…

Chorar no sentir pedaços, histórias…

Chorar é sal sobre ferida.

Chorar é arrepio de dor sofrida!

 

Chorar é ver perto o ausente.

Chorar é provar dor diferente!

Chorar é ver despedida que sacode.

Chorar é abraçar quem não se pode!

 

Chorar é clamar sem voz.

Chorar é escrevinhar por nós.

Chorar é verso de rima incerta.

Chorar é tingir dor que aperta!

 

Chorar é agarrar sem apertar…

Chorar é abraçar sem estar!

Chorar é carga no peito

Chorar é gritar sem efeito!

 

Chorar pranto à luz da lareira!

Chorar em dia de bruma na eira!

Chorar é ápices que tive!

Chorar é suportar o que se vive!

 

Armindo Mendes

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