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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

30.09.21

Na atmosfera das emoções dos Barclay James Harvest

Armindo Mendes

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'Missing You' é um dos temas escritos, a solo, por Les Holroyd, um dos dois compositores dos Barclay James Harvest (BJH), a banda britânica que surgiu no final da década de 60 do século passado e teve mais de 30 anos de carreira, com dezenas de discos gravados, terminando em meados dos anos 90, com o álbum "River of Dreams".

Les Holroyd, que era o baixista e um dos vocalistas, continuou, felizmente, a atuar ao vivo com um grupo de músicos e, sobretudo, a compor músicas belíssimas, como esta que ouço tantas vezes, com uma sonoridade e uma letra que nos colocam, sem esforço, na atmosfera das emoções dos Barclay James Harvest, a banda da minha vida, que ouço, sem cansar, desde os tempos da minha adolescência.

 

30.09.21

São soslaios tão distraídos

Armindo Mendes

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Transparências são focos de luz para o coração

Transparências são partilhas, são dádivas

Transparências é como abrir o peito e estender a mão

Transparências são como caminhar sem vontades furtivas  

 

Transparências são como falar sem chão

Transparências são abrir o âmago e deixar entrar outrossim

Transparências põe os sorrisos e os olhos com razão

Transparências são colos e afagos num banco de jardim

 

Transparências são palavras que se dizem sem pensar

Transparências são soslaios tão distraídos

Transparências são como dar e receber sem cobrar

Transparências são amar no canto maior dos sentidos

Armindo Mendes

 

30.09.21

À espera das vindimas para vinho se tornarem

Armindo Mendes

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Olhar as uvas que pendem das ramadas, como em tempos dos nossos avós

Já são raros esses frutos tintos assim deixando um aroma doce à nossa passagem

São testemunhos de tempos idos, quando os de Roma cavalgaram entre nós

E eles crescem, os cachos, à espera das vindimas para vinho se tornarem e nos darem coragem.

 

O tinto é vontade dos que provam o néctar do Deuses, sob bênção de Baco

Por cá são muitos os bebedores discípulos dessa figura divina

Em sua honra enchem canecas de carrascão e até esquecem o tabaco

E depois riem em embriaguez e cantarolam com ouvidos para a concertina

 

No tasco do Vasco o vinho alegra as almas e chama pelo bacalhau frito

O fiel amigo chega às mesas fumegante com os comensais nos bancos de madeira sentados

Saciam, pois, o desejo e secam o prato com a broa de milho para molhar um bocadito

E pronto, é assim no Minho, ontem como hoje, os homens comem e bebem vinho contentados.

Armindo Mendes

 

 

30.09.21

Sépia das palavras que sonhamos

Armindo Mendes

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As palavras têm o tamanho e as formas que queiramos dar-lhes.

São como peças de Legos que, sentados no quarto, de meninos de sandálias, vamos montando de olhos felizes, para criarmos castelos encantados, casas de bonecas, de príncipes e princesas...

E quando a alma do artífice não é pequena, os castelos trajam-se com vestes de gala, bordados com linhas de ouro, e bandolins medievais ali tocando, para, em apoteose, abrir alas a um cortejo real, com trovadores, alquimistas e almocreves que dão cor sépia ao mundo de maravilhas que sonhamos fazer parte, num cavalo branco, o Pégaso do Olimpo, com asas de plumas, até ao fim do horizonte...

Armindo Mendes

 

29.09.21

Outono das cores e das vermelhas batalhas

Armindo Mendes

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Outono é de amarelos maduros, castanhos-bronze e flores vermelhas tardias;

Outono é sala de espera para o general inverno forrada a fetos envelhecidos;

Outono é partida de migrantes que voam para o sul em grandes correrias;

Outono é tempo de nos recolhermos e nos abrigarmos, por causa do frio, nunca perdidos.

 

Outono é o final de tarde com sol ouro, no sal do mar, que esvai entre as traineiras:

Outono é no horizonte de além-mar um quarto minguante para as manhas da lua;

Outono é ver a natureza desnudar-se do verão e agasalhar-se nas lareiras;

Outono trava o equídeo sem deixar D. Quixote imaginar Dulcineia no fundo da rua.

 

Outono é Sancho recolher-se na taberna para a pança encher após venturas sem fim;

Outono é o fiel escudeiro beber vinho novo na taberna e saciar-se com castanhas;

Outono é ver D. Quixote tristonho por o frio vindouro arrefecer delírios de marfim;

Outono é ver os moinhos de vento, como soldados hirtos de lanças imaginados, de meias carpim.

 

Outono é resfriar arianos exércitos de batalhas lá na Rússia para foices e martelos os derrubar;

Outono é soldados de suástica nas taigas que padecem às agruras das neves árticas;

Outono é ver combates em Leningrado, com brancas vestes de carne para canhão lamentar;

Outono é cada anónimo, cabo ou capitão, com famílias para trás, que sucumbe sem cartas mandar, das américas ou das áfricas.

 

Outono é ter heróis dos desertos ou das terras do sol nascente que retornam ao lar;

Outono é gritar vivas nas terras do tio Sam, bandeiras ao vento, é ver pais de rostos molhados e filhos com as vidas em pedaços;

Outono é os governos que escrevem cartas às viúvas e às mães desafortunadas que querem apenas os filhos chorar;

Outono é ver o capacete baleado sobre o cano da espingarda, num lar de pesadelos de sobrevivos nas mães em regaços.

Armindo Mendes

outono de 2019

 

29.09.21

Um cair da folha mundano… como camadas de memórias...

Armindo Mendes

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... ele chegou sereno, protegendo os olhos da luz de outono, de um cair da folha mundano, perto da capela de Santa Marta, que avisa, ao entardecer precoce, para os dias de Plutão, gelados e efémeros, e as noites de Saturno, gigantes e místicas, aquelas em que nos cobrimos com os anéis como camadas de memórias que giram em rodopios lusco-fuscos, num firmamento de devaneios... como uma história interminável...

28.09.21

O moinho aconchega a sorte

Armindo Mendes

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O moinho está sempre ali, no bosque vendo as águas que passam.

Por entre as mós que rodam há tempos imemoriais, escuta as queixas

Esmaga o trigo, sim, e ouve as torrentes de angústias que no peito de outrem falam

E ele é paciente, sabe que deve ouvir os corações que batem nas deixas…

 

Dos queixumes de um confidente do que vai passando sob si

Nas entranhas que escondem a água, à sombra de roda, o escuro convida a testemunhos

E os que seguem sussurram sobre mim, sobre os outros e sobre ti

Das vidas cruzadas, dos desencontros, da vida sonhada feita em gatafunhos

 

O moinho ouvidor por agora veste-se de plantas húmidas que lhe cobrem a pele

São como carapaças com gotículas de sapiência que o fazem mais forte

E assim acredita ser audaz bastante para acomodar quem os outros repele

Esses revelam tudo e esperam um aconchego, que o futuro lhes traga sorte

 

É assim há tanto tempo que até o tempo do trigo já não tem sustento

As heras sobre as paredes do velho casebre são como os livros das mercearias

Registam o passado em cada folha e nele esperam o futuro a contento

Nas almas de remedeio que chegaram são a negação do que para ser feliz farias

Armindo Mendes

 

28.09.21

Editorial Expresso de Felgueiras: Para memória futura! (28 set 2021)

Armindo Mendes

 

Sim Acredita uma cópia.jpg

Para memória futura há de ficar a postura absolutamente equidistante do Expresso de Felgueiras, mais uma vez, no processo eleitoral autárquico que terminou no passado domingo, deixando, como se impunha, o combate político para os partidos e coligações que se apresentaram a sufrágio e promovendo o debate das ideias e dos projetos.

 

Para memória futura, honrando o passado deste projeto, o nosso compromisso de nos mantermos iguais a nós próprios, como no dia 31 de março de 2006, quando “nascemos”.

 

Para memória futura ficarão os resultados históricos, sem paralelo em Felgueiras, alcançados pela candidatura Sim Acredita, liderada por Nuno Fonseca e seus pares.

 

Para memória futura ficará a derrota colossal sofrida pelo PSD que deixará marcas profundas num partido de poder que há não muitos anos era hegemónico em termos autárquicos no concelho. Um PSD fraco significará uma oposição fraca e isso é mau até para o poder!

 

Para memória futura, o vendaval de votos que varreu os social-democratas de quase todas as juntas de freguesia.

 

Autarcas de freguesia saltitantes

 

Para memória futura o sinal negativo deixado, de novo, por certos presidentes de junta que vão dançando consoante as aragens do poder rosa, laranja ou de outras cores, saltando de partido em partido, como quem muda de camisa. São culpados os autarcas de freguesia saltitantes, mas também os sucessivos poderes na câmara, de várias cores, que não resistem à tentação de “controlar” os poderes nas freguesias.

 

Para memória futura, o veredito da maioria dos felgueirenses, que votou maciçamente no modelo de governação municipal liderado por Nuno Fonseca e o civismo com que decorreu a ida às urnas e as reações aos resultados de vencedores e vencidos, traduzindo a maturidade política que se vai observando em Felgueiras.

 

Para memória futura, o sinal de preocupação que a expressão esmagadora dos resultados para a câmara, assembleia municipal e juntas de freguesia pode significar em matéria de pluralismo político e expressão das diferentes visões no concelho.

 

Sobranceria do poder?

 

Para memória futura ficarão os sinais de certa sobranceria que o poder e alguns dos seus protagonistas em Felgueiras, ainda que não todos, foram deixando, muito tempo antes das eleições de domingo, em relação a certos órgãos de comunicação social do concelho, inclusive o Expresso de Felgueiras. Que esses sinais não assumam outra dimensão é a nossa expetativa em ordem a manter a normal relação institucional entre o poder político e o “poder” da imprensa.

 

Para memória futura ficará o compromisso deste projeto editorial, enquanto órgão de comunicação social, no sentido de, como no passado com Fátima Felgueiras, Inácio Ribeiro e Nuno Fonseca, se manter plural, atento e crítico a eventuais excessos, que não se desejam, que este ou outro qualquer poder circunstancial possa sentir-se tentado a protagonizar, porventura em consequência de um deslumbramento com os resultados eleitorais, como tantas vezes ocorreu com os políticos, inclusive em Felgueiras e noutras paragens próximas.

 

Abertura à sociedade civil

 

Para memória futura, por fim, mas relevante para nós, o propósito de nos mantermos abertos à sociedade civil, com novos conteúdos multimédia e outras formas de comunicar, para promoção e divulgação dos projetos e atividades no concelho, significando isto que a atualidade política e autárquica é apenas, note-se, um dos vários contextos sobre os quais o Expresso de Felgueiras se propõe continuar a trabalhar sob ponto de vista editorial, respeitando o primado do serviço público que nos norteia desde o início.

Armindo Mendes / Diretor do Expresso de Felgueiras

 

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