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Marca d'Água

Marca d'Água

10
Jan07

> A execução de Saddam...


Recentemente, entraram-nos casa dentro as imagens da condenação de Saddam Hussein. Como muitos portugueses, também eu fiquei chocado com a barbaridade daquele acto, praticado por um Estado que se diz agora uma democracia! É certo que Saddam foi um dos mais sanguinários ditadores de sempre. É certo que merecia um castigo exemplar pelo sofrimento que infligiu a milhões de iraquianos nos longos anos do regime sunita que liderou com punhos de aço.
Mas castigo exemplar não significa pena de morte, à qual, por uma questão de princípio e filosofia de vida, me oponho em todas as circunstâncias. Não concebo que um Estado se arrogue no direito de violar o mais elementar dos direitos humanos – o direito à vida – e distribua imagens da vítima prostrada, que chocaram os mais sensíveis, inclusive muitas crianças.
Além disso, a execução da pena capital numa fase crucial como esta para a pacificação do Iraque poderá politicamente revelar-se um autêntico barril de pólvora, acentuando as clivagens culturais e religiosas no país, de consequências imprevisíveis. Alguns observadores falam do receio de uma guerra civil generalizada, convicção que os norte-americanos parecem querer levar muito a sério, protagonizando também eles uma fuga para a frente. Pelo que se ouve, a administração Bush, fazendo jus à sua inabilidade para lidar com o problema, em vez de seguir as recomendações que tem recebido para reduzir a sua presença no Iraque, prefere fazer o contrário, reforçando o contingente naquele autêntico inferno para as suas tropas.
Voltando a Saddam. Acredito que o Estado iraquiano teria dado um sinal de tolerância se tivesse evitado a pena capital, comutando-a pela prisão perpétua. Seria uma mensagem de perdão parcial pelas atrocidades cometidas pelo ditador e talvez o gesto pudesse ser bem acolhido pela comunidade sunita, apaziguando o clima de tensão que grassa no país.
10
Jan07

> O IRS e os jogadores de futebol


Por estes dias, um dos temas da actualidade tem a ver com a intenção do governo de obrigar os jogadores de futebol a pagar IRS calculado a partir da totalidade dos seus rendimentos, em vez dos 60 por cento como acontecia até agora.
Esta decisão foi contestada vivamente pelo sindicato dos jogadores, que a considera injusta, ao ponto de ameaçar com greve se a mesma for por diante. Os jogadores alegam que têm uma profissão de desgaste rápido e que, por isso, merecem discriminação positiva.
Os argumentos dos jogadores são há muito conhecidos, mas admito a minha surpresa quando estes, agora, acrescentam que estão dispostos a fazer greve como forma de pressão.
Discordo em absoluto dos argumentos dos jogadores, sobretudo quando alegam que exercem uma profissão de desgaste rápido… Quererão esses cidadãos dizer que aos trinta e poucos anos ficam impedidos de trabalhar? Quando muito, terão dificuldade em prosseguir a actividade como jogadores, mas mantêm todas as faculdades físicas para abraçar qualquer outra profissão, inclusive algumas na área do futebol, como a de treinador. Quantos portugueses perdem o emprego aos 30 anos e têm de se desenrascar numa actividade diferente da que exerceram anteriormente? Os jogadores não são diferentes dos demais cidadãos. Além disso, ninguém os obrigou ao exercício daquela actividade, que sabiam de antemão teriam de abandonar aos trinta e poucos anos.
Os jogadores não podem ser uma classe privilegiada. Como se pode justificar que um senhor que ganha milhões e ostenta sinais exteriores de riqueza sumptuosos pague de IRS uma percentagem do seu ordenado inferior à da generalidade dos portugueses? Considero essa actual distorção do nosso sistema fiscal uma verdadeira imoralidade, que urge ser corrigida. Faz-me lembrar aquela hilariante “boca” do presidente da Federação Portuguesa de futebol no final do Mundial, quando, em nome do sentido patriótico, sugeria que os chorudos prémios pagos aos pobres jogadores da selecção fossem também isentos de tributação pelo IRS.

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