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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

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Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

25.03.13

Pão-de-ló de Margaride existe há 283 anos, mas as vendas subiram com a Internet

Armindo Mendes

Há 283 anos que a “Casa do Pão-de-ló de Margaride”, em Felgueiras, produz aquele doce tradicional, mas as vendas têm aumentado desde que a empresa familiar apostou na Internet.

“Esta empresa, apesar de ter quase 300 anos, tem de se atualizar. Esta presença em termos de multimédia é fundamental”, afirmou à Lusa Guilherme Likfold, proprietário da casa centenária e descendente dos fundadores.

O empresário admite que, apesar de a empresa ser uma das mais antigas do país ainda em atividade, atualmente as vendas ‘online’ são “uma ferramenta importante” para que o negócio tivesse deixado de ser local e passasse a ter outro potencial”.

O proprietário acredita que a aposta nas novas formas de promover o produto tem permitido manter a atividade, sem perdas, assegurando a estabilidade do negócio centenário, que dá trabalho regular a cerca de uma dezena de colaboradores.

O ‘site’ apresenta a história da casa e fala da tradição do “Pão-de-ló em Margaride”, para além de incluir a possibilidade de os apreciadores adquirirem ‘on-line’ a doçaria tradicional.

Apesar da aposta nas novas tecnologias para a promoção da iguaria, Guilherme Likfold garante que a confeção do pão-de-ló respeita o receituário tradicional, o que lhe garante desde 1888 o estatuto de fornecedora oficial da Casa Real e Ducal Portuguesa.

Desde 1900, que o doce, com marca registada, é preparado nas atuais instalações, de forma artesanal, utilizando os mesmos fornos e recorrendo a mão-de-obra com segredos transmitidos de geração em geração.

“Tentamos preservar o mesmo processo de fabrico e receituário, apenas com adaptações devido às questões legais”, observou.

Nas declarações à Lusa, o empresário insistiu em não falar apenas na perspetiva do negócio, mas forcar-se também na importância cultural que o seu estabelecimento tem para o concelho e para a região.

“É um prestígio para Felgueiras ter uma das casas mais antigas e com uma tradição tão grande ao nível da doçaria portuguesa”, observou.

O edifício situa-se no centro da cidade, junto aos paços do concelho. A decoração, incluindo a área de vendas, mantém-se desde o início do século 20, não faltando elementos decorativos que atestam a riqueza do seu passado, incluindo brasões alusivos à Casa Ducal de Bragança. As embalagens dos produtos exibem sempre o brasão da Casa Real.

O “Pão-de-ló de Margaride” serve também para muitos emigrantes matarem as saudades de Portugal, o que motiva vendas elevadas para os países onde trabalham mais portugueses. Em termos nacionais, há uma rede de lojas que comercializam o produto certificado, comprovando, segundo o empresário, a sua notoriedade em todo o país.

Esta especialidade é o mote para o festival internacional do pão-de-ló que decorre no sábado e no domingo, no Mosteiro de Pombeiro, em Felgueiras, onde estarão 35 doceiros de vários pontos do país. 

Carla Meireles, vereadora na autarquia local, que organiza o certame, sublinha que é partir da "Casa do Pão-de-ló de Margaride" que se confere toda a notoriedade ao doce, a cuja produção, revelou à Lusa, se dedicam cerca de duas dezenas de empresas familiares no concelho.

 

Armindo Pereira Mendes/Lusa

 

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