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Marca d'Água

Marca d'Água

13
Jan13

Desinvestimento na rede ferroviária foi um erro estratégico nacional


Dói a alma observar a degradação deste edifício da antiga estação de Gatão, em Amarante, na desativada Linha do Tâmega, que ligava o Marco de Canaveses a Arco de Baúlhe, passando por Amarante e Celorico de Basto.

Este, como outros edifícios abandonados da antiga infraestrutura ferroviária portuguesa, são a marca indelével das opções estratégicas erradas tomadas nos anos oitenta e noventa do século passado.

Os governos de então, desprovidos de uma visão acertada de futuro, desinvestiram na rede ferroviária portuguesa, votando-a ao mais completo abandono e condenando-a ao declínio que mais tarde degenerou no encerramento, de nada valendo os protestos das populações prejudicadas.

Os decisores políticos de então, no Terreiro do Paço, extasiados pela moda do betão e das autoestradas, cometeram um erro grave ao não perceberem a importância económica, ambiental e até social do transporte ferroviário.

Ao desinvestir naquela infraestrutura, que servia quase todo o país, muito em especial o interior profundo, em contraciclo com o que se fazia no resto da Europa, a tutela delapidou um elemento estruturante para o desenvolvimento de tantas localidades, introduzindo mais um fator que concorreu para a fuga da população e a desertificação de vastas áreas outrora servidas pelo caminho-de-ferro e de repente privadas de um meio barato de transporte de pessoas e mercadorias. Cidades como Bragança, Mirandela, Vila Real, Chaves, Fafe e até Amarante, que cresceram durante décadas, em parte, à sombra do comboio, ainda hoje, volvidas várias décadas, não se recompuseram dos impactos negativos da perda do transporte ferroviário.

Não tenho dúvidas que, se tivessem sido feitos, em tempo útil, os investimentos de modernização que se impunham nas linhas, os comboios, porque mais baratos e eficazes, continuariam a ser procurados pelas pessoas.

Teríamos hoje, por conseguinte, uma rede ferroviária nacional competitiva e adequada às necessidades, que contribuiria para um Portugal mais competitivo, menos desigual, com um interior forte, dotado de infraestruturas de transportes competitivas e por isso preparado para resistir melhor da força "centrifugadora" das grandes cidades.

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