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Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

Marca d'Água

Apenas um olhar de Armindo Pereira Mendes

31.03.07

Os políticos que temos!

Armindo Mendes
Os portugueses assistiram há uns dias, pela televisão, à enorme confusão que se verificou no final do Conselho Nacional do CDS-PP, com discussões acesas entre apoiantes de Ribeiro e Castro e de Paulo Portas.
Desconhecemos em pormenor o que efectivamente terá motivado aquela efervescência, nem sequer os estatutos do partido. Censuro, porém, de forma veemente, o ambiente que se criou entre militantes de uma força com larga tradição na democracia portuguesa, que deviam primar, enquanto políticos, muitos dos quais profissionais, por transmitir uma imagem de maior civilidade e respeito pelas opiniões contrárias. Mais grave é perceber que os militantes, enquanto discutiam, sabiam que estavam a ser filmados e nem por isso se contiveram perante os jornalistas.
Quem viu aquelas imagens tão feias e ouviu aqueles impropérios trocados pelos dirigentes centristas ficou, em primeiro lugar, incrédulo, porque pensávamos que na nossa tradição democrática não havia mais lugar para incidentes como aqueles, que desacreditam uma vez mais os políticos aos olhos da sociedade portuguesa. Ficamos com a sensação de que a luta pelo poder, ainda que num pequeno partido que não é Governo, leva alguns políticos a ultrapassar todos os limites, comprovando-se de novo que as frases feitas com que alguns nos tentam convencer não passam de mera demagogia.
As imagens que vimos não alteram no essencial a opinião que tenho dos políticos.
Sei, por experiência profissional, que a política, no sentido genérico do termo, acaba por ser o espelho da nossa sociedade, com todos os defeitos e virtudes. Conheço homens e mulheres que exercem diferentes cargos políticos que são pessoas honestas e trabalhadoras, que dão o melhor de si, em função dos ideias que professam. Admiro essas pessoas e procuro cultivar com elas uma relação séria, mas assente em critérios de respeito recíproco, salvaguardando sempre que políticos e jornalistas devem relacionar-se de forma clara, combatendo quaisquer tipos de promiscuidade.
Mas também sei que não raras vezes gravitam junto de políticos gente de menor qualidade, que nem sempre escolhe os melhores caminhos para alcançar os fins. Gente que há anos se acomodou às benesses do poder, gente que até se acha importante, só porque pulula nos corredores ministeriais, do parlamento ou de uns quaisquer paços do concelho, cultivando uma subserviência obsessiva pelo poder, como forma de justificar benesses e até uma evidente falta de produtividade que protagonizam, mesclada com laivos de sobranceria grotesca.
Esse é o lado menos bom da política que hei-de de censurar sempre, independentemente das pressões mais ou menos descaradas que os jornalistas vão sofrendo pelas diferentes formas de poder.